Peguei a madeira em chamas do chão, não me preocupando com a fogueira lá fora, pois, a chuva estava prestes a começar. Peguei o pedaço de madeira com fogo para iluminar o ambiente para ela. Não precisava daquela iluminação, pois conseguia enxergar muito bem cada pedacinho daquele local com minha visão de lobo.
Assim que atravessamos toda aquela caverna, saímos em outra parte da floresta, e ali ela conseguiu enxergar nossa imensa casa. Suas lareiras estavam acesas, mas era algo que não precisávamos, o sangue correndo em nossas veias aquecia nossos corpos, como um aquecedor natural. Ela então me olhou incrédula, enquanto jogava a madeira acesa na saída da caverna.
— Você realmente me deixaria naquela caverna, com uma casa desse tamanho? — O que estava refletindo em seu olhar? Irritação? Aquilo quase me arrancou um riso.
— Não a forcei a ficar lá. Lembra que foi uma escolha sua? ¬— Retruquei, erguendo uma sobrancelha.
— Mas eu fiquei lá porque pensei que vocês morassem na caverna. — Ela respondeu, ainda mais irritada.
— Não é culpa minha que você tenha pensado que éramos primitivos. Embora você não esteja totalmente errada. — Assim que entramos na casa, meus pais já nos esperavam na sala, porém, lançaram olhares curiosos para a roupa que ela estava usando.
— Eu disse que provavelmente ela não era daqui. — Minha mãe foi a primeira a se aproximar, a abraçando.
— Bem-vinda querida. Ficamos sabendo o que você fez pelo Paul, e estamos muito gratos pela sua generosidade. — Ela deduziu a quem minha mãe estava se referindo.
— Não foi nada demais. Como ele está? O levaram para um hospital?
— Não foi necessário. Temos um médico particular que nos atende em casa. — Ela nos olhou com surpresa.
— Posso ver o Paul? É esse o nome, correto? — Minha mãe sorriu e assentiu com a cabeça.
— Por que você quer ver meu irmão? — Perguntei de forma ríspida, enquanto meus pais me olhavam sem entender minha reação. Não gostei da preocupação dela com meu irmão. Isso deixou meu lobo irritado.
— E qual é o problema em vê-lo? — Ela me desafiou com o olhar e travamos um breve duelo visual. Minha mãe, notando minha tensão, interveio prontamente.
— Querida, que tal você tomar um banho primeiro e se aquecer? Percebo que está tremendo. O Paul está descansando nesse momento, mas tenho certeza que você o verá em breve. Você está com fome? — Ela tinha agora um sorriso encantador no rosto, e meu lobo estava ainda mais fascinado por aquela mulher.
— Na verdade, estou faminta! — Ela disse à minha mãe, que a segurou pelo ombro e a conduziu para providenciar seu banho e comida. Notei que meu pai me lançou um de seus olhares questionadores.
— Essa garota cativou o seu lobo, não é? — Ele disse e, em seguida, começou a sorrir. — Não vai ser tão fácil, meu filho, ela é arisca demais.
Olhei para ele e saí da sala, retornando à floresta noturna. Meu lobo precisava de um pouco de liberdade, como se não tivesse passado muito tempo livre hoje. Meu irmão foi ferido mais uma vez devido às invasões de humanos em nossa terra. Eles vinham em busca de nossos ouros, acreditando que podiam se apropriar do que era nosso sem enfrentar consequências. Um nobre que desejava tomar posse de nosso território incentivava cada vez mais essas invasões, e agora éramos caçados por humanos idiotas em busca de nossas fortunas.
Minha mente retornava àquela mulher, provavelmente trazida pela árvore sagrada. No entanto, em algum momento, ela poderia decidir partir, mesmo sabendo que ela pertencia a nós: a mim e ao meu lobo. Precisava descobrir por que ela veio. A árvore não trazia qualquer pessoa sem um motivo. O desejo precisava ser muito verdadeiro para isso. O que será que ela desejou que a trouxe até aqui?
Aquela senhora gentil me levou até o andar de cima e me conduziu a um quarto, sem dúvidas, muito elegante. Ela então indicou outra porta, informando que era o banheiro, e me assegurou que eu poderia usá-lo à vontade, enquanto providenciaria roupas limpas para mim. Compreendi que ela tinha uma filha, quase da minha idade. Perguntei-me se todos aqueles filhos seriam adotados, já que seu rosto parecia tão jovial.
Ao entrar no banheiro, notei a presença de um ofurô no ambiente. Ofurô é uma espécie de jacuzzi de madeira. Girei a torneira e pude apreciar a elegância rústica do banheiro, que, assim como o resto da casa, era lindamente decorado. A temperatura da água estava morna, e assim que entrei, meu corpo agradeceu imediatamente, mergulhando em uma sensação de relaxamento.
Quando terminei o meu banho e entrei no quarto, encontrei um vestido deslumbrante sobre a cama. Parecia ser feito em um tecido fino, na cor azul. Ele se ajustou perfeitamente ao meu corpo, como se tivesse sido feito sobre medida. Nesse momento, ouvi o rugido da mesma fera que tinha me assustado próximo aquela árvore. Fui até a porta, que acreditava ser a da sacada, e a abri. Era como se o animal estivesse me chamando.
Apesar da escuridão lá fora, consegui enxergá-lo claramente. Seus olhos brilhavam como duas pedras de citrino, e ele parecia ser muito maior do que os lobos que me atacaram. Seu pelo era completamente branco. Eu me perguntei se aquilo era um lobo. Em que lugar misterioso eu tinha acabado de aterrissar?
O lobo pareceu perceber que estava sendo observado e virou seu olhar na minha direção. Aquilo me assustou profundamente, mas, por algum motivo, não conseguia me mover. O lobo se aproximou da casa, e nesse momento percebi que estava prendendo a respiração involuntariamente.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Fátima Ramos
aparecer assim um lobo do nada e se oproximar dela devia de aterroriza- lá
2025-02-01
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Maria Ishizuka
ótimo a menina é bem corajosa adoro abraços 💞😻😻😻😻😻
2025-01-14
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Jaiza Silva
meu Deus estou em estaze 🤭☺️
2024-12-12
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