Não tenho certeza quanto tempo permaneci desacordada, mas quando finalmente abri os olhos, ainda estava deitada próximo daquela árvore, e o som da água corrente do rio me indicava que estava em apuros. Eu teria que explicar aos meus pais onde estava tão tarde da noite, mas, naquele momento, minha preocupação havia se dissipado, pois estava convencida de que eles também estavam ocultando coisa de nós, coisas que tínhamos o direito de saber.
Ainda deitada ali, comecei a ouvir uivos raivosos, sons de algo genuinamente assustador. Poderia ser um animal feroz, e ele estava muito próximo. Comecei a correr dali quando, ouvir gritos distantes, mas não conseguia identificar de onde vinham. Só naquele momento me dei conta que a árvore era a mesma, mas o local onde eu estava não.
Aquela situação me deixou desesperada, e me perguntei por que não havia escutado minha mãe. No entanto, eu precisava correr e encontrar um lugar seguro, longe daquela fera, que eu tinha certeza que me consideraria um aperitivo.
Corri em direção à floresta que se estendia diante de mim, e quando minha respiração ficou ofegante, parei e me apoiei em uma árvore, tentando recuperar o fôlego. Ao mesmo tempo, examinei o local à minha volta. Tudo estava escuro, e apenas a luz da lua iluminava o caminho por onde eu andava. As copas das árvores eram altas, mas eu considerava a possibilidade de escalá-la como uma maneira de me manter segura.
Ouvi alguns gemidos de dor, o que me fez pensar que alguém estava ferido nas proximidades. Ainda assustada, comecei a procurar a origem daqueles sons e, para minha surpresa, deparei-me com um homem totalmente despido, sentado e apoiado no tronco de uma das árvores. Fui me aproximando dele lentamente, questionando-me sobre o que teria acontecido para ele estar sem roupas. Mesmo a uma distância considerável, ele percebeu minha aproximação.
Ele me lançou um olhar estranho, algo ameaçador que me deixou temerosa. No entanto, consegui visualizar, de alguma forma, o ferimento em seu ombro, que sangrava bastante. Meu instinto profissional entrou em ação rapidamente. Embora ele tenha tentado se levantar, consegui agir mais rapidamente, colocando minha mão em seu ombro ileso e o instruindo a permanecer sentado.
Surpreso, ele me encarou em silêncio. Procurei algo que pudesse usar para rasgar uma parte de minha roupa e estancar o sangramento do ferimento. Logo ao lado dele, encontrei uma faca. Por um momento, hesitei, me perguntando se ele poderia ser um agressor, mas no campo da medicina, não podemos julgar um ferido dessa maneira. Peguei a faca e, automaticamente, ele segurou minha mão em um aperto forte.
— Eu não vou te machucar. Preciso usar a faca para cortar o tecido. — Apontei para meu próprio vestido, e ele me observou antes de soltar minha mão.
Peguei a faca e notei o quão ela estava afiada, além de ser mais pesada do que o comum para uma faca. Cortei um pedaço considerável de tecido da parte de baixo do vestido, dobrei-o e coloquei sobre o ferimento. Ele gritou de dor quando pressionei o tecido contra o corte.
— Me perdoe, mas preciso estancar o sangramento, do contrário, você poderá morrer de hemorragia.
Pedi a ele que segurasse o pano contra o ferimento, enquanto cortava a outra parte do vestido. O pano que ele segurava já estava encharcado de sangue, mas notei que o sangramento havia diminuído um pouco. Com o pano limpo em mãos, segurei o que estava cobrindo o ferimento e o retirei para analisar a lesão. Era um corte profundo, possivelmente causado pela própria faca que estava ali, e quando a removeu, isso causou a hemorragia. Ele observava meu rosto atentamente.
— Você vai precisar de pontos. Precisa de um hospital. Você conhece algum nas proximidades para onde eu possa te levar? — Ele me olhou como se eu estivesse falando em uma língua estranha e ele não entendesse nada do que eu dizia. — Você entende o que estou falando? Sabe a minha língua?
— Afaste-se dele, a menos que queira provar de minha ira! — Escutei uma voz ameaçadora vindo de trás de mim.
Aquela voz enviou calafrios pela minha espinha, pois de alguma forma sabia que cada palavra era verdadeira. Eu estava de costas e não tinha visto ninguém se aproximar. Peguei a mão do homem ferido e a coloquei sobre o curativo de pano, enquanto estendia minhas duas mãos para mostrar que não representava ameaça. Em seguida, me levantei e me afastei do homem que estava no chão. Observei que o outro homem também estava completamente despido, e me perguntei em que lugar estava para que eles estivessem andando pelados como se fosse algo plenamente normal.
— Irmão, ela estava apenas me ajudando. — O recém-chegado me examinou dos pés à cabeça, como se eu fosse uma espécie de peça de exposição. No entanto, seu olhar incisivo me queimava por dentro, despertando sensações que eu nunca havia experimentado antes.
— O que aconteceu? — Perguntou o homem recém-chegado.
O rapaz ferido encarou o recém-chegado como se estivessem compartilhando um segredo, algo que apenas eles compreendiam. O homem mais alto aproximou-se do ferido e auxiliou-o a levantar-se, apoiando o braço ileso em seu ombro. Realizei uma análise rápida do homem ferido, e quando ele tentou ficar de pé, soltou um grito agudo, surpreendendo o outro homem, que o observou sem compreender.
— O pé dele está machucado, provavelmente torcido ou fraturado. Ele não vai conseguirá andar com o pé nessas condições. Se vocês estão fugindo de alguém, eu aconselho que encontrem outra maneira de carregá-lo. — Ele me olhou e, em seguida, trocou um olhar com o outro homem, como se estivessem compartilhando alguma informação em segredo.
Enquanto eu estava distraída, olhando ao redor em busca de uma possível saída para mim, o segundo homem se abaixou e levantou o homem ferido, o carregando nos ombros como se fosse um saco de batatas. Se o homem ferido tivesse alguma lesão interna, aquilo poderia ser fatal para ele. Eu me perguntava em que lugar estranho e desconhecido eu havia parado.
— Você não pode carregá-lo desse jeito, pode piorar a lesão dele! — Quase gritei para o homem mais alto. Ele me encarou com uma expressão que me fez ficar em silêncio, então começou a se distanciar, enquanto eu fiquei ali parada, observando.
— Acredito que seja melhor nos acompanhar se quiser sobreviver aqui, mulher! — Ele disse rudemente, enquanto já estava a alguns metros de distância. Sem muita escolha, tentei acompanhá-lo.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Fátima Ramos
Ela foi parar a outro tempo?
2025-02-01
1
Maria Ishizuka
María Ishizuka continuo gostando
2025-01-14
0
Clara Nunes
tá bom
2025-01-12
0