Após caminharmos bastante pela floresta, eles entraram em uma caverna. Só poderiam estar loucos se pensassem que eu entraria lá. Quando o homem maior percebeu que não o estava seguindo, ele me lançou um olhar.
— Não vou entrar nessa caverna, não faço ideia de que tipo de bicho pode estar aí, e não sou muito adepta de lugares escuros. Aposto que você nem enxerga a um palmo do seu rosto. — Disse me justificando.
— Espero que você saiba acender uma fogueira, pois esta região tem muitos lobos, e eles não são tão amigáveis quanto nós. Quanto à minha visão, ela é excelente no escuro. — O rapaz ferido riu, embora eu não entendesse o motivo.
Analisando minhas opções, decidi que tinha uma melhor chance de sobrevivência do lado de fora daquela caverna, onde pelo menos podia enxergar alguma coisa. Simplesmente sentei-me à entrada da caverna, enquanto o rapaz me observou uma última vez antes de seguir seu caminho e me deixar para trás.
Como eu não podia ter amigos na faculdade, passava meu tempo na biblioteca lendo diversos livros, alguns deles sobre sobrevivências. Portanto, eu estava ciente de que, após encontrar água, minha prioridade deveria ser o fogo. No entanto, eu não tinha nenhum equipamento que me ajudasse a acendê-lo, então teria que tentar a forma primitiva, como o atrito entre dois gravetos. Não tinha certeza se conseguiria, mas precisava tentar.
Fiquei aliviada por guardar aquela faca comigo, pois ela seria muito útil naquele momento. Raspei algumas madeiras para criar a palha e escolhi dois gravetos, começando a friccioná-los juntos em um movimento de broca. No entanto, após várias tentativas, meus braços estavam cansados. Fiz uma última tentativa, e, com muita sorte, finalmente consegui.
Um grande sorriso se espalhou pelo meu rosto. Aquele homem das cavernas ficaria surpreso comigo agora. Ao lembrar de sua voz, um arrepio percorreu minha pele. Após algumas horas ali, percebi o clima esfriando. Fiquei o mais próximo possível do fogo para me manter aquecida.
No entanto, o lugar parecia ainda mais assustador. Não conseguia enxergar nada dentro daquela caverna e do lado de fora, com as árvores muito próximas umas das outras, não passava muita luz vindo da lua. Comecei a escutar uivos e as palavras daquele homem começaram a me assombrar, peguei um pedaço maior de madeira da fogueira e deixei mais próximo de mim, me defenderia com ele se fosse preciso.
Comecei a ouvir rosnados e isso me assustou, fazendo meu corpo tremer. Peguei o pedaço de madeira com fogo em uma mão e a faca na outra. Quando percebi, cinco lobos maiores do que os cães comuns estavam diante da minha fogueira. Quando me notaram, os lobos começaram a rosnar de forma ainda mais ameaçadora. Comecei a dar passos para trás, tentando me afastar deles e entrando cada vez mais na caverna, mas aquelas criaturas acompanhavam meus movimentos.
Um dos lobos tentou me atacar, mas eu empurrei o pedaço de madeira em chamas na direção dele, o que o assustou e o fez recuar. Como eu iria escapar disso? Eu estava entrando em desespero, sem saber como escapar daquela situação, quando senti meu corpo colidir com alguém atrás de mim. Imediatamente, me virei com a faca em mãos, pronta para enfrentar qualquer agressor. No entanto, mãos ágeis seguraram as minhas, fazendo a faca cair no chão. Não sabia o que aquele indivíduo havia feito, mas os lobos recuaram rapidamente. Não sabia se meu corpo tremia mais de frio ou de medo.
Desde o momento que vi aquela mulher, soube que ela não era uma mulher comum. Meu lobo sentiu seu cheiro, o aroma de pêssego, a quilômetros de distância. Fiquei surpreso ao vê-la ao lado do meu irmão, pois o ciúme que senti foi descomunal. Quando a mandei ficar longe dele, não foi com medo do que ela poderia fazer com ele, mas sim do que eu poderia fazer com os dois.
Estava sendo difícil conter meu lobo. Ele queria se apresentar a ela, desejava marcá-la como sua. Não podia acreditar que ele havia escolhido justamente aquela mulher para si. Ela nem parecia ser daqui, mas meu lobo rugiu desejosamente dentro de mim.
“Minha” — Era o que ele afirmava, sem parar.
Ela estava praticamente nua, e eu conseguia imaginar todo seu corpo sob aquele vestido rasgado. Estava sendo difícil me controlar, estando eu mesmo despido. Normalmente, quando nos transformávamos, as roupas eram perdidas, e quando senti que meu irmão precisava de ajuda, não pensei duas vezes em vir até ele.
Decidi concentrar minha atenção em meu irmão primeiro, e, quando estivesse mais controlado, lidaria com ela. Por ora, eu a ignoraria completamente e a manteria distante de mim, visando sua própria segurança. Meu irmão estava encantando por aquela mulher, não de forma romântica, mas pelo gesto altruísta com o qual ela o tratou quando imaginou que ele poderia morrer devido ao ferimento, mesmo sem o conhecer.
Meu irmão ficou completamente indignado quando a deixei na entrada da caverna, mas aquela foi a escolha dela, não minha. Eu a tinha alertado sobre os lobos, e mesmo assim, ela optou por permanecer lá. Após algumas horas, meus pais pediram que eu a verificasse, e eu já estava indo fazer isso, mas mantive essa informação para mim. Para minha surpresa, ela havia conseguido fazer fogo, mas não sobreviveria aos lobos, nem ao frio que estava se intensificando.
Bastaram os lobos sentirem minha presença para se afastarem rapidamente. Quando seu corpo encostou no meu, uma poderosa energia percorreu meu corpo, sentir o cheiro do seu medo misturado ao pêssego. No entanto, não me renderia a ela tão facilmente.
— Você não sobreviveria sozinha uma única noite nessa floresta. — Falei irritado pela idiotice dela em querer ficar sozinha, sem sequer saber como se defender. — Onde conseguiu essa faca? — Meus olhos a identificou antes que ela pudesse me ferir acidentalmente. Aquela faca era de prata. Eu não poderia simplesmente pegá-la.
— Com seu irmão! — Ela respondeu, embora não conseguisse me enxergar claramente. O fogo iluminava apenas parcialmente a caverna, e ela parecia bastante assustada.
— Me dê essa faca antes que cause um acidente. — Tirei minha blusa e a envolvi na faca. Pegá-la diretamente me causaria uma queimadura grave. Agora eu entendia por que o Paul ainda não havia se curado. — Está disposta a me acompanhar agora? — Perguntei de forma rude, e nem sei por que estava com raiva. Talvez fosse pelo simples fato de ela ter se exposto em perigo daquela forma. Ela apenas acenou com a cabeça, concordando.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Maria Ishizuka
bom de ler bem interessante María Ishizuka abraços 😙😘😘😘
2025-01-14
0
Fátima Ramos
Está a ficar boa a história
2025-02-01
0
Clara Nunes
bom
2025-01-12
0