Lucy não podia afirmar que era ruim de bebida, só podia dizer que simplesmente não podia beber nada.
Se não fosse pela Allison a segurando, ela teria tido uma noite de paixão ardente naquela sala privada. De qualquer forma, Allison nunca tinha a visto agarrada a um homem, dizendo ser uma idosa solitária.
Vendo-a tão embriagada, Allison teve que levá-la de volta ao seu recém alugado apartamento.
Algum tempo atrás, a cuidadora do hospital descobriu que ela estava procurando um lugar para morar.
Foi então que ela sugeriu o apartamento de um parente.
Allison pensou que ao evitar uma agência imobiliária, poderia economizar parte da taxa, e com a garantia da cuidadora, ela concordou.
A outra parte só voltaria ao país em algum tempo, então eles ainda não tinham assinado um contrato. Allison tinha conversado com ele no WhatsApp, e depois de concordarem, começaram a limpar e se mudar.
Sem nenhum registro formal, Justin realmente não conseguiria encontrá-la por hora.
O pequeno apartamento, embora não fosse comparável a antiga mansão da família Sulliver antes da falência nem ao seu antigo lar conjugal tinha um aconchego especial, ela gostava muito dali e até criaria um aquário com peixes tropicais que seu pai gostava.
Ao abrir a janela, podia ver o mar. No passado, ela chegou a pensar que a Vila Dourada era um presente de Justin para ela, mas Brenda se mudou para lá assim que voltou ao país.
Por muito tempo, ela sentiu ressentimento e tristeza secretamente, mas agora ela entendia. Não importava quão caras fossem aquela casa, a vista não era diferente do mar que ela contemplava agora. O apartamento possuía um pequeno terraço onde ela colocou um tapete espesso. Originalmente, ela tinha planejado trazer seu pai para lá quando sua situação estivesse mais estável, para que ele pudesse aproveitar sua aposentadoria ao sol.
Mas os planos mudaram. Ela nunca previu que seria diagnosticada com uma doença terminal e muito menos imaginou a situação atual de Norton.
Após tomar algumas taças de Whisk, Alisson sentiu desconforto estomacal. Ela tomou um remédio e voltou para aquela cama infantil estreita. Ela tinha que se encolher todas as noites para caber nela, mas só nessa posição conseguia dormir um pouco. Impulsionada pelo álcool, ela teve uma boa noite de sono e quando acordou, já era meio-dia.
Lucy já estava acordada e havia preparado o café da manhã. As duas mantiveram um entendimento tácito e não tocaram no assunto da noite passada.
Os adultos eram hábeis em esconder suas vulnerabilidades durante o dia. Lucy calçou seus saltos altos e apressou-se em direção à porta de entrada, com um pedaço de torrada na boca, ela olhou para Alisson e falou de forma apressada.
— Preparei o café da manhã para você, estou atrasada, vou indo, meu bem.
Allison levantou-se.
— Luh, vou estar ocupada nos próximos dias, talvez não possa sair com você.
— Não se preocupe, acha mesmo que sou rica? Vou desperdiçar dinheiro assim? A noite passada foi um adeus a nossa juventude. Hoje, a sua amiga renasceu cheia de energia. Os homens não valem tanto assim. Mas se precisar de ajuda, me avisa. Não se mate trabalhando em vários empregos.
— Entendi. - Allison a abraçou suavemente perto da porta. — Luh, você vai encontrar alguém melhor. A tristeza de hoje é a felicidade de amanhã.
— Ainda está tentando me consolar? Se nem um homem tão bom como Justin pôde ser mantido, como você vai encontrar alguém melhor no futuro? - Lucy zombou.
— No futuro? - Allison sorriu gentilmente na direção do sol. — Quem sabe...
Lucy estava prestes a sair, mas ao ver a silhueta frágil de Allison, a abraçou por trás.
— Eu estarei ocupada nos próximos dias, mas assim que terminar, vou te chamar para sairmos. Cuide bem de si mesma. O inverno está chegando, e mesmo que não tenha alguém para esquentar sua mão, cuide de si mesma. Não esqueça que você só pode contar consigo mesma agora.
Allison assentiu. Depois de se despedir de Lucy, Alisson arrumou o quarto e ligou o celular. Inesperadamente descobriu que Justin havia ligado para ela na noite anterior provavelmente para falar sobre o divórcio. Infelizmente não teria tempo nos próximos dias.
Além de Justin, havia várias chamadas perdidas de Ariella, então ela retornou a ligação.
A chamada foi atendida rapidamente, com a voz preocupada de Ariella do outro lado.
— Allison, por que não atendeu às chamadas da mãe? A mamãe está muito preocupada contigo nos últimos dias. Quanto dinheiro ainda precisa? Vou te transferir imediatamente.
O som das ondas batendo nas rochas lá fora, trouxe uma sensação de calma ao coração de Allison.
Muitos anos após a partida de sua mãe, ela ainda guardava ressentimentos. Não entendia por que sua mãe a havia abandonado. Saber que ela tinha se tornado madrasta de Brenda tornou essa realidade ainda mais difícil de aceitar. Porque enquanto ela cuidava com carinho da filha de outra mulher, sua própria filha sofreu por anos sua ausência.
Por que tinha que ser a madrasta de Brenda?
Não importava o quão triste ela estivesse, a situação estava definida. Allison sabia bem de sua impotência.
— Eu estou bem, não se preocupe. Justin me dei algum dinheiro, você não precisa se preocupar com despesas médicas do pai.
Ariella fez uma careta.
— Ally, eu sei que você está sofrendo pelo divórcio com Justin. Mas você poderia acelerar e deixar que ele se case com Brenda?
Um sentimento decepcionante surgiu no coração de Allison. Sua mãe não se importava com ela. Até mesmo depois de anos, ela pensou que receberia uma migalha do seu carinho, mas agora, ela achou que sua mãe ligara para ela preocupada. Mas a realidade pode ser dura às vezes. Sua mãe queria apenas facilitar para sua outra filha.
— Por que não diz nada meu amor? Ally, eu quero te ver e compensar todos esses anos de dívidas.
Allison conteve o choro, ela olhou para mar azul e respondeu indiferente.
— Se realmente se importasse comigo, não passaria todos esses anos sem nem sequer me fazer uma ligação. Se tivesse qualquer sentimento por mim, não teria me ignorado por anos. Achei que tanto tempo de negligência com sua filha, a vida a moldaria. Mas continua sendo a mesma egoísta de sempre. Eu que estava errada, recorri a você quando fiquei desesperada e esqueci que você se casou novamente. Não vou cometer esse erro novamente no futuro.
— Ally, eu...
— Ariella, vamos apenas seguir como sempre. Vou cuidar do meu pai sozinha. Você pode fingir que nunca teve uma filha como eu, e eu vou fingir que nunca tive uma mãe como você e vou permanecer idealizando que minha mãe me amava mas partiu.
Allison não estava zangada consigo mesma por ter perdido a compostura diante de Brenda, mas sim com o fato de Ariella não ter se importado com ela desde que foi para o exterior. Quando mais precisou dela, Ariella estava ao lado de Brenda, cuidando da filha dos outros.
Essa foi a escolha de Ariella, e Allison não podia culpá-la, mas também não conseguia esquecer ou perdoar completamente. Após desligar o telefone, ela pediu demissão do emprego de meio período que tinha e enviou uma mensagem para Justin dizendo que estaria ocupada nos próximos dias e que marcaria a data do divórcio em breve. Independente da verdade, ela e Justin não poderiam voltar atrás.
Adeus, eles não seriam mais amigos, e muito menos amantes.
Com todas essas tarefas concluídas, Allison foi ao hospital. Noah a olhou quando ela chegou sozinha, sua silhueta alongada pelo sol, parecia mais frágil do que nunca. Ele sentia remorso, mas evitava encarar os olhos dela. Ele reprimiu a compaixão e gentilmente sorriu.
— Está com medo?
— Um pouco, mas quando vejo você, me sinto mais tranquila.
— Não se preocupe, eu mesmo preparei a quimioterapia. Vou tentar garantir que os efeitos do tratamento sejam preservados enquanto os efeitos colaterais sejam minimizados ao máximo.
— Obrigada Doutor Noah, por tudo.
Ele sentiu-se mal. Ao entrar na ala de internação, Allison finalmente sentiu a realidade de estar entre a vida e a morte. Era a primeira vez que via tantos pacientes, homens, mulheres, jovens e idosos, todos diferentes, mas com algo em comum: Usavam perucas ou chapéus. Alguns tios despreocupados passavam pelos corredores com a careca descoberta. Na maioria dos quartos, as pessoas estavam passando por sessões de quimioterapia.
Alguns choravam, outros olhavam para o vazio com expressões vazias. Allison sabia que em breve se juntaria a eles. Seus olhos perderiam o brilho, e a esperança pela vida desvaneceria. Caminhar para o futuro estava se tornando cada vez mais difícil.
Com a ajuda de Noah, ela foi instalada em um quarto privado. A enfermeira a saudou com gentileza.
— Sra. Allison, certo? O diretor Noah já nos informou. Venha para cá e se prepare. Peça a algum parente para fazer o registro de entrada e pagar pelos medicamentos.
— Parente?
Ah, sim, todos aqui tinham um ou dois parentes cuidando deles, mas ela estava sozinha. Isso atraiu olhares de compaixão não apenas para ela, mas para todos ao redor. Lidar com essa doença já era difícil, fazer quimioterapia sozinha era ainda pior.
— Não tenho parentes vou arranjar. Eu vou arranjar uma cuidadora para cuidar de mim. - Allison sentiu-se sem jeito dizendo isso.
— Mas como assim? Um parente precisa assinar. - A enfermeira estava hesitante. — Você não tem um parceiro? Os pais também servem. Irmãos?
Allison ficou lá, sem saber o que fazer, parecendo uma criança na escola sem os pais numa reunião. Solitária e lastimável.
Noah deu um passo a frente.
— Eu sou parente dela, vou assinar por ela.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
rafamendes
que mãe hein.essa menina só sofre
2025-01-17
2
mandinha
E vai esperar o quê de uma mãe dessas !! que abandonou uma filha por macho ? ...
2025-01-03
3
Cleidilene Silva
isso não é e nunca vai ser,pelo menos pra Allison!
2024-11-28
2