Em uma noite escura, ela retornou sozinha e melancólica ao banheiro.
O vapor da água quente dissipou o seu frio, enquanto ela massageava os olhos inchados e entrava em um quarto. Ao abrir a porta, diante dela se revelou um quarto de criança acolhedor.
Ela tocou suavemente o móbile, e a música suave da caixinha de música encheu o aposento. A luz era suave e amarelada, criando uma cena incrivelmente aconchegante.
Contudo, as lágrimas de Allison transbordaram sem controle, escorrendo copiosamente.
Talvez fosse o seu pagamento, por não ter protegido o seu próprio filho, e assim, talvez a vida estava reivindicando sua vida.
Allison subiu na cama de bebê, que media 1,2 metros, encolhendo-se como um camarão. Uma lágrima do seu olho esquerdo cruzou para o direito e, então, deslizou por sua bochecha, molhando o cobertor do bebê sob ela.
Ela puxou uma boneca para seus braços e abraçou-a com muita força.
— Me desculpe, bebê, a culpa é toda da mamãe. A mamãe não conseguiu te proteger. Não tenha medo, mamãe estará com você em breve.- Ela murmurou.
Desde a morte da criança, sua saúde mental se deteriorou como uma flor delicada que murchava gradualmente.
Ela olhou para a escuridão impenetrável da noite e pensou que, desde que ela deixasse essa quantia de dinheiro para o seu pai, poderia então se reunir com seu bebê.
Na manhã seguinte, antes mesmo do amanhecer, Allison já estava pronta. Ela olhou para o próprio sorriso radiante na foto de seu certificado de casamento.
Num piscar de olhos, quatro lanos haviam passado.
Ela preparou um café da manhã saudável para o estômago, mesmo que ela não tivesse muito tempo de vida, ainda queria passar o máximo de tempo possível cuidando de seu pai.
Logo quando Allison estava prestes a sair, recebeu uma ligação do hospital.
- Sra. Allison, o Sr. Northon teve um ataque cardíaco súbito e já foi levado para a sala de emergência.
— Estou indo imediatamente! - Allison apressou-se para o hospital.
A cirurgia ainda não havia terminado e ela aguardava ansiosamente do lado de fora da sala de cirurgia, com as mãos juntas. Ela já havia perdido tudo e a única esperança restante era que seu pai ficasse bem.
Uma enfermeira ao seu lado entregou-lhe um monte de papéis.
— Sra. Allison, estes são os custos do tratamento de emergência e da cirurgia que surgiram quando o seu pai teve problema repentino.
Allison olhou os detalhes e ficou surpresa ao ver que era mais de duzentos mil. Os custos mensais do cuidado regular de seu pai já eram de cinquenta mil, e ela mal estava conseguindo acompanhar, trabalhando em três empregos. Ela havia acabado de pagar as despesas hospitalares deste mês e tinha apenas dez mil restantes em seu cartão. Como ela pagaria pela cirurgia?
Allison teve que ligar para Justin cuja voz soou fria do outro lado da linha.
— Onde você está? Estou esperando por você há meia hora.
— Surgiu algo urgente do meu lado e eu não posso sair.
— Allison, você acha que isso é uma piada? - Justin riu friamente. — Eu sabia que não fazia sentido você mudar de atitude tão de repente. Inventar uma mentira tão ridícula. você pensa que pode me enganar?
Esse homem realmente achava que ela estava mentindo.
— Eu não estou mentindo. No passado, eu não queria acreditar nisso e pensava que você tinha uma razão para me tratar assim. Mas, agora, eu vejo claramente que esse casamento já não é necessário. Estou disposta a me divorciar de você de boa vontade. A razão pela qual eu não apareci é porque meu pai teve um ataque cardíaco e precisa fazer uma cirurgia... - Allison tentou explicar.
— Ele morreu pelo menos? - Justin perguntou.
Allison achou estranho. Quem falaria assim?
— Não, ele está passando por cirurgia. Justin ,a cirurgia custou mais de duzentos mil. Você pode adiantar um milhão para mim? Eu prometo que vou me divorciar de Você!
Uma risada sarcástica ecoou do outro lado da linha.
— Allison, é melhor você entender uma coisa: eu quero que o seu pai morra mais do que qualquer um. O dinheiro eu posso te dar, mas somente depois que finalizarmos o divórcio.
Do outro lado da linha, veio o sinal de ocupado. Allison estava incrédula, lembrando-se de quando estava namorando Justin, ele ainda tinha grande respeito pelo pai dela. Mas, a malícia cheia de ódio que ela ouviu pelo telefone, agora não continha nem um traço de brincadeira.
Ele desejava a morte de seu pai? Por que?
Associando isso ao colapso da família Sulliver dois anos atrás, tudo começou a fazer sentido.
Seria apenas uma coincidência?
E se o colapso da família Sulliver tivesse sido causado por ele? Mas, afinal, o que a família Sulliver fez para merecer isso dele?
Allison não tinha tempo a perder pensando nisso, pois sua prioridade era angariar o dinheiro para o tratamento que custaria mais de duzentos mil.
A porta da sala de cirurgia se abriu e Allison se aproximou apressadamente.
— Dr. como está o meu pai?
- Fique tranquila, Sra. Allison. O Sr. Northon está fora de perigo. Contudo, ele está emocionalmente abalado, então evite expô- lo a qualquer estímulo adicional.
— Entendi. - Allison suspirou aliviada. — Obrigada, Dr.
Northon ainda estava inconsciente, e Allison perguntou à cuidadora.
— Meu pai estava bem mentalmente. Por que ele teve um ataque cardíaco repentino?
A cuidadora contratada respondeu apressadamente:
— O Sr. Northon estava de bom humor ultimamente. Ele até mencionou que desejava comer algo frito. Pensei em ir ao Restaurante lá embaixo para comprar uma porção de frango frito para ele. Quando voltei, ele já havia sido levado para a sala de emergência. Sra. Allison, sinto que a culpa é minha!
— Antes de você sair, ele viu alguém?
— Não. Antes de eu sair, o Sr. Northon estava bem. Ele até mencionou que você gostava do arroz de marisco. Então pediu que eu comprasse um prato para você. Quem poderia imaginar que algo assim aconteceria de repente?
Allison tinha a sensação de que havia mais nessa história do que aparentava. Ela pediu à enfermeira que cuidasse bem de Northon e dirigiu-se rapidamente ao balcão de enfermagem para verificar os registros de visitantes.
— Sra. Allison, ninguém visitou o Northon esta manhã. - A enfermeira deu-lhe a resposta.
— Obrigada.
— Ah, Sra. Allison, o Sr. Northon já pagou suas despesas?
Envergonhada, Allison respondeu com dificuldade.
— Eu vou pagar daqui a pouco, desculpe.
Ela saiu da estação de enfermagem, chamou um táxi e foi até o cartório.
Onde estaria Justin?
Desesperada, ela ligou para o número dele.
— Eu já estou no cartório, onde você está?
— Na empresa.
— Justin, você pode vir para o cartório agora para finalizar o divórcio?
Justin riu friamente.
— Você acha queo contrato de bilhões que estou prestes a assinar é menos importante do que você?
— Eu posso esperar até você terminar seu contrato. Justin, por favor, estou implorando, meu pai precisa urgentemente de dinheiro.
— Se ele morrer, eu vou cobrir as despesas do funeral.
Com isso, ele desligou o telefone. Quando ela ligou de novo, seu celular já estava desligado.
As gotas de chuva caíam densas como uma rede ampla que envolvia Allison, deixando-a sem fôlego.
Ela estava encolhida sob o abrigo do ponto de ônibus, observando as pessoas se apressarem na rua. Allison estava cheia de arrependimento.
Se ela não tivesse engravidado e priorizado seus estudos, ela já teria o diploma em mãos agora e não iria precisar se humilhar para salvar a vida do seu pai. Com suas habilidades e qualificações, teria um futuro brilhante.
Quem poderia ter previsto a falência da família Sulliver e a súbita mudança de atitude de Justin, aquele que a considerava tão preciosa? Num instante, ela havia perdido tudo.
Havia um ano, Justin mandou que tirassem dela todas as suas jóias e bolsas de grife. A única coisa de valor que ela ainda possuía era a aliança de casamento. Ela a retirou com determinaçãoe entrou decididamente em uma joalheria de luxo.
A vendedora a olhou de cima a baixo, avaliando a jovem encharcada vestindo roupas simples.
— Senhorita, você trouxe o recibo e o comprovante de compra?
— Claro. - Allison fez questão de não notar o olhar avaliativo da vendedora e baixou a cabeça, entregando-lhe o recibo.
— Certo, precisamos levar o anel para avaliação. Podemos entrar em contato com você amanhã sobre os detalhes?
Allison umedeceu os lábios ressecados, um tanto ansiosa.
— Eu preciso do dinheiro urgentemente. Seria possível agilizar o processo?
— Bem, vou fazer o possível. Um momento, por favor...
Antes mesmo de a vendedora pegar a caixa com anel, uma mão pálida e delicada foi pressionada sobre a tampa da caixa.
— Este anel é realmente bonito, eu vou ficar com ele.
Allison ergueu o olhar e deparou-se com um rosto que lhe causava aversão: Brenda.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
vanuza dantas
Gente quanto sofrimento o dela, q homem desprezível é esse? ela precisa acordar
2025-02-28
1
Juliana S Andrade
será que essa mulher não roubou o bebê dela pra fingir ser desse bocó?
2025-02-14
1
Cleidilene Silva
eu concordo!
2024-11-27
1