Capítulo 6

O vento gélido do rio soprava de frente, perfurando os ossos como uma faca de gelo. Allison se ergueu e continuou a perseguir, porém subestimou seu estado físico atual. Antes de correr alguns metros, caiu violentamente no chão. A porta do carro se abriu novamente e um par de sapatos de couro brilhante parou diante dela.

Seus olhos seguiram as pernas elegantemente vestidas do homem, subindo lentamente até encontrarem os olhos gélidos de Justin.

— Justin. - Allison murmurou com debilidade.

Uma mão com nós ósseos proeminentes pousou acima dela. Por um instante, Allison sentiu como se estivesse vendo novamente o jovem de branco que a tinha cativado em seus anos passados e involuntariamente estendeu a mão em sua direção.

Quando suas mãos se tocaram, Justin retirou sua mão friamente. Ele lhe deu esperanças, depois a afastou cruelmente, fazendo com que seu corpo caísse novamente com força.

Allison, que não estava ferida antes da queda, agora tinha a palma da mão pressionada sobre cacos de vidro no chão. O sangue escorria, brilhante e cortante.

Seus olhos negros ficaram momentaneamente paralisados, mas ele não se moveu. Ele acreditava que ela merecia tudo aquilo

Por um instante, Allison ficou atordoada.

Ela relenmbrou a ocasião em que feriu o braço e ele a levou ao hospital no meio da noite.

O médico de plantão até riu vendo o quão nervoso ele estava.

— Senhor. Você teve sorte de vir cedo. Se tivesse vindo mais tarde, o corte já estaria cicatrizando.

A imagem do homem em sua memória se sobrepôs com o homem diante dela. Seus traços eram os mesmos, mas o cuidado que existia antes se transformou em um frio gélido. Um ódio capaz de ser transmitido apenas pelo olhar dele.

Justin falou com uma frieza implacável olhando para ela.

— Allison, os outros podem não me conhecer, mas você não sabe quem eu sou? Alguém que consegue correr mil e quinhentos metros e ainda realizar um salto mortal, agora tropeça após apenas alguns passos?

Seu olhar para ela estava cheio de desprezo, como lâminas afiadas a cortando.

Allison mordeu os lábios pálidos e explicou.

— Não é isso, eu não menti para você. Só estou um pouco fraca por estar doente..

Antes que ela pudesse concluir sua explicação, o homem alto se inclinou, erguendo o queixo dela com suavidade. Seus dedos ásperos acariciaram seus lábios ressecados.

— Realmente, os filhos aprendem com os pais. Você é exatamente igual ao seu pai, aquele homem extremamente hipócrita. Por um pouco de dinheiro, não hesita em encenar esse teatro patético.

Suas palavras feriam mais do que o vento gelado, perfurando seu coração.

Allison afastou sua mão violentamente dele.

— Meu pai é um homem de caráter íntegro. Acredito que ele nunca faria algo moralmente corrupto!

Justin riu com frieza, como se não quisesse debater esse assunto com ela. Ele tirou um cheque da carteira, preencheu um valor aleatório e segurou o cheque diante dela entre dois dedos, questionando.

— Você o quer?

Cinco milhões, uma quantia considerável. Pelo menos, poderia garantir que ela não se preocupasse com as despesas médicas de Northon por um longo tempo.

Entretanto, ele obviamente não era tão benevolente. Allison não pegou o cheque, ela olhou para ele.

— Condição?

Justin sussurrou suavemente em seu ouvido.

— Contanto que você diga pessoalmente que Northon é um animal inferior, pior do que um porco ou um cachorro, esse dinheiro será seu.

Ao ouvir isso, Allison teve uma mudança drástica em sua expressão. Ela levantou a mão para dar um tapa nele, mas Justin segurou seu pulso. A mão ferida de Allison machucada na luta, bateu em sua camisa, deixando uma marca de sangue. Justin apertou ainda mais, seu semblante se tornando mais severo.

— Então não está disposta? Bem, então deixe-o morrer no hospital. Já escolhi o local do enterro.

— Justin, como você pộde se tornar assim? -Allison perguntou com lágrimas nos olhos.

O homem que costumava dizer que a protegeria para sempre, impedindo suas lágrimas de cairem, parecia um sonho distante. Agora, suas lágrimas eram apenas ferramentas para divertí-lo.

Mesmo a luz amarelada e suave do poste não trazia calor ao seu rosto, em vez disso, apenas impaciência.

— Não vai falar, é isso?

Ele soltou a mão dela e, com calma, rasgou o cheque em pedaços.

Allison tentou impedir, correndo para pegar os fragmentos, mas ele a empurrou para longe. Ele parecia uma divindade celestial, olhando para baixo, indiferente.

—Já te dei uma chance.

Os pedaços de papel rasgado eram como sua esperança despedaçada, transformando-se em borboletas dançantes ao seu redor.

— Não, não faça isso! - Allison estava agitada, tentando recolher os fragmentos.

Suas lágrimas caindo uma a uma no chão. Ela agia como uma criança que perdeu tudo, desamparada e confusa.

Justin virou as costas e, enquanto se preparava para entrar no carro, ouviu um baque surdo. Ele se virou e viu a pessoa desmaiada no chão.

O motorista, Ryan, estava preocupado com ela.

— Sr. Justin, parece que a senhora desmaiou. Devo levá-la ao hospital

Justin lançou-lhe um olhar gélido.

— Se preocupa tanto com ela?

Ryan estava com Justin havia muito tempo, ele sabia que o Sr. Justin costumava se importar muito com a senhora. No entanto, desde do dia em que ele foi reconhecer o cadáver, mudou completamente.

Isso, afinal, era um assunto de família, e ele não ousava perguntar mais. Dirigiu o carro obedientemente.

A medida que o carro se distanciava, Justin observava a mulher que ainda não havia se levantado pelo retrovisor, com um olhar de desprezo no rosto.

Após tantos dias sem vê-la, ela estava cada vez mais habilidosa em atuar.

Embora Allison tivesse sido criada com luxo e cuidado, Northon a fez praticar várias atividades físicas desde a infância para que não fosse intimidada pelos outros. Ela era boa em Krav Maga, tinha experiência em luta e a força de um touro.

Como poderia desmaiar tão facilmente?

Aos olhos dele, era apenas um teatro que Allison estava encenando por dinheiro.

Com esse pensamento, Justin desviou o seu olhar frio, não a olhando mais.

Quando o carro de Justin desapareceu, finalmente Noah chegou até Allison, aproximando-se apressadamente.

Allison acordou novamente, encontrando-se no quarto onde estava pouco tempo atrás.

Sua mão estava conectada a um soro, um líquido frio fluindo aos poucos para dentro de suas veias arroxeadas, e o ferimento em sua mão esquerda já estava enfaixado.

O relógio de parede com design de chifre de veado marcava quatro da manhã. Antes que ela pudesse dizer algo, a voz amistosa de Noah soou.

— Desculpe, estava preocupado que você fizesse algo impulsivo, então te segui.

Allison tentou se levantar e Noah rapidamente colocou mais um travesseiro, oferecendo-lhe um pouco de água. Sentindo- se mais confortável, Allison finalmente falou sem jeito.

— Você viu tudo?

— Me desculpe, não foi minha intenção invadir sua privacidade.

Noah era como uma folha em branco, limpa e clara, alguém que podia ser lido ao primeiro olhar, bem diferente de Justin.

— Não tem problema, eu sou a esposa dele, não é como se eu fosse uma amante.

Ao ver a surpresa no rosto de Noah, Allison sorriu amargamente.

— É verdade, todos pensam que Brenda é a mulher com quem ele se casará um breve. Se você duvida, então...

Noah a interrompeu apressadamente.

— Não, eu acredito. Eu vi seu anel de casamento, foi lançado há três anos pelo Grupo JH, uma edição limitada única no mundo. Foi desenhado pessoalmente pelo dono da Grupo JH para sua esposa. Eu sei que o maior acionista oculto do Grupo JH é o Justin.

Ele já havia especulado sobre o relacionamento entre os dois, mas, ao ouvir os rumores sobre Justin e Brenda e não ver Justin no hospital nos últimos dois anos, tinha descartado essa ideia.

Allison instintivamente tocou o local onde costumava usar o anel. Estava vazio, e sua pele parecia mais pálida ali, como se estivesse relembrando seu casamento ridículo.

— Se ainda sou a esposa dele ou não, já não importa mais. Amanhã, às nove horas, estaremos nos divorciando.

— Ele sabe sobre sua doença?

— Ele não tem o direito de saber.

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Comments

vanuza dantas

vanuza dantas

Autora mude o rumo dessa mulher, torne a forte e q se vingue desse canalha junto com a amante, um sofrimento desse, eu preferia a morte

2025-02-28

2

Bernadete Lopes

Bernadete Lopes

Que homem é esse????
É um monstro, se o pai dela fez alguma coisa com a família dele,ela não tem culpa.

2025-02-22

1

rafamendes

rafamendes

não se humilha mais. e essa da sua mãe ,ser madrasta da bruxa. misericórdia

2025-01-17

2

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