Brenda trajava um elegante sobretudo branco feito de lã de cordeiro, haviam pérolas brancas penduradas enm suas orelhas que realçavam sua doçura e elegância.
O xale em seu pescoço, que provavelmente valia milhares de dólares chamou a atenção da atendente, que se aproximou rapidamente dela.
— Sra. Howard, o Sr. Justin não a acompanhou na escolha das joias hoje? Sra. Howard, os modelos mais recentes acabaram de chegar na loja. Cada um deles é perfeito para a senhora e as esmeraldas que a senhora me pediu para reservar finalmente chegaram. Experimente- as mais tarde, elas certamente combinarão com o seu tom de pele.
A atendente falava rapidamente, chamando Brenda de "Sra. Howard" a cada frase. Brenda sorriu e lançou unm olhar para Allison, cheia de satisfação, como que declarando sua vitória.
Todos sabiam que Justin a tratava como uma jóia preciosa, mas poucos sabiam que Allison era a esposa legítima dele.
Allison apertou o punho da mão que pendia ao lado, questionando por que, justamente naquele momento constrangedor, ela teve que encontrar a última pessoa que desejava ver.
Com gentileza, Brenda olhou para mão dela e indagou.
— Vender um anel de tão boa qualidade por dinheiro à vista pode resultar em perdas consideráveis.
Allison estendeu a mão e pegou a caixa do anel, seu rosto negro como carvão.
— Não vou mais vender.
— Não vai? Que pena. Eu realmente gostei desse anel e estava disposta a comprá-lo por um preço alto, considerando que nos conhecemos. Afinal, Sra. Allison, você não está precisando de dinheiro?
A mão de Allison ficou rígida no lugar. Sim, ela estava precisando de dinheiro, muito dinheiro.
Brenda percebeu isso e usou isso como sua arma para humilhá-la.
As atendentes ao redor se apressaram para intervir.
— Senhorita, esta é a noiva do Presidente do Grupo Howard. É raro a Sra. Howard se interessar por um anel. Ela definitivamente Ihe oferecerá um bom preço, assim você não precisará esperar pelo procedimento habitual para receber o pagamento.
Cada vez que a chamavam de Howard, era um lembrete irônico do fato de que um ano atrás ela tinha jurado a Brenda que não se divorciaria, algo que agora ela desejaria que tivesse feito.
Em apenas um ano, todos nas ruas sabiam de sua situação. Allison sentia que seu casamento com Justin era uma conspiração.
Vendo sua hesitação, Brenda sorriu brilhantemente.
— Sra. Allison, por que você não sugere um preço?
O sorriso triunfante no rosto dessa mulher repugnante estava deixando Allison enjoada. Ela respondeu com frieza.
—Não vou vender. Você não ouviu?
No entanto, Brenda não se intimidou.
— A Sra. Allison está claramente em uma situação difícil. Ainda se preocupa com a dignidade? Se eu fosse você, Sra. Allison abriria mão disso com prazer. Nniguém te contou que insistir de maneira patética não é bonito?
— Suas palavras são ridículas, Srta. Brenda. Você está se aproveitando dos outros para chamar atenção. Se gosta tanto de tirar proveito, por que não assalta um banco?
Enquanto discutiam, o anel voou para fora da caixa, descrevendo uma parábola no ar e caindo no chão com um som de "ding".
Allison se apressou para pegá-lo. O anel rolou diretamente até os pés de um par de sapatos de couro fino junto à porta.
Allison se inclinou para pegá-lo, uma gota de água caindo em seu pescoço, gelada e penetrante.
Ela levantou os olhos lentamente, encontrando um par de olhos frios e implacáveis. Justin ainda segurava o guarda-chuva preto aberto, as gotas de chuva caindo sobre sua cabeça.
O elegante sobretudo preto realçava a impecável postura dele.
Allison o encarou, relembrando o primeiro encontro deles. Quando ele tinha vinte dois anos, estava de pé no ensolarado campo de treinamento usando uma camisa branca.
Parecia estar no auge de sua juventude, eternamente gravado em sua mente de quando tinha quinze anos.
Ela usava um suéter de tricô, a textura felpuda destacando sua magreza. Seu queixo era afilado, como se tivesse emagrecido um pouco nos últimos três meses.
Ele era nobre e imponente, enquanto ela humilde como poeira.
O gesto de Allison para pegar o anel ficou congelado no lugar, e nesse momento de hesitação, o homem ergueu o pé e pisou no anel, passando por ela sem expressão.
Allison ainda estava semi-curvada. Esse anel havia sido projetado por ele pessoalmente, de acordo com as preferências dela. Não era extravagante, mas tinha um design único, sendo a única peça no mundo.
Desde o momento em que ele o colocou em seu dedo, Allison só o retirava para tomar banho, nunca o tinha tirado em nenhuma ocasião.
Se não fosse por sua desesperada necessidade de dinheiro, ela nunca teria recorrido a essa medida extrema. Mas o que ela considerava tesouro era considerado lixo aos olhos dos outros.
Ele não estava pisando no anel, mas em todas as memórias preciosas que ela guardava.
Brenda se aproximou, sorrindo, e explicou para ele.
— Justin, que bom que você chegou. Acabei de ver a Sra. Allison vendendo o seu anel enquanto eu escolhia jóias.
A expressão fria de Justin não mostrava emoção. Seu olhar gélido pousou no rosto de Allison que estava reprimindo sua raiva, e ele perguntou com frieza.
— Você quer vender esse anel?
Allison lutou contra as lágrimas, apertando os lábios para não chorar.
— Sim, Sr. Justin, você quer comprar?
Um sorriso sarcástico brincou nos lábios de Justin.
— Lembro-me de você, Sra. Allison, dizendo o quanto esse anel era importante para você. Parece que seu amor não passava de palavras vazias. Coisas sem coração são lixo para mim.
— Tem razão, Sr. Justin, porque o homem que me deu era um lixo, exatamente como esse anel.
Justin olhou para ela, com uma expressão mortal de desprezo.
— Talvez ele resolveu a deixar o lixo no devido lugar.
Allison estava prestes a responder quando uma dor ardente em seu estômago ativou seus nervos. A medida que o tumor crescia cada vez mais, a dor, que antes era leve, se transformava em uma dor lascinante.
Ela observava o par perfeito em preto e branco sob a intensa luz branca, como um casal idealizado. Um homem e uma mulher feitos um para o outro.
De repente, ela perdeu a força para argumentar. Um homem que mudou de coração não se importaria, mesmo que ela arrancasse o coração do próprio peito e entregasse a ele.
Allison suportou a dor e pegou o anel, retornando calmamente ao balcão para pegar a caixa e o recibo.
Diante de Justin, ela não queria parecer fraca. Mesmo que estivesse quase desmaiando de dor, ela ainda mantinha passos firmes.
Ao passar pelo lado de Justin, ela soltou uma frase sem emoção.
— Assim como o Sr. Justin, eu costumava considerá-lo precioso. Agora é apenas uma pedra que pode ser trocada por dinheiro.
Justin percebeu que algo não estava certo. O suor escorria da testa lisa de Allison, e seu rosto estava pálido como papel, como se estivesse se esforçando para conter a dor.
De repente, sua mão grande agarrou o braço dela, e sua voz soou baixa.
— O que está acontecendo com você?
Allison afastou a mão dele com um movimento brusco.
— Não é da sua conta.
Ela não olhou para trás novamentee, em vez disso, ergueu a coluna com determinação, desaparecendo de sua visão.
Justin continuou olhando fixamente para figura dela se afastando.
Mesmo que tivesse sido ele quem a deixou, por que seu coração ainda doía?
Allison encontrou um canto vazio e, com pressa, tirou um analgésico do seu bolso. O médico receitou vários analgésicos para ela. Uma forma de experimento na qual ela tomava.
Ela sabia que todos os tratamentos e medicamentos contra o câncer tinham efeitos colaterais, então ela só tomava os analgésicos que ele lhe entregava para o estômago, que teriam pouco efeito.
Mas, eram melhor do que nada.
Olhando para a chuva torrencial lá fora, ela pensou se só havia aquela opção.
Era a última pessoa que ela queria encontrar, mas por causa de seu pai, ela tinha que arriscar. Caminhando lentamente, ela caminhou na chuva, parecia que uma tempestade estava caindo sobre ela. Justin e Brenda passaram por ela e o homem pôde observar a mulher na chuva com os ombros curvados, o rosto abatido identificando que ela estava chorando. Ele desviou o olhar, mas seu peito doía. E ele não entendia o motivo.
Allison voltou para casa primeiro e se arrumou, já que estava um pouco desalinhada. Então, ela pegou um táxi até a mansão Cargot.
Mais de um ano atrás, ela havia recebido uma ligação de fora do país, após mais de uma década sem contato, ela não sabia como ela estava agora.
Observando a suntuosa mansão, parecia que ela estava indo bem nesses anos.
Após explicar sua visita, um dos empregados a levou até a sala de estar.
Sentada ali estava uma mulher elegante, tão bela quanto Allison se lembrava.
— Ally. - Os olhos bonitos se voltaram para ela.
Mas a palavra "mãe" simplesmente não saía dos lábios de Allison.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Euridice Neta
E tudo por causa de uma vadia fingida...
2025-03-01
0
mandinha
Gente como pode o Amor doer tanto assim? 😔😭😭😭
2025-01-03
1
mandinha
Se eu fosse ela , venderia sim isso não é ser humilhante , mas o fato de ser humilhada constante por aquele que se dizia amá-la isso sim é humilhante.
2025-01-03
5