Capítulo 18

O corpo de Allison quase tocou o chão, mas alguém a amparou no último instante.

Quem a segurou não foi Justin, mas sim Ryan. Quando ela ergueu a cabeça, viu Justin parado a pouca distância, observando sua queda com frieza, sem um traço de nervosismo em seus olhos, apenas indiferença.

Bem, para alguém como ele, como acreditaria que ela cairia num piso liso e sem obstáculos?

Provavelmente pensou que ela estava fingindo de novo.

Afinal, para ele, só lhe restava ódio por ela, como ele se importaria com ela?

Ryan, ao contrário, estava preocupado e perguntou:

— Senhora, está tudo bem?

— Sim, está tudo bem. Só estou com um pouco de hipoglicemia. - Allison riu de si mesma e seguiu os passos de Justin.

Depois de uma noite inteira, o pátio estava coberto de neve. Os serviçais da Mansão dos Howard estavam ausentes, e ninguém estava cuidando da neve acumulada. Em poucos passos, Allison já estava ofegante pela caminhada.

Enfrentando o vento e a neve, ela finalmente chegou ao quarto para se aquecer. Justin estava próximo à porta, um olhar sarcástico nos olhos.

— Tenho que admitir que sua atuação melhorou em relação ao passado.

Antigamente, ela costumava usar todas as artimanhas possíveis para segurá-lo, recorrendo até mesmo a táticas que antes desprezava, como chorar, fazer birra e ameaçar suicídio.

Ao ouvir isso, Allison sentiu apenas ironia. Não se explicou, apenas riu friamente e respondeu:

— Obrigada pelo elogio.

Com expressão indiferente, ela entrou ao lado de Justin. O calor do aquecedor na sala a fez sentir-se um pouco melhor. Retirou o grosso casaco de penas, serviu- se de um copo de água morna e acomodou -se no sofá, antes de perguntar:

— Me diga, você vai se divorciar ou não?

— Quando chegar a hora do divórcio, vou informar você. Por enquanto, você vai morar aqui.

Allison sentou-se de frente para ele, com expressão tranquila, e brincava com as bolinhas de lã penduradas no seu chapéu.

— Justin, sete dias após o nascimento prematuro, você me pediu o divórcio. Nunca entendi por que estava tão ansioso. Só compreendi quando vi aquele bebê com olhos tão parecidos com os seus. Você estava com pressa de sair da minha vida para dar um lar à Brenda.

Falando disso, a voz de Allison tremeu um pouco ao continuar:

— Durante este ano, não importa quão frio você tenha sido comigo, eu ainda segurei teimosamente a lembrança do bem que você me fez. Encobri suas traições e crueldades. Talvez tenha sido apenas um capricho passageiro da sua parte. Afinal, eu era a esposa legítima, então se algo estava errado, era comigo. Poderia ter mudado, até mesmo aceitado seus erros...

Ela acrescentou relutantemente:

— Mas agora percebo como fui tola, esperando em uma casa vazia enquanto você vivia feliz com outra mulher e seu filho, esperando por uma pessoa que nunca voltaria. Levei um ano para aceitar essa realidade e entender minha própria estupidez. Por isso, eu te libero. Se você quiser buscar sua felicidade, vá em frente. Se quiser dar a eles um lar, tanto faz para mim. Eu já entendi que o que eu mereço, você nunca me daria. E a única coisa que pode me desligar de você é a morte.

Allison levantou-se, cambaleando em direção a ele. Lágrimas escorriam por suas bochechas, caindo no chão frio.

Ela parou diante de Justin, observando o homem sentado ereto e sereno. Embora sem expressão, a aura ao redor dele era tão gélida que parecia prestes a explodir a qualquer momento, como uma bomba.

Esse tipo de expressão costumava ser direcionado a outras pessoas. Quando a olhava, seus olhos continham um toque de gentileza difícil de notar.

Ela nunca imaginou que agora, aos olhos dele, ela também seria também parte dessas "outras pessoas".

Portanto, ela já deveria ter desistido desse homem muito tempo atrás.

Allison baixou a cabeça, seus lábios vermelhos se moveram lentamente, o desespero raro estava estampado em seu rosto. Ela disse:

— Justin, eu te liberto. Você também me libera, pode ser?

Aquela voz quase suplicante fez o coração de Justin apertar, ele viu o cansaço no rosto de Allison.

Era como uma grande represa à beira do colapso, resistindo às torrentes furiosas por anos sem ceder. Mas agora uma rachadura surgia, e no momento em que se abriu, a água a engoliu, as pedras que a compunham fragmentaram-se sob o impacto.

Desistir sempre era mais simples do que persistir.

Quando a represa foi engolida pelas águas, ninguém sabia quanto tempo ela havia resistido, quão árdua foi a luta e quanta tristeza consumiu para abandonar uma crença sustentada por tanto tempo.

Ela estava certa, além da vingança, havia outra razão pela qual Justin estava ansioso pelo divórcio: Ele queria reconhecer seu filho como legítimo.

Depois de quase um ano de lutas, agora que Allison finalmente o libertava, Justin percebia que não estava tão contente quanto imaginava.

— Achar que vou te libertar é um devaneio! Daqui em diante, você ficará na Mansão dos Howard. Nesta vida, você é minha, e mesmo na morte, será meu fantoche.

As lágrimas de Allison caíam em seu rosto, e o coração de Justin parecia também adquirir um toque de umidade.

Irritado, ele pegou o celular e abriu uma foto, era a cena de Noah sendo levado por uma ambulância. Ela notou a foto e tentou caminhar para a porta, mas foi impedida bruscamente por ele que a segurou pelo pulso e a jogou no sofá duramente.

— Se você voltar a ter contato com esse homem, na próxima vez, ele e toda a família dele estarão estirados. Allison, sua vida nunca mais será tranquila.

— Seu desgraçado! Se me odeia tanto, venha atrás de mim! Quem pensa que é para tratar Noah assim? - Ela levantou e ergueu a mão para esbofeteá-lo.

O tapa de Allison não atingiu seu alvo, pois Justin segurou sua mão.

Seus olhos estavam cheios de ferocidade:

— Você se importa tanto com ele? Não esqueça, até que o divórcio aconteça, você ainda é a Sra. Howard.

— Eu...

Antes que Allison pudesse explicar, foi surpreendentemente levantada por Justin.

O homem estava permeado por uma aura violenta, e a jogou com brutalidade na cama do quarto principal.

Felizmente, o colchão foi personalizado de acordo com suas preferências, sendo macio e elástico, então ela não se machucou.

Mas, depois de ser lançada com tanta brutalidade, sua cabeça já tonta começou a girar ainda mais, causando intenso desconforto. Seu corpo fraquejou e ela se deitou na cama, olhando apavorada para o homem parado à beira da cama.

Os dedos distintamente ossudos de Justin asperamente afrouxaram sua gravata. Parecia estar atormentado por algum demônio, se aproximando da mulher trêmula na cama com um sorriso quase cruel.

— Ally, nos últimos dias, você esteve com ele? Ele te tocou?

Ao ouvir esse apelido que não era pronunciada por ele havia quase dois anos, Allison só achou doentio, sentindo arrepios por todo o corpo.

O homem parecia uma fera enjaulada, prestes a romper as correntes e se lançar sobre ela.

Allison balançou a cabeça, tentando explicar:

— Somos apenas amigos, não sou tão suja quanto você imagina.

— Suja? - Ele sorriu friamente, seus lábios arrepiantes. Estendeu a mão e agarrou o pé de Allison.

Ela lutou contra o desconforto e a dor, mas seu esforço parecia inútil, como socar algodão.

Ela não sabia que Justin a procurou por toda parte nesses últimos dias, seu tempo de sono desses últimos dias não somavam nem dez horas. Por muito tempo, seus olhos haviam estado cheios de ódio, como se tivesse absorvido muita energia negativa de algum demônio e agora precisasse liberá-la.

Ele tirou os sapatos e as meias de Allison, uma mulher que não tocava por centenas de noites. O sangue parecia ferver em direção à sua cabeça, seus olhos escuros dominados pelo desejo.

Allison sabia muito bem o que aquele olhar significava. Implorou com voz trêmula:

— Não, Justin, você não pode...

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Comments

Maria Jussara

Maria Jussara

ogro

2025-01-12

2

Maria Emília Souza

Maria Emília Souza

acho lque o bebê é dela ele trocou as crianças

2024-11-04

3

Maria Lucia

Maria Lucia

eu tenho a impressão que o filho é dela..e ele deu pra outra

2024-11-03

2

Ver todos

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