Capítulo 17

A única mulher que aceitaria aquela loucura, ou melhor, que teria cabeça para aceitar aquela loucura, na minha lista mental, era ela.

Ela não parecia o tipo de pessoa que se importava com dinheiro, e nem faria um escândalo por aquilo. Ao contrário do que eu imaginava, em uma semana de trabalho, ela tinha superado todas as secretarias que tive em todos esses anos. E agora com quase três semanas, ela era excelente em tudo o que fazia.

Ela não estava brincando quando disse que trabalhava em qualquer coisa.

A mulher sabia como organizar tudo como ninguém, assim como conseguia tratar bem todas as pessoas. Percebi que ela não se importava com o cargo. Minto, ela não colocava o cargo como status nem o deixava definir como tratava as pessoas.

Ela vem me tirando a concentração de minhas reuniões sempre, e aquilo só piora, porque preciso a olhar para que ela atenda minhas dúvidas.

As roupas formais ficam perfeitas em seu corpo esculpido a mão por Deus, enquanto sua voz era uma melodia doce e calma para meus ouvidos.

Eu passei a falar constantemente com ela, assuntos aleatórios que talvez ela tivesse ficado confusa, só para que eu pudesse ouvir sua voz. Eu tinha que me lembrar constantemente que não era mais um jovem garoto, sem responsabilidades enquanto sonhava em me casar com a mulher dos meus sonhos.

Eu parecia estar prestando bastante atenção na explicação de Ernesto, mas eu estava pensando na verdade, em colocar Anne nessa furada. Nem estava me preocupando com a reunião no momento, pois tinha certeza que tudo o que ele estava falando, Anne estava anotando enquanto me preparava um e-mail com a explicação mais organizada do que o homem na minha frente.

A reunião terminou e eu continuei sentado, apenas observando cada um dos funcionários e sócios de Ernesto sair de minha sala. O barulho do salto contra o piso de porcelanato chamou minha atenção, a qual foi diretamente para as pernas da linda moça.

Eu estava encantado demais, e aquilo me deixava nervoso e sem saber o que fazer. Fazia muitos anos que não me sentia abalado por nenhuma mulher, e isso me deixava à beira do meu próprio abismo.

— Senhor Muller, já lhe enviei tudo o que foi dito nesta reunião. — E lá estava aquela voz que me fazia suspirar como um adolescente apaixonado.  — Senhor Muller?

— Obrigado, Anne. — Vi em seus olhos surpresa. Provavelmente ela não esperava um agradecimento de minha parte.

— Estou liberada, senhor Muller? — Indagou, colocando o ipad embaixo de seus braços, a deixando graciosa e elegante. Estreitei meus olhos, vendo ela me chamar formalmente sem ter ninguém por perto.  — Senhor…

— Na verdade. — Tomei coragem, voltando à minha pose habitual. Eu sabia que eu era um babaca por ser assim, mas eu precisava me sentir no controle da minha própria mente. — Quero ter uma reunião séria com você. — Vi em seus olhos verdes, um rampelho de medo.

— Eu fiz algo de errado? — Se sentou ao meu lado, quase fundindo seu corpo com a cadeira. — Me desculpe…eu…

— Relaxe. — Sorri levemente, apertando sua coxa com leveza. — É sobre um problema com meu pai.

— Aquele que você não quis contar no momento. — Eu gostava de conversar com ela, sempre entendia meu ponto de vista. — Se quiser desabafar, estou aqui.

Eu fitei os olhos verdes com dúvida, ainda me decidindo se falava ou não. Por fim, resolvi contar logo tudo. Eu queria um relacionamento sério com ela, e explicar tudo sobre minha vida era o início.

— Lembra do seu primeiro dia aqui? — Indaguei, vendo ela assentir. — Eu saí mais cedo para uma reunião em família.

Ela sentiu meu tom se tornar amargo, e assentiu com as sobrancelhas levemente franzidas. Respirei fundo antes de continuar a contar o plano horrível do meu pai.

— Ele quer que eu continue como presidente da empresa. — Passei a mão por meus cabelos, apenas sendo ouvido por ela. — E para isso eu preciso me casar.

Ela arregalou os olhos, me fitando de boca aberta. Eu sabia que era demais pra ela, mas eu precisava contar tudo.

— Meu irmão se casou, e além de ser o primogênito, agora ele tem mais isso ao seu favor. — Revirei os olhos. — Foi uma maldita regra que papai criou quando lançou a empresa.

Ela estava em silêncio, com os olhos ainda surpresos me ouvindo terminar de contar a maldita história.

— Papai não quer ele como presidente, pois ele não tem capacidade de controlar uma empresa. — Passei minhas mãos no rosto, querendo saber o que se passava na mente de Anne naquele momento. — E nem Kurt quer ser o presidente, mas isso depende de mim, já que é quase uma lei.

— Eu…

— Eu sei que é doideira. — Mostrei os documentos. — Ele queria que eu praticamente fizesse um casamento arranjado, mostrasse a noiva e a desculpa seria que eu queria privacidade no namoro.

— Eu não sei o que dizer…

— Eu não queria te envolver nisso. — Avisei, vendo ela assentir. — Mas não quero me casar com outra a não ser você.

— Logan…

— Eu sei que é do nada e que é egoísta da minha parte. — Puxei suas mãos na minha. — Mas a gente pode se casar e viver como namorados, se conhecer aos poucos… Eu não quero outra a não ser você, mas também não quero deixar minha família reviver seus pesadelos.

— Eu estou aqui. — Me puxou para um abraço, e eu demorei a entender o porquê. Eu estava chorando e nem havia percebido. — Relaxe, eu sei que é rápido, tem só três semanas…

— Anne…

— Eu assino.

— Não! — Me afastei, puxando aqueles documentos de perto dela, vendo-a ficar confusa, enquanto eu secava minhas lágrimas. — Eu não vou me casar com você com esse maldito contrato arranjado, vai ser naturalmente.

Ela sorriu levemente, com as bochechas coradas. Sorri junto, a puxando para um abraço, me sentindo mais aliviado. Eu já poderia levar ela em casa e mostrar ela a meus pais novamente.

Minha mãe era a única que sabia sobre meus sentimentos em relação a minha amiga de infância, e elas se davam muito bem.

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