— Eu que te agradeço, senhorita Anne. — Pela primeira vez, eu vi um sorriso contagiante, não o tímido. — Se a senhorita não tivesse pedido os gráficos, eu nunca teria subido de cargo.
— Que nada! — Eu estava feliz em saber que tinha ajudado alguém no meu primeiro dia de trabalho, mas sabia que também não era só flores. — Boa sorte no novo setor.
— Obrigado! — O menino caminhou todo sem jeito até o elevador. Ele estava feliz, mas precisava manter a postura, e aquilo me fez rir. Acenei com a mão, quando o elevador começou a fechar suas portas.
Não sei contar o que aconteceu depois, pois fiquei concentrada demais no trabalho, a única coisa que me despertou foi o dito cujo que pigarreou, chamando minha atenção.
— Hora do almoço. — Avisou, apontando com os olhos para o relógio.
— Ah, eu estou sem fome, vou continuar trabalhando. — Murmurei, grampeando os papéis que tinha imprimido.
— Preciso de você na hora do almoço. — Franzi o cenho, e levantei o olhar, vendo que ele não iria desistir. — Aproveita e come também, odiaria ter um funcionário importante passando mal nessa altura do campeonato.
Meus ombros caíram, quando percebi que não poderia debater. Deixei ele ir no elevador sozinho acompanhado de seus seguranças, observando ele me fitar com curiosidade.
— Não vai entrar, senhorita Hickmann? — Um dos seguranças indagou, enquanto segurava a porta do elevador. — Cabe mais um.
— Não, podem ir. — Sorri cordial. — Obrigada.
Ele apenas acenou e deixou o elevador se fechar, enquanto Logan continuava a me analisar querendo achar algo de errado em mim. Bom, ia ficar tentando. Eu nunca escondi quem eu era de ninguém, ele poderia me analisar com todos os anos de experiência dele nisso, mas não iria achar nada do que já não soubesse.
Anne Hickmann tem apenas uma cara.
O elevador não demorou a subir de novo, e logo eu estava no hall da empresa, vendo meu chefe parado na porta rodeado de seus seguranças, me esperando de braços cruzados.
— Saiba que fazendo isso, está apenas me atrapalhando. — Aquilo tinha me pegado de surpresa, principalmente quando haviam várias pessoas ouvindo.
Não demorou muito e as risadinhas começaram, eu abaixei minha cabeça e fitei meus pés. Eu passaria por tudo, pois eu precisava daquele emprego. A partir de hoje, eu andaria ao lado dele, sem o atrapalhar, mas também o ajudando.
— Mas fico feliz em saber que você tem boas intenções quando faz isso. — Os murmúrios pararam. — Diferente de todos os funcionários, você não precisa humilhar os outros para fazer seu trabalho bem feito, fico honrado em ter achado uma pessoa como você, Anne Hickmann.
Eu estava em choque, assim como todos os funcionários presentes. Mas o que é isso minha gente? O homem me chama a atenção na frente de todos e depois está me elogiando? Depois dizem que as mulheres que são bipolares.
O carro dele era uma limusine, pedi licença quando fui entrar e me sentei o mais longe possível dele e de seus seguranças.
— Eu não mordo. — Desviei os olhos da janela para ele, que me olhava com as pernas cruzadas enquanto levava uma taça com champanhe a boca. — Porque sempre fica tão longe?
— Gosto de respeitar o espaço dos outros. — Respondi, desviando novamente meu olhar para a janela. Passamos em frente ao hospital, e aquilo mexeu um pouco com minha expressão facial, já que ele indagou. Eu definitivamente estava odiando pessoas observadoras no momento.
— Algo lhe incomoda, senhorita Hickmann? — Ele me analisava a todo momento, já estava ficando de saco cheio daquilo, mas prometi a Agnes que iria ficar quieta, então o fiz.
— Não, senhor. — Fui seca, me afundando no banco enquanto olhava os relatórios no e-mail.
— Você nunca para de trabalhar, senhorita? — Um dos seguranças indagou, me fazendo o fitar com um sorriso amarelo.
— Eu preciso trabalhar para me sustentar. — Dei de ombros. — Gosto de me manter ocupada.
— Nunca achei uma pessoa assim. — Outro murmurou, e assim começou o debate sobre a minha pessoa.
Pensei que Logan iria mandar eles se calarem, mas diferente do meu pensamento, ele pareceu gostar do assunto e ficou bebericando seu champanhe enquanto absorvia tudo o que seus seguranças diziam.
Quando chegamos na frente do restaurante, foi uma luta. Mesmo o ceo sendo todo intimidador e controlador, ele tinha cavalheirismo.
— Pelo amor, Anne! — Bufou, já irritado com aquela discussão. — Saia logo, primeiro as damas, já falei.
— Tá! — Resmunguei, saindo da limusine. Quando o vento balançou meus cabelos, eu senti um cheiro delicioso no ar, o que fez minha barriga roncar. — Droga…
— Viu, está com fome. — Tomei um susto, quando ele quase colou sua boca em meu ouvido para dizer aquilo. O fitando de soslaio, pude ver um pequeno sorriso vencedor, como se eu realmente estivesse competindo com o que ele dizia. — Venha.
O segui, sendo rodeados pelos seguranças dele. Os olhares de todos que almoçavam no restaurante chique pairavam sobre nós, enquanto adentramos ao grande elevador.
Provavelmente ele tinha um andar só pra ele, isso só prova o quão rico ele era, ao ponto de ter um andar só para si. Quando o elevador abriu, meu queixo foi ao chão. Eu nunca tinha ido em algum restaurante da elite, o andar de baixo já tinha me deixado perplexa com tanta beleza, mas o segundo, era de tirar o fôlego.
— Meu Deus… — Olhei ao redor abismada. Era como se o andar fosse feito de ouro, tudo brilhava. Era magnífico, e caro, obviamente. — Esse andar é…
— Reservado para mim? Sim. — Riu levemente, vendo o meu encanto pelo local. Depois de sair do transe, eu observei que ele estava com a postura mais leve, o que me deixou intrigada. Ele não era de rir, muito menos de ficar tão à vontade daquele jeito.
Em silêncio, o segui até a mesa onde ele se sentou, e me sentei envergonhada do outro lado. O garçom me deu um cardápio com a capa toda bordada, o que já me deixou encabulada.
Abri-o e eu quase engasguei com o preço das comidas, fora, que eu nem ao menos conhecia os pratos que estavam listados.
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Atualizado até capítulo 29
Comments
gente será que amiga dela era cobra ?
2023-08-24
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