Capítulo 16

— A gente nunca mais se viu… — Murmurou, olhando fixamente para o lanche a sua frente. Aquilo me deixava com uma sensação ruim no peito, mas as coisas precisavam ser esclarecidas.

— Você nem ao menos foi na nossa formatura. — Resmunguei, antes de dar uma mordida no salgado que eu havia pedido. — Porque?

— Minha vida se tornou uma bagunça. — Ela riu sem um pingo de humor, me deixando curioso e preocupado com aquilo. — Minha mãe descobriu uma doença de uma hora pra outra, então…

— Então?

— Eu tive que largar minha vida aqui e ir morar com ela em outro lugar. — Suspirou, antes de me fitar. — Eu tentei te procurar, eu juro.

Eu acreditava nela, aqueles olhos não mentiam. Eu sabia que não era uma simples doença, e não iria a forçar a me contar. Mesmo que fossemos amigos a muito tempo, precisamos nos conquistar novamente.

— Fiquei desolado. — Falei a verdade, vendo os olhos verdes ficarem tristes. — Eu te amava.

Ela se enrijeceu, fitando o nada por alguns segundos. Tomei coragem e falei o que precisava naquele momento. Eu era um homem feito, não posso mais correr dos meus sentimentos.

— E ainda te amo. — Vi um brilho surgir em seus olhos. — Mas quero nos conquistar de novo, esses anos…

— Eu… — Ela suspirou fundo antes de me fitar. — Eu te amo desde a minha infância.

Ouvir aquilo trouxe um alívio grande ao meu peito, que me deixou mais leve no momento. Eu sorri, enquanto tomava meu café. Era bom ser retribuído.

— Naquela época eu achava que tava na friendzone. — Fui sincero, vendo ela se encolher e rir sem graça.

— Eu pensei isso também.

— A gente poderia ter falado, né. — Deduzi, imaginando que seria mais fácil. — Já estaríamos juntos desde aquela época.

— Acontece. — Tocou no copo de café. — Fico feliz em te rever.

— Vai me ver sempre, já que trabalha para mim. — Ri, vendo ela revirar os olhos. — Vamos nos conhecer aos poucos novamente. — Ela balançou a cabeça concordando. — Isso será bom para nós dois.

— Sim.

*

Uma semana, e eu estava conquistando novamente toda confiança de Anne, a mulher que eu amava desde minha adolescência. Aquele sentimento era bom, dependendo do momento em que a gente estava.

Eu tinha conversado com ela sobre meus pais, e lhe disse que a situação não estava nada boa por causa de uma situação a qual eu precisava falar com ela.

— Aqui está. — Deixou os relatórios em cima de minha mesa, e eu aproveitei para a puxar pela cintura. — Logan! Alguém pode nos ver.

— Que seja. — Rebati, deixando um beijo em seu ombro. Eu amava sentir ela em meus braços, e saber que ela também gostava, me deixava nas nuvens. — Vão ter que se acostumar.

— Preciso voltar ao trabalho.

— Você já está no trabalho. — Murmurei, a prendendo entre meus braços e a mesa. — Sente-se no meu colo.

Vi suas bochechas ganharem cores avermelhadas, enquanto se sentava. Sua saia terno subiu levemente, deixando suas coxas amostras.

Apertei suas coxas com vontade, e vi ela dar um pequeno pulo em meus braços, me fazendo jogar a cabeça para trás e ri. Ela encolheu os ombros, enquanto fitava minha mão ainda em sua coxa.

— O que…

— Hum? — Indaguei, me fazendo de desentendido, continuando a apertar sua coxa com vontade, observando ela morder o lábio inferior. — Anne?

— O-Oi… — Eu amava ver aquele lado garotinha dela, e gostava de saber que era só comigo. Aquele efeito só eu causava.

Vi ela no modo leoa, secretária, amiga e além de tudo, altruísta. John era um jovem menino muito inteligente que com certeza era muito grato a ela, por ter o ajudado a subir para as finanças.

— Pensando em que? — Passei a alisar sua perna, vendo os olhos verdes acompanharem cada movimento que eu fazia.

— Que é bom…

— O que é bom? — Me aproximei de seu pescoço, deixando vários beijos molhados em seu pescoço, vendo com meus próprios olhos seus pelos do corpo se arrepiarem. — Me responda…

— Isso… — Sussurrou, se inclinando na direção da minha boca. — Logan…

Os suspiros dela estavam me deixando insano. Aquela mulher estava me deixando louco, e eu não sabia como controlar minha fera interior.

A porta foi aberta de repente, me fazendo apertar mais Anne contra meu corpo, enquanto ela dava um pequeno gritinho de susto, virando o pescoço em direção a porta com os olhos arregalados.

— D-Desculpe, senhor Muller! — Os olhos da mulher estavam no chão, enquanto se retirava de costas. — Eu não sabia que o senhor…

— Antes de entrar na minha sala. — Comecei, sentindo a morena em meus braços tremer levemente. Minha voz estava grossa e fria, era como eu tratava meus funcionários. Se desse muita brecha, eles achavam que eu estava querendo virar amiguinho deles. — Você precisa avisar a minha secretária antes. — Frisei, apertando levemente a cintura de Anne. — E se eu liberar, mesmo assim você deveria bater na porta antes de entrar.

— Me desculpe, por favor. — Os olhos dela não passavam do meu peito, percebi que ela não tinha coragem o suficiente para me encarar.

— Saia. — Gentilmente instrui a Anne para se levantar, e ela rapidamente o fez, ajeitando sua saia em seu corpo. — Não quero que isso ocorra novamente.

— Sim, senhor. — Murmurou, fechando a porta. Anne me encarou com os olhos receosos, e eu a fitei com o cenho franzido.

— O que foi? — Indaguei puxando-a pela cintura. Ela parecia estar me avaliando.

— É tipo…coisa de ceo? — Apontou para mim de cima abaixo, enquanto eu esperava ela me explicar seu raciocínio. — Esse lance de mudar de semblante e voz…

— Esse lado aqui. — Deixei um beijo em sua testa com a minha voz normal. — Você é a única que tem, Anne. — Coloquei uma de suas mexas de cabelo para trás da orelha, vendo seus olhos brilharem com aquele gesto. — Eu preciso ser frio e rude com o resto, pois infelizmente, não são profissionais como você.

*

Pelo canto do olho, analisei a morena escrever mais um e-mail antes de me enviar, enquanto os fornecedores continuavam a falar e falar.

A única mulher que aceitaria aquela loucura, ou melhor, que teria cabeça para aceitar aquela loucura, na minha lista mental, era ela.

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