Capítulo 12

Aquele corpo me seduzia. Cada passo que ela dava em minha direção, criava borboletas em meu estômago. Eu não era um homem de acreditar em amor à primeira vista, por isso, eu sinto que a conheço.

Eu era conhecido como mulherengo, e não nego. Eu gostava da minha liberdade de flertar, sem compromisso de ter que namorar ou casar. Me perguntavam sempre, se eu já tinha amado alguém.

Minha resposta sempre era curta e grossa: Não. Ninguém precisava saber das minhas feridas, óbvio que eu havia amado alguém. Não era porque eu mostrava minha casca fria de CEO poderoso e controlador, que meu coração nunca teve uma dona.

Eu tinha me apaixonado na adolescência, durante oito anos. Estudei com uma garota tímida, calma, bondosa e determinada. Ela arrancava suspiros e olhares de todos os garotos quando passavam, mas os meninos eram burros demais.

Eu tinha dez anos, a morena que segurava meus olhos tinha lindos olhos verdes, e um sorriso que iluminava o dia de todos quando passava. Os meninos implicavam com ela, já que era tímida e não tinha amigos no colégio.

Eu apenas observava os idiotas achando que assim, ganhariam o coração e a atenção dela. Babacas. Era isso que eles eram. Eu, muito astuto e observador desde criança, me aproximei aos poucos, a defendendo dos meninos que tentavam a todo custo chamar sua atenção, e passei a ficar com ela em todos os intervalos.

Eu amei aquela garota até meus dezoito anos, quando eu me formei.

Ela sumiu, desapareceu do mapa, como se nunca tivesse existido. Nem na formatura, ela apareceu.

Não me lembro nem de sua voz, nem do seu nome. Mas eu tenho certeza, que se um dia eu a reencontrar, eu a reconheceria na hora. Anne me lembrava ela, foi a primeira imagem que veio à minha mente quando a olhei.

Seu jeito doce, reservado e calmo, me faz a fitar a todo momento a analisando. Minha mente viaja em minha adolescência quando a olho, e isso me irrita.

Meus dezoito anos já se passaram a tempo, e agora, eu tinha que me casar por dinheiro, e não por amor.

Bufei, ouvindo meus pais discutirem na mesa de jantar, enquanto meu irmão mexia em seu celular, ao lado de sua esposa. Rangi os dentes, vendo que aquela reunião só iria prejudicar mais minha saúde mental.

— Ele precisa se casar. — Fechei os olhos, enquanto massageava minhas têmporas ouvindo aquilo. Meu pai não era meu super-herói, mas também não era tão carrasco quanto parecia. Óbvio que eu sabia dos defeitos dele, e a obsessão por dinheiro era um desses. — Não quero que Kurt fique responsável da empresa!

— Mas Logan não precisa se casar para isso. — Minha mãe debateu. Como sempre, minha mãe representando as mães leoas da sociedade. Ela defende com unhas e dentes que eu devo me casar quando eu achar uma pessoa que eu amo e que vai me aceitar pelo que sou, não pelo dinheiro.

— É uma regra de quando eu criei a empresa. — Refutou, deixando mamãe mais irritada consigo. Oh. Oh. Deixar mamãe irritada, era colocar o mundo contra si mesmo. Eu sabia que papai não aguentava viver longe dela, e ela também sabia disso, provavelmente iria fazer uma chantagem com ele mais tarde. — Não posso mudar isso, querida.

— Porque homens têm que ser tão burros? — Opa lá! Não precisava generalizar. Estreitei meus olhos para meu irmão mais velho, que não estava interessado em nada naquela história, e diferente do que muitos iam pensar, minha cunhada também não.

Pelo visto, o trabalho individual de cada um já os fazia bastante felizes com o dinheiro que ganhavam. Eu estava me segurando para não falar besteiras com meu pai, e aquilo sempre me levava ao limite.

— É o seguinte, Logan. — Os olhos tão negros quanto os meus, me fitaram com determinação e frieza. Apenas o fitei do mesmo jeito, afinal, aprendi com ele a ser carrasco. — Você tem um mês para anunciar seu noivado e fazer seu casamento. Tem que ser convincente.

O fitei sem expressão nenhuma, enquanto ódio borbulhava dentro de mim. Para ele, eu realmente não estava me importando, já que na maioria das vezes eu pegava qualquer mulher, mas aquilo importava e muito.

Eu não estaria casado com uma pessoa que dedicaria a vida a mim, assim como eu não dedicaria minha vida a dela, pois não havia amor e nem companheirismo naquele relacionamento. Se é que poderia ser chamado de um.

Ele estendeu um documento, a qual tinha várias folhas em minha direção. Suspirei pegando-o.

— Ouça pai. — Fechei minha mão desocupada em punho. — Eu farei isto. — Minha mãe me fitou de boca aberta, enquanto meu irmão e minha cunhada me fitavam com pena. — Pela empresa, porque por você…

Ele ficou levemente surpreso com o que eu acabara de dizer. Eu não estava me importando mais com as dores dele, ele não se importou com as dos filhos que iriam ter quando criou a empresa.

— Foi só decepção. — Murmurei, me levantando com uma imensa dor de cabeça.

— Filho… — Ele ainda tentou uma última vez, antes de eu sair pela porta bufando.

— Me chame de Logan. — Amargurado, respondi seu chamado como se tivesse nojo. — Um pai de verdade não faria isso na vida de um filho.

Eu tinha criado várias situações para hoje, acabou que nada saiu como nenhuma das cenas que eu criei. Entrei no carro batendo a porta força, enquanto bati a testa contra o volante.

Meu celular começou a vibrar, o que só me deixou mais irritado. O nome de minha mãe brilhava no visor, mas nem com ela eu estava em condições de falar no momento.

Joguei o celular no banco do passageiro e sai com o carro em direção a minha casa. Me lembrei que deixei minha nova secretária liberada hoje, e por um segundo fechei meus olhos. Espero que ela realmente não tenha ficado até o horário normal no serviço.

Quando cheguei em casa, eram cinco horas da tarde. Eu perdi mais tempo ouvindo papai e mamãe discutirem do que me defendendo daquela história absurda.

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