Agnes me fitou com um sorriso caloroso, me abraçando, e retribui. Ela sabia que eu não estaria lá, e estava nítido, já que não reclamou.
— Boa sorte amanhã. — Murmurou, batendo na bancada. — Vou te ensinar tudo logo, vem.
Me puxando pela mão, ela me guiou até o outro lado, onde só ela poderia ficar. Me explicou tudo, e em geral, não era tão difícil. Anotei em um caderninho, como eu deveria falar ao atender os telefonemas. Cada empresa tem uma forma de tratamento, e eu anotei todas.
Agnes sempre pontuava para eu não me envolver com o grande chefão, e nem ficar bajulando muito. Pelo visto, as outras mulheres que trabalhavam ali não gostavam de ninguém rondando o território imaginário delas.
— Viu? Não é tão difícil. — Agnes colocou as mãos nos meus ombros, fitando a tela do computador. — Ele sempre vai te chamar por esse interfone aqui. — Apontou para um botão com vários furinhos, onde sairia a voz do dito cujo. — Você já sabe o pronome de tratamento dele.
— Uhum. — Não me atreveria a chamar pelo nome ou sobrenome. — E as reuniões…
— Apenas anote tudo. — Frisou séria. — T.u.d.o.
— Certo. — Massageei minhas têmporas, enquanto me levantava. Precisava visitar minha mãe, já que não teria mais tempo, e avisar as enfermeiras o que planejei. — Bom trabalho, Ag. Boa viagem, e assim que chegar lá, me ligue.
— Obrigada. — Se despediu. — Passo aqui antes de ir, não se preocupe.
Acenei com a mão e entrei no elevador. Não tinha nada a reclamar. A empresa era enorme, pelo que consegui ver através do elevador de espelho, tinha um andar só de refeitório, onde provavelmente as pessoas comiam.
Quando cheguei no hall de entrada, avistei várias pessoas em cima da bancada da recepcionista, batendo papo sobre a nova secretária do CEO. Grandes coisas.
Passei por elas, e o que eu pensei que estavam falando, não chegavam aos pés do que elas realmente estavam dizendo.
— Provavelmente ele quer pegar ela também, e depois largar, como fez conosco.
Eu arregalei os olhos, passando pela porta em passos rápidos. Eu não era nenhuma santa, mas eu não estava ali esperando que o CEO se apaixonasse por mim e eu ficasse com o dinheiro dele, afinal, eram vidas totalmente diferentes.
Eu só queria aquele emprego por causa da minha mãe, nada mais que isso. Meu sonho mesmo, era criar minha própria empresa, e ser feliz. Pois era esse o meu sonho, dar uma vida digna a mim e a minha mãe, já que meu pai não teve coragem o suficiente para isso.
Mesmo que já estivesse empregada, o dinheiro só cairia no final do mês. Precisa guardar para alguma emergência com mamãe. Agradeci mentalmente a Agnes, por não citar minha mãe para o meu chefe.
Parecia que eu estava quase que implorando por emprego, e eu odiava aquilo. Ele iria me contratar por pena, e eu odiava ser tratada assim.
Cheguei ao hospital e cumprimentei os funcionários da recepção que já me conheciam. Eram cinco anos nessa vida, não estava fácil para ninguém. Chamei a enfermeira que tinha mais intimidade e caminhei com ela até a sala onde ficava minha mãe.
— Mei, preciso falar de uma proposta pra você, e se o diretor-chefe do hospital aceitar, eu agradeceria muito. — Murmurei, observando minha mãe pelo vidro. Ela estava sendo alimentada por sonda, vegetando a quatro anos. Minha mãe era um caso raro da doença, já que a maioria não vivia muito tempo.
— E o que seria? — Indagou, ficando ao meu lado na janela. Ela e toda sua equipe tinham um carinho muito grande por minha mãe, e eu agradecia muito aquilo. Sempre trazia presentes para eles, pelo menos pra alegrar o dia deles.
— Eu consegui um emprego. — Murmurei, vendo os olhos dela brilharem. Era bom ter pessoas que torciam por você. — Mas…
— Que bom, Anne! — Me abraçou, feliz pela minha conquista. — Mas porque está tão deprimida?
— Meu trabalho vai até às nove da noite, Mei… — Resmunguei, vendo o brilho dela diminuir. — E não vou conseguir visitar mamãe…
— Anne…eu sinto muito por isso. — Apertou levemente meu ombro. — Pelo menos você não vai passar aperto e vai conseguir manter todos os aparelhos…
— Eu queria fazer um pedido… — A olhei, com os olhos marejados. — Eu posso visitar minha mãe pelo menos por dois minutos, à noite?
— Anne…
— Por favor, Mei! — Supliquei, sentindo meus olhos marejados. — Eu não consigo ficar sem ver ela, não fico tranquila… Por favor, pergunte ao Nael se eu posso…
— Vou fazer meu melhor. — Segurou minhas mãos, fazendo um leve carinho. — Tenho certeza que ele vai entender.
— Obrigada. — Suspirei, limpando minhas lágrimas. — Sábado e domingo virei à tarde, se o meu chefe não precisar de mim…
— Sem problemas. — Sorriu. — Tenho certeza que Nael não vai negar isso a você, ele sabe o quão ligada você é a sua mãe, e todos nós aqui temos um imenso carinho por vocês. Sabemos as lutas diárias.
— Obrigada, Mei. — Me despedi, vendo a mesma acenar e dar as costas. Entrei na sala e fiquei em silêncio, enquanto caminhava até a cadeira de visita ao lado da cama. Os cabelos castanhos estavam amassados, enquanto os tubos de vários aparelhos estavam ligados a sua pele.
Ver minha mãe naquele estado, era deprimente. Eu ficava tão triste com aquela cena, mas eu ainda tinha fé que tudo ia se ajeitar. Me sentei ao lado dela e segurei sua mão, a qual estava sem nenhum tubo. Acariciei levemente, na esperança dela acordar daquele coma.
Era uma situação tão delicada, que eu me achava realmente forte por ter sobrevivido até aqui. Só de imaginar que eu era imatura quando tudo isso começou, parece que era uma missão impossível.
Só de lembrar do desespero que eu fiquei no início e o quanto eu chorei, eu me sentia como uma criança.
— Vou fazer meu melhor. — Segurou minhas mãos, fazendo um leve carinho. — Tenho certeza que ele vai entender.
— Obrigada. — Suspirei, limpando minhas lágrimas. — Sábado e domingo virei à tarde, se o meu chefe não precisar de mim…
— Sem problemas. — Sorriu. — Tenho certeza que Nael não vai negar isso a você, ele sabe o quão ligada você é a sua mãe, e todos nós aqui temos um imenso carinho por vocês. Sabemos as lutas diárias.
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Atualizado até capítulo 29
Comments
CantStopWontstop
Mal posso esperar para recomendar essa leitura aos meus amigos.
2023-08-23
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lilhyanaaaa
Essa autora sabe como prender a atenção do leitor, muito bom!
2023-08-23
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