Me joguei no sofá, arrancando minha gravata e a jogando em qualquer lugar. Fiquei um tempo olhando para aqueles papéis em minha mão e me dei por rendido. A empresa era praticamente a minha vida, viver trabalhando era bom pra mim.
Li linha por linha, vendo que era praticamente um contrato de casamento. Se chama casamento arranjado, ou casamento por contrato? Ri sozinho dos meus devaneios, incrédulo.
Eu precisava fingir para a mídia, que eu estava namorando escondido para que não me perturbasse e anunciasse meu noivado. Suspirei fundo, me segurando para não amassar o maldito documento.
Bufei, puxando meus cabelos. Eu tinha um mês pra achar uma mulher que aceitasse aquela merda de uma hora pra outra. Os meus dias seriam infernais pelo visto, e a tendência era só piorar.
*
Me espreguicei na cadeira e tomei coragem para levantar. Estava mais frio do que o habitual em Nova York, e eu ainda precisava comprar um presente para minha mãe. Eu não sei se eu conseguiria entregar pessoalmente, não quando eu teria que olhar para a cara do meu pai e ouvir a maldita pergunta.
Abri a porta da sala e dei de cara com Anne tomando seu café da manhã. A morena trabalhava como ninguém, além de sempre chegar antes de todos no trabalho.
Vi seus ombros ficarem tensos com minha aproximação e aquilo me deixou meio encabulado. Será que ela não me achava atraente o suficiente?
Eu estava acostumado a ter mulheres se jogando em meus pés, tanto pelo dinheiro quanto pela minha beleza, mas eu ficava feliz em ver que Anne não era esse tipo de mulher. Mas aquela pergunta ficou rondando minha cabeça.
— Senhorita Hickmann. — Aquele sobrenome me soava familiar, e eu me odiava por não conseguir me lembrar de onde eu conhecia.
— Sim? — Enxugou seus lábios molhados de café em um guardanapo, enquanto eu seguia cada movimento seu.
— Pode vir comigo ao shopping hoje a noite? — Vi ela engolir em seco, mas assentiu lentamente. — Já tinha planos para a noite, senhorita?
Imaginei ela num encontro com outro cara, e por um motivo que nem eu sei, senti ciúmes. Estava eu necessitado tanto assim de alguém que me amasse e se importasse comigo?
— Não, senhor. — A resposta dela tinha sido tão rápida, que eu não acreditei. Com certeza ela tinha algo programado, mas o medo de perder o emprego seria maior. Eu iria aproveitar-me disso, e mostrar pra esse provável cara, que Anne era a mulher que todo homem sonhava em ter. — Preciso ir com alguma roupa específica?
— Casual. — Dei de ombros. — Eu vou de bermuda e camisa polo, se isso te ajuda.
— Muito. — Sorriu levemente. — Para que eu estarei indo junto com o senhor?
— Preciso da sua ajuda para comprar um presente para minha mãe. — Murmurei, vendo abaixar o olhar, e aquilo me intrigou. — Algum problema, senhorita Hickmann?
— Nenhum. — Forçou um sorriso, enquanto voltava ao seu trabalho. — Que horas preciso estar neste shopping?
— Me envie seu endereço para o meu e-mail. — Ordenei, vendo ela levantar os olho rapidamente. — Eu te buscarei em sua casa às sete.
*
Estacionei o carro em frente ao prédio atraindo olhares de todos. Era o carro mais casual que eu tinha, a culpa não era minha.
Antes que eu enviasse um e-mail pedindo o número de celular dela, ela chamou por mim, mostrando que já estava à minha espera. Porque eu não tinha pensado nisso? Ela nunca se atrasava.
— Boa noite, senhor Muller. — Ela sentou no banco, pedindo licença antes de entrar e eu apenas suspirei. — Posso saber sobre sua mãe? Seus gostos?
— Antes de tudo. — Abri os contatos do meu celular e estendi o mesmo em sua direção. — Anote seu número na minha agenda de contatos. — Vi pelo retrovisor ela arregalar os olhos. — Não é só porque somos chefe e funcionário que precisamos nos falar só por e-mail.
Ela assentiu timidamente, pegando o celular de minha mão e ao meu lado, para que eu visse, ela adicionou o celular e seu nome.
— Secretária? — Arqueei uma das sobrancelhas, vendo ela levantar os olhos. Abri um sorriso de canto e editei. — Anne Hickmann, é bem melhor. — A fitei. — É um nome bonito e chique.
— Obrigada. — Sussurrou envergonhada. Observei-a por completo antes de dar partida com o carro. Ela estava dentro de uma calça jeans padrão, com uma blusa rosa, seus cabelos presos em um rabo de cavalo, deixando apenas duas partes da franja soltas e um batom claro nos lábios. — O que foi? Não estou apropriada para o shopping?
— Não precisa ser formal aqui. — Girei a chave, a fitando pelo retrovisor. — Aqui somos apenas amigos, Anne.
Testei seu nome mais uma vez em meus lábios, e eu gostei. Ela assentiu, meia contrariada. Tentei puxar uma conversa normal, sem tocar no assunto trabalho, mas nada mais do que minha mãe sobressaiu.
— Sabe as cores que ela gosta? — Indagou, saindo do carro. Eu sai do carro ainda pensando no que responder, e aquela parecia ser uma pergunta bastante importante pra ela.
— Ela sempre usa preto. — Murmurei, colocando minha mão em suas costas, a empurrando levemente para frente. Ela deu um pequeno pulo, provavelmente aquele contato a deixou surpresa. — Mas não sei se é a favorita dela.
Ela assentiu, enquanto caminhava no meu ritmo para dentro do shopping com os ombros encolhidos. Eu não queria a intimidar, mas queria transpassar meu interesse por ela, e acho que aquele toque passaria aqueles sentimentos.
— Essa loja é boa… — A morena indicou, me fazendo olhar para o letreiro da loja. Era o shopping mais caro que tinha na cidade, então todas as lojas ali, eram consideradas boas. Mas eu tinha certeza que Anne conhecia a loja pelos anúncios de revistas, televisão e internet. — Deve ter algo que a agrade.
— Vamos entrar, então. — Conduzi ela até entrar na loja com minha mão a tocando. Ela estava tensa, e aquilo estava me divertindo um pouco.
As vendedoras voaram em nossa direção, perguntando o que a gente precisava. Anne, com uma ótima lábia, pediu para que mostrassem os melhores presentes para as mães.
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Atualizado até capítulo 29
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