Capítulo 3

— Que pena. — Revirei os olhos, cruzando minhas pernas. — Acho que ele precisa aceitar a sociedade a volta de si.

— Desculpa, tá? — Pediu, se sentando ao meu lado, enquanto eu apenas assenti. — Então…

— Hm… — Resmunguei indicando para que ela continuasse falando, enquanto eu mexia no chaveiro da minha mochila.

— A entrevista vai ser no quinto andar, sala sete. — Murmurou, enquanto acariciava levemente minha mão. — Não diga besteiras e evite assuntos polêmicos, ele é muito reservado e frio, não vai conseguir tirar nem um sorriso de canto dele.

Ótimo! Realmente, um chefe o qual não tinha um pingo de humor era tudo o que eu precisava para completar minha vida. Bufei, inconformada. Minha vida ia ser só tombo o tempo todo? Eu não tinha psicológico para aguentar mais nada.

Vendo que minha reação não foi uma das melhores, ela continuou, querendo amenizar o bicho de sete cabeças que se formou em minha mente.

— Ele é calmo, não atrasa nossos salários e apenas…manda. — Coçou a nuca, envergonhada com aquela descrição. Meu cenho se franziu, enquanto eu a fitava com curiosidade. — Muito mandão. Devo pontuar.

— Certo. — Não poderia imaginar um chefe diferente. Ele era um CEO, não um dono de restaurante de esquina. — Mas alguma notícia?

— Ele odeia atrasos. — Sorriu. — Você não tem esse problema, provavelmente ele vai gostar de você.

— Ao menos algo. — Resmunguei, fitando minhas próprias mãos.

— Já avisei a ele que você chegou. — Murmurou. — Ele não mudou de expressão, mas seus olhos se levantaram rapidamente pra fitar o relógio e os olhos se estreitaram levemente.

— Isso é um bom sinal, senhora analista de expressões corporais? — Cruzei os braços a fitando, enquanto ela jogava a cabeça para trás rindo. Achei aquilo extremamente forçado, mas deixei passar. Talvez ela apenas quisesse retirar o nervosismo de mim.

— É. Com certeza. — Se levantou, agitada. — Pode subir junto comigo se quiser, lá é mais calmo que aqui.

— Ok. — Dei de ombros. Eu já tinha chegado em um ponto da minha vida, que eu só ignorava o que eu não gostava. Meu psicológico estava abalado a muitos anos. Tempo e dinheiro, era algo que não tive nesses últimos cinco anos. — Espero que isso não seja uma perda de tempo…

— Não vai ser! — Animada e otimista, chamou o elevador. Enquanto eu observava o local, e tentava ler a placa que avisava sobre os andares e suas salas, Agnes tagarelava, descrevendo como as mulheres das empresas caíam em seu encanto frio e arrogante. Pelo visto ela já estava fissurada nele e não sabia. Só falava dele. — Chegamos!

Eu queria a empolgação de Agnes para meu dia a dia. Na parte do dia o qual não estava entregando currículos, eu estava com minha mãe no hospital, e a outra parte dormindo.

— Aqui, meu espaço, e logo mais, o seu. — Sorriu, dando a volta. — Ele está terminando uma reunião na sala cinco, mas pode ficar na sala sete o esperando e pensando no que não falar.

— Certo, certo. — Ri, acenando com a mão para ela, enquanto olhava para as plaquinhas com os números das salas. Eu queria muito saber, pra que tantas salas de reuniões, se ele era um só. — Me deseje sorte.

— Boa sorte e bico fechado. — Acenou de volta, enquanto se preparava para voltar ao seu trabalho.

Abri a porta com receio, pedindo a Deus para que não tivesse ninguém lá dentro. A sala estava vazia e escura, optei por não mexer em nada, enquanto me desloquei até ao lado do sofá, onde fiquei em pé, esperando dar a hora.

Eu fiquei em pé, sem tocar em nada por longos dez minutos. Quando eu iria reclamar sobre o chefe gostar de pessoas pontuais, e ele mesmo chegar atrasado, a porta se abriu, iluminando a sala escura.

Eu congelei, sem saber o que fazer no momento. Engoli em seco, observando a grande silhueta fechar a porta e bater duas palmas, fazendo a luz se acender.

Vi a expressão dura se tornar confusa quando seus olhos pararam sobre mim. Tratei de me explicar, antes que ele achasse que eu estava bisbilhotando a sala.

— Boa tarde. — Cumprimentei, vendo ele apenas acenar com a cabeça.  Que legal, ele parece muito empolgado. — Apenas estava esperando o senhor chegar, não toquei em nada, como pode ver…

Estava óbvio que eu não havia tocado no sofá. Era felpudo, e com certeza ficaria marcado, caso eu me sentasse ou tocasse nele. Ele caminhou até a mesa de reunião e indicou que eu o seguisse.

Observei com cuidado ele se sentar, e me mandar fazer o mesmo. Me sentei com cuidado. Tudo ali cheirava a milhões de dólares, e eu não tinha nem um, quanto mais milhões.

— Então, — Um silêncio se instalou, quando a voz grossa soou. — senhorita Anne Hickmann. — Um arrepio passou por todo o meu corpo, quando ele falou meu nome e me olhou ao mesmo tempo no fundo dos olhos. — Vejo que gosta de chegar antes de todos.

— Pode ser tarde demais. — Murmurei, lembrando de minha mãe. — Prefiro evitar tudo de ruim que pode acontecer.

Os olhos frios me analisaram, sem nunca me deixar perceber o que tanto olhava. Eu nunca estive tão nervosa em toda a minha vida. Mentira, já sim.

— Já trabalhou como secretária? — E voalá, a pergunta que custava milhões. — Sei que sua amiga que te indicou, mas não posso colocar qualquer um no lugar dela.

— Eu trabalho com tudo. — Afirmei séria, vendo ele me fitar com cenho franzido. — Sobre o serviço ter que ser com alguém de confiança, o senhor não têm com o que se preocupar. — Suspirei, me ajeitando na cadeira. — Eu não gosto de me meter em nada, logo, o senhor não vai ser incomodado. Só lhe responderei quando perguntar algo, e só falarei se precisar lhe dar alguma informação, como avisar se alguém te ligou, entre outras coisas.

Ele pareceu se interessar sobre o que eu estava dizendo, e ficou longos minutos em silêncio, como se estivesse testando minha paciência. Continuei parada, apenas esperando a próxima pergunta dele.

— O que quer dizer, quando trabalha com tudo? — Indagou, cruzando as mãos e as colocando embaixo do queixo.

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Comments

espero que ela amadurecer , as vestimenta não irá mudar a personalidade, mas que rla usr o que quiser quando estiver fora do trabalho. ou quando ela tiver a própria empresa

2023-08-24

1

aff... qual é a idade dessa criatura? ela tem comportamento de adolescente rebelde...

2023-08-24

2

Ver todos

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