Capítulo 18

Durante o trajeto de volta para casa, Miguel e Fabiana permaneciam em silêncio. Miguel estava focado em dirigir sua motocicleta, enquanto Fabiana apreciava calma a atmosfera da tarde nas ruas da vila.

No entanto, algo inesperado aconteceu. Devido a um gato que atravessou repentinamente, Miguel teve que pisar no freio bruscamente, fazendo com que eles ficassem muito próximos. O peito da garota estava grudado nas costas de Miguel e as mãos de Fabiana o abraçavam firmemente.

Não se sabe se foi sorte ou azar para Miguel. Sem precisar fazer muito esforço para se aproximar, Fabiana se jogou em cima dele. Mas a sensação de calor e maciez que fez o corpo de Miguel endurecer repentinamente se transformou em um calor causado pelo soco de Fabiana, que foi tão forte.

— Caramba... Isso dói! Você é uma mulher, mas não tem delicadeza nenhuma! Você quer ser uma lutadora, é isso? —disse Miguel irritado.

— Quem estava aproveitando a situação ao invés de me ajudar? Qual é o significado de frear tão bruscamente? Você queria causar algum indecente, não é? Seu pervertido! — exclamou Fabiana sem se importar com as pessoas que olhavam para eles, pois de repente os dois se tornaram o centro das atenções pela confusão que estava acontecendo entre eles.

Miguel queria calar a boca de Fabiana. Ele estava irritado com as acusações que o envergonhavam. Embora tenha sido distraído, ele não aceita facilmente essa acusação. Talvez neste momento, todos pensassem que ele estivesse tentando cometer assédio sexual com uma estudante.

—F ique quieta ou eu te deixo aqui! — ameaçou Miguel com um olhar afiado.

Fabiana olhou ao redor, claramente não conhecia ninguém ali. E se ela fosse abandonada e sequestrada por pessoas irresponsáveis, para ser depois abandonada depois de ser desfrutada por todos. Fabiana ficou aterrorizada só de imaginar isso. Rapidamente, ela abraçou Miguel com força, colocou as mãos na barriga dele e balançou a cabeça rapidamente. O corpo de Miguel estremeceu com o abraço firme. Além disso, ele ouviu alguns cochichos de pessoas que passavam. Sem pensar duas vezes, Miguel acelerou sua moto em alta velocidade. Após parar a moto e estacioná-la corretamente, Fabiana desceu e entrou em casa sem esperar por Miguel.

— Fingindo ser alguém que se reconciliou. — Novamente, João a provocou na hora errada, irritando Fabiana, ela pisou em João fazendo o rapaz gemer de dor.

— Você é bárbara! Ai, minha perna dói. — reclamou João.

Miguel apenas balançou a cabeça vendo a travessura de Fabiana, mas isso não significa que ele iria se aproximar e cuidar do seu irmão que estava sofrendo. Miguel só deu um tapinha no ombro de João e continuou seu caminho em direção ao quarto. Ele entrou no quarto sem dizer uma palavra, assim como Fabiana. Até onde eles pareciam confortáveis em silêncio. Fabiana ainda estava irritada e não aceitava o que Miguel tinha dito, enquanto Miguel continuava sem pedir desculpas.

E assim permaneceram em silêncio, sem perceber que seu casamento já completavam dois meses. A rotina diária se repetia todos os dias. Não havia nem se quer cumprimentos, mesmo na mesma cama. Até esse dia, Miguel percebeu quando viu Fabiana, João e seus amigos na sala do orientador, quando ele estava indo em direção à sala dos professores. Os olhos de Miguel encontraram os olhos estreitos da garota mais bonita da sala. Eles se encararam quando Miguel parou na porta. No entanto, Miguel escolheu sair imediatamente em direção à sala dos professores para descansar.

— Professora, por que tem um fazendeiro vindo para a nossa escola?— perguntou a professora Carla para a professora Renata, que desde o início estava admirando o professor Miguel com uma expressão fascinada. Miguel apenas ficou em silêncio e continuou a derramar café de uma pequena garrafa térmica que ele trouxe de casa.

— Ah, isso? Alguns alunos  roubaram cana de açúcar dele. Professor Miguel, beba devagar! Você quase engasgou, aqui está um lenço. — disse a professora Renata se aproximando rapidamente e entregando um lenço para Miguel.

— Muito obrigado, senhora. — disse Miguel. O homem suspirou pesadamente, com sua mente agora voltada para João e também para Fabiana, que possivelmente estavam envolvidos naquela questão.

Ao chegar em casa, Miguel entrou apressadamente no quarto em busca de Fabiana. Miguel estava realmente decepcionado com o comportamento da esposa, que sempre arranjava problemas.

— Para onde você vai?— perguntou Miguel ao ver Fabiana colocando todas as suas roupas na mala. Miguel se aproximou rapidamente e interrompeu os movimentos de Fabiana, segurando suas mãos. — Eu estou te perguntando para onde você vai? — perguntou Miguel novamente, um pouco mais brusco.

— Para casa, o que você quer aqui? — Fabiana tentou soltar suas mãos que ainda estavam apertadas por Miguel. No entanto, ele apenas apertou ainda mais sua pegada.

— Resolva seus problemas aqui, não volte para casa e reclame com o Papai!

— O que importa para o Papai? Se tenho problemas ou não, isso não é assunto dele! — Fabiana sorriu amargamente ao lembrar-se de viver com um homem frio.

Nos últimos dois meses, ela se sentia cada vez mais desconsiderada por Miguel. Não era que ela quisesse ser amada ou tratada como esposa. No entanto, até mesmo uma amizade parecia complicada, Miguel frequentemente chegava tarde em casa e não mostrava vontade de consertar ou tentar um relacionamento.  Fabiana continuou resistindo apenas por causa da família de Miguel, que era muito boa. Uma mãe amorosa e um pai com atitude calorosa. No entanto, a atitude de Miguel ia contra sua própria família.

—Eu sei que você está passando por problemas, resolva-os aqui, não os leve para casa e não deixe seu Papai com mais preocupações! Não me envergonhe por parecer incapaz de cuidar de você! — disse Miguel de forma firme, o que fez Fabiana ficar indignada.

Com todas as suas forças, Fabiana liberou as mãos do homem. Ela estava cansada das palavras que Miguel sempre dizia quando ela cometia um erro. O incidente na sala de esportes ainda incomodava seu coração e agora Miguel sentia que estava certo sobre ela estar errada. O homem não percebia suas próprias falhas. Miguel não conseguia estabelecer uma boa comunicação com a esposa, mas sempre se sentia humilhado quando Fabiana cometia um erro.

— Me ajudar e cuidar de mim? A unica coisa que fez foi me ensinar matemática. Mas qual é o seu papel aqui? Marido ou professor repreendendo um aluno? Se você se sente envergonhada comigo como esposa, então separe-se de mim para que você não tenha que sentir isso de novo! — disse Fabiana com suas emoções incontroláveis.

Fabiana colocou seus pertences de volta na mala e saiu correndo do quarto. Ela preferiu voltar para a casa de seu pai do que continuar vivendo com alguém que não tinha resolvido os fantasmas do passado.

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