Capítulo 4

Fabiana estacou com o coração batendo descompassado. Sentia algo suave, quente e úmido em sua testa, fazendo-a lembrar de seu ato impulsivo ao beijar seu novo professor para impedir o plano de seu pai. Mas esse era seu primeiro beijo.

— Quer mais? — Miguel sussurrou, sorrindo de lado ao ver Fabiana ainda de olhos fechados, mesmo que ele já tivesse afastado seus lábios há algum tempo.

Rapidamente, Fabiana abriu os olhos, olhando para Miguel com o rosto corado e depois desviando o olhar envergonhada. Após o cerimonialista retornar com um envelope grosso entregar para o pai de Fabiana, restaram apenas as duas famílias. O casamento que ocorreu sem aviso prévio, sem vestidos tradicionais e sem presentes, uniu o professor e sua aluna.

— Você é o professor, mas se atreveu a fazer coisas impróprias! — O pai dela ainda estava irritado, mesmo que tentasse aceitar o casamento de sua filha. — Eu te confio minha filha! Trate-a bem, mesmo se não sentir mais amor por ela! Não haja com violência, seja de qualquer forma! Eu os casei porque minha filha te ama! Espero que você seja digno de confiança e não nos decepcione! Porque... Chega...— Com um coração generoso, o senhor abraçou o ombro de Miguel que agora era seu genro. Entregando sua filha querida para o jovem que acabara de conhecer.

Miguel olhou discretamente para Fabiana, que agora abaixava a cabeça com uma expressão triste. Miguel não poderia fazer promessas. Apenas conseguiu assentir com a cabeça para acalmar seu sogro, pois Miguel entendia os sentimentos dele naquele momento. Ele estava tentando aceitar, apesar da dificuldade. Além disso, ainda era desconhecido o caráter e o valor do homem que havia se casado com sua filha.

— Papai... Eu disse que não queria casar tão cedo, mas por que papai...— Fabiana abraçou o pai chorando.

— Isso é o melhor para uma filha travessa como você! Ousar trazer um namorado para casa sem meu conhecimento e fazer algo que enfureceria os pais. Agora seu status mudou, não seja mimada e como uma criança! Mantenha este casamento em segredo por enquanto, pois você ainda está estudando. Quero que seja feliz e me dê muitos netos...— Ele apertou os lábios com força. Imediatamente, eleapertou a filha em seu abraço.

Miguel só conseguiu suspirar ao ouvir as palavras de seu sogro. Se existisse o amor, ele seria o primeiro a logo querer ter um lindo bebê.  No entanto, como isso seria possível quando o coração e a realidade não estavam em sintonia?

Foi tão difícil para Fabiana deixar a casa e seu pai. Embora ela estivesse acostumada a ficar sozinha sem a presença de seu pai, que sempre estava ocupado com o trabalho. Além disso, Fabiana também ficou desapontada com o plano de seu pai, que a fez se casar com Miguel, mas ela amava muito o pai, ele era a unica família que lhe restara depois da morte de sua mãe.

A mãe de Miguel logo convidou sua nora a ir embora, pois vendo Fabiana chorando incessantemente,  a deixou aflita. Magda realmente não entendia completamente o que estava acontecendo, mas ver seu filho se casar trouxe alívio ao seu coração. Havia uma centelha de esperança que ela depositou em sua nora. Ela tinha certeza de que, apesar de Fabiana ser jovem, ela poderia fazer seu filho se apaixonar e esquecer o passado.

— Sai sem se despedir e volta com uma esposa? É tão grande o seu desejo que você não consegue controlá-lo, hhmm? Parece que você se apaixonou à primeira vista? — provocou Matias Fernandes durante a viagem de volta. Ele sabia quem era Fabiana depois que João sussurrou em seu ouvido.

— Ah, pai, pare de me provocar! Isso foi um acidente, não uma questão de autocontrole.— Miguel massageou as têmporas. Ele não conseguia imaginar como seria sua vida futura com uma esposa tão jovem. E ainda por cima, Fabiana ainda estava estudando.

— Se eu fosse você, eu tentaria cuidar do meu próprio quintal, ao invés de ficar pensando no quintal do vizinho...—  provocou o pai.

— I=Não tem graça pai! — respondeu Miguel balançando a cabeça. Ele entendeu o que seu pai queria dizer sobre não continuar pensando no quintal do vizinho. Ele realmente não tinha mais esperanças com sua ex, mas esquecer não era tão fácil como virar a palma da mão.

Ao chegar em casa, Miguel imediatamente entrou no quarto, ignorando Fabiana. Ele deixou sua esposa ali mesmo e permitiu que ela ficasse com sua mãe. Fabiana chegou a lançar um olhar para Miguel, que parecia muito indiferente, mas para ela isso não era um problema, pois não queria estar perto de Miguel.

— Vocês irão continuar morando conosco, espero que se sinta à vontade, querida! Se Miguel ousar te machucar, diga para mim, quero que me veja como uma mãe!— A ternura da mãe de Miguel comoveu Fabiana. Depois de tanto tempo sem sua mãe, ela voltou a sentir o amor de uma mãe que tanto sentia falta.

Fabiana assentiu, abraçando a sogra, agradecendo pela  família de Miguel ser tão boa; caso contrário, ela já teria fugido antes mesmo de pisar na casa dos sogros.

— João, leve sua cunhada para o quarto dela, meu filho! Traga também a mala! — ordenou a mãe.

— João... — sussurrou Fabiana. A garota imediatamente olhou para o jovem que agora estava em frente a ela com os braços cruzados, olhando-a com impaciência.

— Então você é...

— Sim. Agora você é minha cunhada! — respondeu João com um suspiro, vendo sua amiga que só agora percebeu sua presença.

Fabiana ficou chocada ao descobrir que João era o irmão do professor que agora era seu marido. Ela pensou que poderia esconder tudo o que aconteceu essa noite de seus colegas, mas não conseguiu. João sabia de seu casamento e até compareceu e testemunhou.

— Surpresa?

— Por que você não disse que o professor Miguel é seu irmão? — sussurrou Fabiana enquanto se aproximava de João. — Por favor, não conte a ninguém sobre o casamento... — Fabiana sentiu se sentido tola, além do seu plano ter dado errado, ela ainda corria o risco de seus colegas descobrirem o que lhe aconteceu.

— Devia ter pensado melhor em com quem iria se engraçar, além de ter sido mais esperta e manter escondido do seu pai, mas agora, vamos para o quarto... — João segurou a mão de Fabiana para levá-la imediatamente ao quarto de Miguel.

— Não seja rude com sua cunhada! — exclamou sua mãe. A mãe de Miguel se lembrava do rosto de Fabiana, que não lhe era estranho. Talvez porque Fabiana tenha ido à casa várias vezes com outros amigos de João, mas como já havia tempo que não ia, ela não reconheceu imediatamente.

— Sim, mãe! — respondeu João, continuando a segurar a mão de Fabiana.

— Eu não quero! — recusou-se Fabiana. — Vou dormir no seu quarto! Somos amigos, amigos para sempre...

João parou, olhando para Fabiana, que agora tinha um olhar triste. João ficou surpreso com o pedido dela. E como eles poderiam dividir um quarto com o status de cunhados, se nem mesmo sem esse status seria aprovado por seus pais.

— Entre!

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