Capítulo 17

Miguel voltou para o campo com duas bolas de basquete, lançando um olhar para Fabiana, que parecia desinteressada e de cara emburrada. Ele queria se aproximar e pedir desculpas, mas a situação não permitia, pois muitos alunos ficariam descofiados sobre o relacionamento deles.

A avaliação começou, um por um, os alunos avançavam conforme a ordem dos números de chamada. Miguel observava, contava e atribuía notas. Chegou a vez de Fabiana avançar e começar a arremessar a bola na cesta. A habilidade de Fabiana era bastante boa, em um minuto ela já havia acertado várias vezes e poucas bolas haviam errado. Seus movimentos eram ágeis e atraíam o aplauso dos alunos que a observavam.

O tempo dado era de apenas 3 minutos e ela precisava fazer pelo menos 15 arremessos para obter uma nota acima de 70.

— Vinte, vinte e um, vinte e dois...

— A rainha do jogo está animada! — gritavam os estudantes lá atrás bem alto.

— Rápido, Faby, faça mais, o tempo está quase acabando.

— Vinte e quatro, vinte e cinco... — Fabiana parecia concentrada até os últimos segundos, ainda tinha a chance de fazer mais um arremesso antes que o tempo acabasse completamente.

— Vinte e seis...

— Ai...

— Professor Miguel!

— Como sua bola acabou indo parar na cabeça do professor Miguel, Fabiana? Ele está para trás e não na direção da cesta... —  Os outros alunos notaram e logo se aproximaram de seu professor.

O arremesso forte fez a bola vir em alta velocidade e, por algum motivo,foi para trás e não para frente. Miguel, que estava anotando as notas, não conseguiu evitar a bola ao chegar, e acabou acertando-o, resultando em sua testa ficando vermelha e sua cabeça tonta. Miguel curvou o corpo, apoiando as mãos nos joelhos. Os alunos se aproximaram preocupados e logo começaram a questionar sua condição.

— Voltem para suas posições originais, a avaliação continuará e peço a um de vocês para contar!—Como ainda havia alguns alunos a serem avaliados, Miguel decidiu continuar com a avaliação enquanto se afastava para descansar no canto do campo.

Desde então, Fabiana apenas ficou em silêncio observando, sem se aproximar. Ela ainda parecia completamente indiferente ao que havia acontecido com Miguel. Todos os alunos voltaram a se concentrar e João se aproximou de Miguel, que estava massageando suas têmporas desde então.

— Está com dor de cabeça, professor? — perguntou João em voz baixa.

—  Hhmm...

— Tome isso! — João entregou sua garrafa de água mineral para Miguel.

Ele a recebeu e bebeu rapidamente. João olhou para Fabiana, que estava fazendo bico sentada ao lado de Rita. Miguel também olhou naquela direção, e Fabiana estava sentindo-se irritada por ter que enfrentar o marido quando seu coração estava ferido pelas palavras afiadas dele.

— Faby, tenha piedade do Miguel. Vá até lá! Pelo menos peça desculpas a ele. A bola atingiu a cabeça dele... — provocou Rita, tentando fazer com que Fabiana se desculpasse e ficou surpresa por Fabiana não parecer sentir remorsso algum.

— Droga, espere aqui, não me siga! — Fabiana se levantou imediatamente e se aproximou de Miguel, sentindo muita raiva  pro precisar falar com o marido enquanto seu coração estava ferido por suas próprias palavras.

Dois pares de olhos se encontraram com raiva. João percebeu faíscas emocionais nos olhos de Fabiana e optou por se afastar para ajudar seu amigo a contar as notas.

— Está doendo? — perguntou Fabiana com uma atitude indiferente.

— O que você acha?

— Não é nada comparado à dor no meu coração causada pelos arremessos de palavras afiadas da sua língua!—respondeu Fabiana com uma expressão cheia de desapontamento e olhos lacrimejantes. Ela foi embora depois de pegar seu lenço e o umedecer com a água gelada que Miguel tinha bebido anteriormente. Ela o colocou na testa dele e saiu sem dizer mais nada.

O restante da aula Fabiana participou sem interesse e no intervalo ela parecia triste, apenas mexendo sua comida sem apetite. Os melhores amigos observaram com surpresa, desejando perguntar, mas desistiram ao ver as lágrimas de Fabiana caindo na sopa de bolinhos.

— Essa sopa de bolinhos está salgada! — sussurrou Igor para seus dois amigos.

— Deixa pra lá, não a perturbe! Se quiser, pode pegar os bolinhos, não vão ser desperdiçados. De qualquer forma, esses bolinhos vão sobrar, ficarão desperdiçados. — respondeu Rita em tom baixo.

João não se pronunciou, ele sabia que o comportamento de Fabiana estava relacionado com seu irmão mais velho. Por isso, João preferiu não falar nada. Era melhor deixar quieto, pois o problema já afetava a vida familiar.

Ao chegar na hora de ir para casa, Fabiana recusou a oferta de Thiago para acompanhá-la. Ela apenas olhou silenciosamente para ele e continuou a caminhar, indiferente.

— Querida...

— Meu nome é Fabiana! — ela respondeu com voz quase inaudível.

— Ok, Fabiana, o que está acontecendo? Tem algum problema? — perguntou Thiago, ele tinha certeza de que algo não estava bem com Fabiana. Era evidente em sua expressão facial, mesmo ela tentando parecer apenas mal-humorada.

— Eu quero ir para casa, pergunte outra hora! — Fabiana respondeu de forma ríspida.

Thiago balançou a cabeça, observando os passos largos de Fabiana enquanto ela se afastava em direção ao carro. Como namorado, ele estava confuso com o comportamento de Fabiana, que era difícil de se aproximar.

— Quria saber o que você sente por mim, Faby? — murmurou Thiago, que foi ouvido por um homem que estava parado não muito longe dele. O homem tinha observado o casal com a garota que foi embora, desapontada.

Fabiana dirigiu seu carro com um coração inquieto, sentindo-se relutante em voltar para a casa de seu marido, mas o que dizer sobre seus sogros? Fabiana estava cansada do comportamento de Miguel, que a deixava confusa.

O carro de Fabiana parou com relutância, ela saiu e observou que um dos pneus estava furado.

— Droga! — ela murmurou. Fabiana chutou o pneu do carro várias vezes. Ficou ainda mais irritada. Ela massageou sua têmpora, sem saber para quem ligar.

Fabiana tentou ligar para João, mas suas chamadas não foram atendidas. Talvez, porque João também estivesse no trânsito. Fabiana ficou em pé, apoiada no para-choque do carro, olhando para a rua que começava a ficar vazia. Não era de se surpreender, já que a casa de Miguel ficava em uma área rural, ao contrário da casa de Fabiana, que ficava na cidade. Então, apenas veículos particulares passavam por ali.

O corpo de Fabiana se assustou ao ouvir o som da buzina atrás dela. Rapidamente, Fabiana olhou para ver quem era que a tinha assustado. Fabiana fechou o rosto ao saber quem era a pessoa que havia buzinhado. Ela voltou à posição anterior, ignorando Miguel que havia descido de sua moto.

— O que aconteceu? — perguntou Miguel calmamente.

— Veja por si mesmo! — respondeu Fabiana, totalmente desinteressada em explicar e deixando Miguel verificar por si só o que havia acontecido com o carro.

— Furado? — perguntou Miguel em voz baixa, depois de descobrir o motivo pelo qual Fabiana tinha ficado presa ali.

— Vem comigo! Vou mandar um funcionário da oficina pegar o carro depois.

— Eu não quero! — respondeu Fabiana, relutante.

— Deixe a birra de lado por enquanto, vamos para casa! — Fabiana ainda relutava em olhar para o lado, muito menos aceitar o convite de Miguel. Sua raiva ainda não havia passado, até quando ela sentiu sua mão sendo tocada gentilmente e sendo guiada para subir na moto do homem.

— Esse nem parece o mesmo professor marido grosso...

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