Será que agora eu tenho um fio para seguir? Prefiro não comentar com Vivi sobre as minhas suspeitas, pois se for mesmo a Samantha, mesmo que ela saiba não irá me dizer.
O senhor Tavares não apareceu no espaço, já tem quase uma semana dele aqui na cidade e coincidentemente o mesmo número de dias que Lucas está dormindo em casa.
Estou observando cada detalhe, embora um pouco irritado ao menos ele não anda me batendo, o que é ótimo. Com essa nova perspectiva percebo que se eu o reconquistar ele não vai me agredir, eu sabia que ele só tá fazendo isso por influência externa, no caso a Samantha, se minha intuição tiver certa, mas espero de verdade que não seja.
— Quando seu Tavares vai embora? — Pergunto para Vivi, que me olha assustada.
— Não faço ideia! Por que?— Ela me responde com um ar de preocupação.
— Nada não! — Dou de ombros e saio, deixando-a sozinha.
Vivi da alguns passos para me alcançar, mas volta para atender o telefone que começa a tocar, agradeço ao universo por isso.
Não precisa dela me dizer só pela sua expressão eu sei que minha suspeita tem fundamento, o que eu preciso saber agora é o que vou fazer de posse dessa informação.
Faço meus atendimentos matinais com a cabeça no mundo da lua, preciso pensar em algo, primeiro vou capturar provas, agir sem embasamento vai ser um tiro no pé.
Logo após o almoço, eu invento que estou indisposta para ser liberada, quero ir para casa pensar na vida. Eu odeio a Samantha como patroa, odeio o Lucas por me obrigar a trabalhar para ela.
Depois que cheguei nesse ponto, muita coisa começou a fazer sentido, Lucas está apaixonado por Samantha, ela foi quem o induziu a me fazer trabalhar lá, como eu pude ser tão cega? Como pude demorar tanto para enxergar o óbvio? Tal qual em um quebra-cabeça, peça por peça começam a se encaixar.
Sinto o chão girar, tudo isso está me deixando mal, entro em meu quarto, tiro minha roupa e vou para o banheiro, tomo um banho quente e choro tudo que tenho para chorar, desligo a água e ouço a porta da frente ser aberta, meu marido está em casa.
— Que porra é essa? — Pergunto ao sair do banho e me deparar com Lucas aos beijos com uma garota da rua de cima.
— Você devia estar trabalhando, o que está fazendo aqui? — Ele pergunta sem tirar a mão da cintura da menina que não deve ter mais que dezesseis anos.
— Lucas você passou todos os limites, eu vou embora dessa casa agora! — Grito e o olhar de indiferença de ambos me deixa fora de mim.
— Tudo bem, só se veste e dá o fora eu tenho mais o que fazer, ou melhor aproveitar! — Lucas fala e puxa a garota para um beijo.
Me visto quase sem forças, meu corpo está completamente destruído, minha alma está esfaqueada, ele não tem o direito de me humilhar dessa maneira, espero que eu saia e que ele não venha atrás de mim.
Passo pela sala e vejo dois corpos quase nus se agarrando pelo meu sofá, é o fim da picada mesmo, olho incrédula e saio batendo a porta atrás de mim.
Chego na casa da minha mãe, choro rios de lágrimas e ela apenas me ouve com atenção e carinho, mas depois que paro o sermão é dos mais duros que já ouvi em toda a minha vida.
— Eu sempre te falei, por mim vocês nunca teriam se casado, ele nunca prestou, não sei o que você vê nesse cara, a única benção dessa relação foram os meus netos, somente!— Ela diz e volta a cuidar dos afazeres domésticos.
Passo o resto do dia amuada no canto, não deveria, mas estou sofrendo por Lucas, não deveria, mas o amo, não deveria, mas gostaria de ter minha família de volta.
— Por que meu Deus? Por quê? — falo baixinho enquanto eu choro.
— Você não vai entrar na minha casa, volta daí mesmo! — Ouço a voz alterada da mamãe, me levanto rapidamente e vou até ela ver o que está acontecendo.
Paro na porta e vejo mamãe em pé na área com um rodo na mão e Lucas no portão, meu coração palpita e eu não sei bem o que estou sentindo.
— Thamires, venha aqui! — Lucas fala autoritário e mamãe me olha com reprovação. — Preciso falar com você...
— Ela não vai! — Mamãe intervém.
— Thamires! — Ele fala e me olha irritado.
— Eu vou mamãe, eu preciso ir... desculpe! — Peço abaixando o olhar e caminhando em direção ao portão.
Saio e ele abre aporta do carro para eu entrar, saímos em direção a nossa casa e meu coração está acelerado, tenho até medo do que está por vir.
— Eu já te disse que você é minha? Eu não te permito sair da minha vida. — Ele fala e mantendo uma mão no volante me dá um tapa na face, sinto minha bochecha úmida por líquido quente, seco rapidamente e olho para fora.
Hoje é um daqueles dias que vou apanhar mais que pandeiro no pagode, até vejo. Em minha mente peço a Deus um pouco de piedade e força para conseguir sair dessa cilada que eu me permiti estar.
A essa altura já nem sei se o fio sobre a Samantha é verídico ou apenas fantasia da minha imaginação, talvez a outra seja a garota de hoje a tarde, e para ser sincera, isso já nem faz diferença.
Por mais que me doa, por mais que eu ameno meu marido, ele não me ama e não me respeita, tudo que eu quero agora é sair desse casamento viva, talvez se eu tivesse ouvido as pessoas antes hoje eu estivesse livre.
— Entra sua vagabunda, vou te mostrar como se vive! — Lucas fala estacionando o carro na porta de casa.
Assim que passo a porta da frente, ele tira o cinto da calça e começa a me bater nas pernas, grito algumas vezes mas ele tampa a minha boca com uma mão e me dá alguns tapas em minha face.
— Se você gritar, te juro que vou te arrebentar toda, por enquanto estou apenas te educando. — Ele diz e me dá mais algumas cintadas.
— Chega meu bem, ela já aprendeu, né querida? — Ouço uma voz feminina vindo da porta do meu quarto, viro para olhar e vejo a garota de mais cedo dentro de uma camisola minha.
Lucas me sacode e me joga no sofá, eu olho incrédula para a cena em minha frente, ele vai até ela e da um beijo com carinho e pergunta se já fez o pedido da janta.
— Por que diabos essa mulher está aqui? — Pergunto ficando de pé.
— Ela agora vive aqui, e se você não a respeitar como dona dessa casa eu vou te mostrar com quantos pau se faz uma canoa. — Lucas fala voltando até mim e colocando o dedo na minha cara.
— Peça desculpas por favor! — A mulher diz vindo até mim.
—Você só pode estar de brincadeira! — Respondo.
— Thamires, pede agora! — Lucas fala vindo em minha direção e me segurando pelo cabelo.
— Desculpa! — Peço.
— Só por causa do seu mal comportamento, hoje vai dormir no quarto conosco. — Lucas fala irritado.
Logo após o jantar, que eu não pude comer, ambos começam a se pegar na minha frente, Lucas joga um lençol no chão do quarto e me manda deitar, fico horas a fio ouvindo os gemidos deles e as provocações dela.
O que essa menina tem na cabeça eu não sei, mas é óbvio que se ele está fazendo comigo, mais cedo ou mais tarde fará com ela e agora mais do que nunca, eu sair disso é questão de tempo, vou sair e ainda me vingarei por cada tapa que levei ou não me chamo Thamires.
Finalmente o sono me abraça, mas acordo com o telefone de Lucas tocando, ele atende na frente da menina que não está com uma expressão agradável, finjo estar dormindo para ouvir.
— Então o Tavares já foi? Se você quiser eu vou agora minha deusa! — Lucas fala se levantando e começando a se vestir.
— Lucas! — A menina começa a falar, mas ele manda ela calar com um gesto.
— É a Thamires meu amor, você sabe que na minha vida só tem você agora, em vinte minutos eu chego. — Ele fala e desliga o telefone.
Os dois tem um breve desentendimento, mas ele segue seu destino sem se importar com as contratações dela, amo quando o karma é instantâneo.
Minha intuição não estava errada, a "outra oficial" realmente é Samantha, muito bom saber, vou fazê-la se arrepender do dia que causou esse inferno na minha vida, não só ela como Lucas.
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Atualizado até capítulo 62
Comments
Enaicaj.
Pior que não vida real isso acontece muito. infelizmente.
mas tudo tem limite e espero que ela dê fim rápido nesse demônio e demônia. Antes q eles dê um fim nela
2024-07-24
0
Enaicaj.
espero que vc consiga. torcendo por vc
2024-07-24
1
Ana Lúcia Souza Rocha
mulherzinha idiota
2024-01-21
2