Capítulo 07

Paro o que estou fazendo e fico refletindo sobre a última vez que fui embora, melhor eu segurar minha emoção e aceitar que essa é a minha vida até que eu tenha um plano conciso para sair dela.

Finalmente chegou minha hora de ir para casa, só de pensar que nas próximas semanas começarei a fazer escala noturna meu estômago revira, dizem que é quando vem os piores clientes.

Lucas me busca como de costume, e para minha surpresa ele está com o humor agradável, cumprimento-o e ele faz um carinho sutil em meu rosto, gesto que me arranca um sorriso involuntário.

— Cansada? — Ele pergunta enquanto dirige, nessas horas eu esqueço todos os problemas do mundo, ter a atenção e o cuidado do Lucas é tudo que mais almejei na vida.

— Sim meu amor, mas faz parte do processo né? Vida, ao chegar em casa quero conversar com você… — Digo receosa, contudo não posso deixar de lado.

Eu e minha boca, podia ter esperado chegar em casa para tocar nesse assunto, nem falei sobre o que é e ele já está me olhando irritado.

Não me atrevi a continuar falando e ele também não perguntou o que estava dizendo, em silêncio percorremos o restante do trajeto, contudo eu já estou sentindo meu corpo tremer de nervoso e ansiedade.

Entramos em casa e meus filhos correm para me abraçar, logo que entro meu sogro se despede nos deixando a sós, brinco um pouco e depois começo a preparar a janta, pois mesmo eu trabalhando, Lucas não faz absolutamente nada em casa.

— Sobre o que queria falar? — Ele pergunta e se senta à mesa enquanto eu corto legumes na pia.

— Vou dar janta para as crianças e colocá-las para dormir, então conversamos! — Digo virando-me e o encarando firme.

Lucas belisca algumas batatas que já fritei e então se levanta e para atrás de mim, pega minha mãe que segura a faca e guia até o meu pescoço, firmando o corte em minha garganta.

Meu corpo treme e minhas pernas vacilam, sinto as lágrimas descerem por meu rosto e então ele alivia a pressão em meu pescoço.

— Você vai falar ou eu preciso perguntar novamente? — Ele diz agressivo e entre dentes encostando sua boca bem perto do meu ouvido.

— Lucas não faz nada, pensa na gente, nos nossos filhos, por que está fazendo isso? — Pergunto apavorada.

Ele começa a me soltar lentamente e finalmente se senta novamente, com muito custo consigo olhar em sua direção ao que ele me ordena sentar na cadeira a sua frente.

Quase sem conseguir caminhar, pois meu corpo inteiro está eufórico e com medo, sento-me e então ele soca a mesa me mandando falar logo.

— Eu não quero voltar para a massagem… — Começo a dizer, mas ele se levanta e segura meu cabelo.

— Me dê um bom motivo e então você não voltará! — Ele responde afrouxando meus cabelos.

— Samantha! É… a Samantha! Ela me pediu para repensar minha conduta e aceitar fazer um extra com os clientes. — falo aflita ao perceber que ele está voltando a apertar.

Antes que eu pudesse pensar senti meu rosto ser atingido por um tapa, peço para que Lucas pare, mas quanto mais eu peço mais ele me agride.

— Você é uma vagabunda desprezível, bem que Samantha me mandou ficar de olho. Você já está interessada em dar Lara esses seus pacientes e quer jogar a culpa na Samantha que só está te ajudando. Ingrata!

Entre agressão, humilhação e muita dor, ouço gritos dos meus filhos intercedendo por mim, contudo nada disso faz com que Luca cesse sua ira.

Sinto que sou arremessada várias vezes, desmaio e acordo sendo agredida, o gosto ácido do meu sangue já tomou conta do meu paladar, sequer tenho forças para gritar por socorro.

Não sei precisar quanto tempo durou toda pancadaria, não sei quanto tempo fiquei desacordada, contudo é com o corpo dolorido e sujo de sangue que me vejo jogada no chão da sala.

Um misto de sentimentos tomam conta do meu ser, tento pronunciar alguma palavra, mas nada sai além de alguns gemidos de dor, com muito esforço consigo me virar e então vejo meus filhos sentados no sofá com o rostinho vermelho de chorar, em fração de segundos passei a me sentir a pior mãe do mundo e a mais fracassada das mulheres.

Tiro forças não sei de onde e me levanto, não há uma junta minha que não esteja dolorida, abraço meus pequenos e tranquilizo-os.

— Mamãe vai dar um jeito nisso, não vão ver outra cena dessas nunca mais —Prometo mesmo sabendo que isso é mentira e que eu não conseguirei evitar outro ataque de fúria.

Alimento-os e os faço dormir, graças a Deus hoje pegaram no sono rápido, tomo um banho e passo algumas receitinhas pelo corpo para amenizar os hematomas.

Lucas não está em casa, provavelmente saiu logo após me espancar e provavelmente chega amanhã bêbado e com cheiro das prostitutas dele.

— Até quando meu Deus? Até quando vou aturar tudo isso? — Penso em voz alta.

Lucas é meu primeiro amor, a pessoa que mais amei em toda a minha vida, no começo ele era um amor comigo, com o tempo foi se transformando nesse monstro. Se eu pudesse voltar no tempo!

Divago em pensamentos por muito tempo e em meio a eles adormeço, a noite é um verdadeiro pesadelo, não consigo me mexer para lado algum sem que cada músculo me arrancasse um gemido.

Pela manhã, acordo com Lucas pegando a toalha e indo para o banheiro, ignoro seus passos e me forço a sentar, afinal se ele chegou tão cedo certamente é para me levar ao meu inferno particular.

Levanto e com passos curtos caminho até o banheiro social, tomo banho com paciência. Ao sair do banheiro quase tenho um infarto ao destrancar a porta e me deparar com Lucas em minha frente.

— Samantha te deu o dia de folga, se arruma que vou levá-la ali, deixa as crianças com minha mãe. — Ele ordena e sair como se eu fosse sua empregada.

— Folga? — Pergunto surpresa.

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Comments

mulher idiota aff

2023-12-17

2

Percyla Caetano

Percyla Caetano

precisou disso tudo p vc acordar.....

2023-08-17

2

Lola

Lola

atura porque quer.

2023-07-19

1

Ver todos

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