A noite chegou.
Adriano havia encomendado a comida favorita da sua filha.
Estrogonofe de frango, batatas fritas, arroz e salada. Uma vez no ano, ele decidiu comprar refrigerante para quebrar a rotina.
Isabelle preparou uma mousse de chocolate e também um suco de laranja.
Adriano havia saído para buscar a filha e a babá, e Isabelle ficou organizando a comida.
Ela deixou as travessas separadas para depois que eles chegassem, ela colocasse a comida, pois assim não esfriava devido ao recipiente térmico.
Tomou um banho rápido e colocou uma calça jeans e uma blusa branca, básica e desceu, usando o iPhone para falar com a amiga, Carol.
Elas falavam sobre o vestibular e como estava sozinha em casa, perguntou por Caio.
Carol: Amiga, você não viu nas redes sociais? Caio e Celina estão juntos.
Isabelle sentiu que o seu mundo acabou de desabar. O menino de quem gostava estava agora com a sua arqui-inimiga.
Isabelle: Que desgraçada! Ela fez de propósito para agarrar o Caio. Precisava fazer isso comigo? Olha só onde estou agora... Aquela vaca me paga! Um dia eu acerto as contas com ela. Eu juro.
Carol: Amiga, ele gostava de você, mas, sinceramente, saber que estava na cama com dois traficantes e depois saber que você se casou, acabou com as expectativas dele.
Isabelle: Se ele gostasse de mim de verdade teria acreditado em mim. Ele me bloqueou, sabia?
Carol: Amiga, sinto muito. Será que podemos sair amanhã? Queria te ver...
Isabelle: Ainda não. O meu "marido" disse que não quer que eu encontre os meus amigos. Minha vida agora é outra. - Ouviu o som do carro- Amiga vou desligar. Eles chegaram. Ai meu coração. Reza por mim.
Carol: Ok amiga, vai lá. Boa sorte!
Isabelle desligou o telefone e ficou andando de um lado para o outro na cozinha. Ela não sabia como agir diante da filha do "marido".
Adriano abriu a porta e entrou arrastando a mala da filha e segurando a sua mão, a babá vinha logo atrás. A menina estava apreensiva também, olhando todos por todos os lados para ver se avistava a moça de quem o pai havia falado antes. Ela já estava crescida e sabia que essa "moça" poderia ser a nova namorada do seu pai.
Adriano: Isabelle, chegamos.
Isabelle arregalou os olhos impressionada como a voz dele saiu imponente ao pronunciar o seu nome.
Ela foi sem jeito de encontro com a menina. Ela faria o que o "marido" ordenou.
Isabelle chegou à sala e viu uma menina linda, mas com uma tromba enorme.
Adriano: Essa é a minha filha, Júlia. E a dona Irene, a babá.
Isabelle: Oi, princesa, oi dona Irene. Eu sou a Isabelle. Prazer em conhecer vocês.
Júlia: Oi. Você é namorada do papai?
Isabelle: Não, Júlia. Vamos conversar sobre isso depois. Deve estar com fome e tem uma comida deliciosa que o seu pai providenciou lá na cozinha. Suba e tome um banho para relaxar enquanto eu arrumo a mesa.
Falou com uma voz doce e com um sorriso leve.
Júlia: Você não manda em mim. Eu não vou fazer o que você quer.
Isabelle desfez o sorriso e ficou estática. A sua vida poderia ficar pior?
Adriano: Júlia, pode ir parando. Ninguém aqui ensinou a você a ser mal educada com as pessoas. Pede desculpas.
"Uau, o Sr perverso mais uma vez agindo como se ele fosse educado?"- Isabelle pensou.
Júlia: Eu não vou pedir desculpas. Ela quer tomar o lugar da mamãe. Não vou aceitar.
Adriano: Ela não vai tomar o lugar da sua mãe. Agora suba, tome um banho e volta para o jantar.
Isabelle ficou surpresa por ouvir que Adriano falou em seu favor. Ele poderia até discordar dela, mas não mudou o que ela havia dito a menina.
Júlia foi pisando alto e a babá acompanhou a menina até o seu quarto.
A menina reclamou muito, mas no fim foi tomar um banho.
Adriano ficou com Isabelle que seguiu para a cozinha. Ela iria colocar a comida nas travessas e levar para a mesa que já estava preparada com os pratos, copos e talheres.
Adriano: Ela não é assim. Ela vai ser sua amiga. Acredite.
Isabelle acenou com a cabeça.
Ela poderia ter sido mandada para um apartamento, assim não teria que passar pelo constrangimento de conhecer a filha do marido por contrato, que a odeia sem nem a conhecer, assim como o marido.
Isabelle: Ela precisa de tempo para processar a informação.
Adriano: Vamos falar com ela amanhã que somos casados. Ela tem o direito de saber.
Isabelle: Por que quer tanto que ela saiba disso? Ela pode se sentir enganada quando chegarmos ao final do contrato.
Adriano: A minha filha é muito inteligente. Ela vai entender tudo, ela está crescidinha e entenderá muito bem o que está acontecendo. Só vamos omitir a parte do que você fez.
Isabelle não disse mais nenhuma palavra, embora a sua vontade fosse xingar muito e sair correndo dali. Ela não fez nada.
Terminou de dispor toda a comida nas travessas com lágrimas presas nos olhos, e colocou as travessas na mesa.
Adriano achou interessante que uma jovem garota levasse tanto jeito para isso.
Adriano: Onde aprendeu a organizar assim a mesa?
Isabelle: Eu gosto. Sempre ajudei a Dirce fazer isso e aprendi. Descobri que a mão não vai cair por arrumar a mesa de jantar, lavar a louça, preparar uma refeição... Aprender, qualquer coisa que seja, é válido.
Falou num tom frio. Adriano não prestou atenção nisso.
Julia desce de banho tomado seguida pela babá.
Adriano e Isabelle nunca tinham trocado tantas palavras como agora. A voz dela era como uma melodia que ficava ecoando nos seus ouvidos, suave e gostosa de ouvir.
Isabelle se sentou a mesa junto a Júlia, a babá e Adriano.
Dessa vez ela tomou cuidado para não se sentar no mesmo lugar que tinha sentado antes, pois entendeu que o lugar pertence a Rafaela.
O jantar foi tenso. Apenas pai e filha conversaram, ou, trocaram apenas meia dúzia de palavras e a menina olhava para Isabelle como se estivesse com vontade de matar.
Isabelle pensou: Se o jantar está tenso dessa forma, como será a conversa com a Júlia amanhã?
Era melhor não pensar muito agora.
Após o jantar, Isabelle e a babá tiraram a mesa e só aí ela percebeu que havia uma lava louças que por distração ela não havia percebido.
A babá colocou as louças lá e trocou algumas palavras com Isabelle.
Irene: A Júlia ainda não se conformou que você mora aqui. Ela acha que o pouco tempo que o pai passa com ela vai ser destinado a você agora. Conversa com ela. Ela é uma boa garota e muito carente. Vai ser muito bom se vocês se tornarem amigas e se puderem passar um tempo juntas pode mudar muito a forma como ela te vê agora. Ela é uma menina de personalidade, mas também é frágil e gentil. Só está com medo de perder o pai.
Isabelle: Eu vou conversar com ela. Não quero que tenha uma impressão errada a meu respeito e também não quero tomar o pai dela. Seria ótimo sermos amigas. -Ela pensou: E seria menos triste passar os meus dias tendo alguém para conversar e até mesmo brincar.
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Atualizado até capítulo 67
Comments
João Wellington campos
o papai ogro e filhinha obrinha
2025-02-16
2
Cleusa Arlete Morais Caldeirão Caldeirão
O ogro idiota é a ogrinha, misericórdia.
2025-02-03
1
Anonymous
Um
2025-01-30
0