Pov Christopher Walker
Angelique se levantou, a pele nua de suas pernas passou pela minha mão, um toque simples, mas que me fez desejá-la.
Antes de me sentar a mesa, já havia percebido o que Lee tinha cozinhado.
- Torradas com ovos Benedict? Seu prato preferido é de café da manhã?
- Eu disse a você – ela deu de ombros e enfiou uma grande quantidade na boca\, seus olhos se fecharam e ela sorriu.
- Minha mãe sempre curava uma chateação com pratos que eu gostava - não sei por que disse isso a ela\, mas quando vi as palavras já tinham saído.
- E o que ela cozinhava.
- Qualquer prato com batatas.
Angelique riu e franzi os olhos para ela.
- Desculpe\, Christopher. Mas achei que você fazia mais o tipo que gosta de caça. Coelho\, pato. Coisas mais rústicas e ao mesmo tempo sofisticadas.
- Por que acha isso?
- É como eu te vejo.
- Bem\, eu era só um garoto e como tal\, gostava de coisas que enchessem a barriga.
- Batatas.
- É\, batatas.
Ela deu de ombros, me arrependi de iniciar essa conversa, mas ainda poderia deixa-la tão constrangida quanto eu.
- Qual a história dos ovos?
- A verdade?
- Achei que não mentir fazia parte do acordo\, você já fez isso uma vez hoje.
- Tem razão – ela enfiou o último grande pedaço na boca – quando eu era pequena\, eu e meu pai estávamos fugindo o tempo todo\, o que nos levava a comer em cafés baratos na maioria das vezes\, ele sempre comia ovos pochê\, dizia que só comeria ovos benedict quando ficasse rico\, por que eram chiques para pessoas como nós. Depois que ele morreu eu fiquei um tempo vivendo na rua até um homem me oferecer meu primeiro trabalho. Quando peguei o dinheiro eu me senti assim\, rica. A primeira coisa que fiz foi descer até o restaurante do hotel onde dormimos e pedir ovos Benedict\, tive que mostrar o dinheiro antes que eles fizessem.
Angelique falou tudo aquilo como se contasse sua rotina, mas a cada palavra me deixava mais horrorizado e eu nem sabia o que fazer.
- Bem\, podia ter dito que provou e gostou.
Ela abaixou os olhos para o próprio prato, nesse momento eu sabia que a havia chateado. E como sempre não sabia como resolver, levei meu pé mais para frente, tocando minha perna na dela, apenas para mostrar que estava à vontade na sua presença e ela recuou.
- Se não vai precisar de mim hoje\, pode me dar licença?
- Claro\, fique a vontade.
Angelique saiu da mesa como se fugisse de mim, seu Goblin a acompanhou e acabei ficando com a louça, mas isso teria que esperar.
Coloquei minha capa mais grossa para encarar o frio, dei uma passada rápida na porta de Angelique e mesmo sem entrar eu a ouvi chorar.
Meu coração se apertou, pensar naquela mulher linda e dócil chorando, era um pecado sem tamanho.
Sei que provavelmente eu era o maior culpado disso, mas preferi alimentar meu ódio com aquilo, afinal, eu e Blackback precisávamos ter uma conversa.
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Atualizado até capítulo 138
Comments
Nélida Cardoso
autora lindaaaa manda fotos pra nós /Rose//Rose//Heart//Heart//Kiss//Kiss/
2025-03-14
0
Mellika Duarte
queria ver ela
2024-11-10
1
Elizete Silva Viana
cadê a foto dela????
2024-08-07
0