Pov Angelique Lacey
O quarto que foi arrumado para mim às pressas tinha apenas uma cama de casal, uma escrivaninha junto a janela e um guarda-roupas escuro. Tudo parecia muito caro e muito sombrio também. Era como se o castelo de inverno do Drácula tivesse encolhido.
- Ele disse que deixaria dinheiro\, pode trocar esses moveis todos\, senhora.
- Não vou ficar aqui por muito tempo\, não sei se vale a pena – me aproximei da janela\, apenas vidro e na altura da rua\, sem nenhuma privacidade\, a neve ainda caia\, naquele momento eu só me sentia grata em ter uma cama quente finalmente – só vou precisar de cortinas.
- Estou arrumando a cama\, quantos cobertores\, senhora? – o pequeno era muito prestativo e fofo\, queria apertá-lo a todo momento.
- Quantos tiver.
Me animei, corri até a cama, me lembrando de tirar a calcinha antes de subir, a deixei pendurada no mastro da cabeceira, eu a vestiria de volta em pouco tempo. Imaginei que a posição que facilitava fosse de pernas abertas e barriga para cima.
- Pode apagar a luz para mim.
Lee obedeceu e se colocou em um banquinho ao lado da cama e juntos esperamos.
No escuro e no silêncio, a única coisa que eu podia pensar era naquele beijo, os lábios duros contra os meus, segurando firme até que eu não aguentasse me segurar, nem acreditei quando tentei beijá-lo de verdade.
Aquele era um casamento por conveniência, o que eu estava fazendo ao retribuir um beijo obrigado?
Christopher tinha grandes músculos que nem o terno nem o pesado sobretudo de inverno conseguiam disfarçar e dava para ver as tatuagens de matilha apontando em seu pescoço e pulsos, anos antes ele deve ter sido um soldado sanguinário.
- Não posso pensar nisso.
Me convenci a manter a cabeça no lugar, eu só precisava receber seu corpo sobre o meu como recebi tantos outros, engravidar e partir, levar minha gestação em uma fazenda calma do interior junto com as outras mulheres e entregar o bebê ao pai assim que nascesse, era nisso que eu tinha que focar, nisso e no pagamento que viria depois.
Era como eu arrumaria a minha vida. Pegaria um trem para o continente e buscaria qualquer cidade que ainda estivesse nas mãos de humanos.
Não sei quanto tempo se passou antes que eu pegasse no sono, o que importa é que ele não me visitou naquela noite, como disse que faria. Acordei frustrada, ainda na mesma posição, esperei por mais algum tempo, me sentindo mais patética no claro do que estava no escuro.
A porta da frente abriu e bateu com um rangido.
- Ele já está saindo?
Me sentei bruscamente, assustando Lee.
- Sim\, senhora. As aulas de combate começam cedo na Academia\, ele nem devia vir para casa\, por isso precisa sair tão cedo.
- Academia?
- Sim\, a escola que o Alfa abriu há uma década para ensinar costumes para jovens licantropos\, seu esposo dá aula de luta e defesa lá. É tipo um general\, os alunos o odeiam.
- Que seja\, espero que tenha deixado dinheiro\, preciso comprar cortinas – me levantei e passei pelo corredor a fim de acessar minhas malas\, quando fui surpreendida por um assovio engraçadinho de um transeunte que me viu pela janela da sala – várias cortinas.
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Atualizado até capítulo 138
Comments
Nélida Cardoso
Eta que tá bommmm vai ser uma leitura muito engraçada kkkkkkkkk
2025-03-14
0
Valda Martins
Kkkk muito bom
2024-08-14
1