Eu estou muito nervosa, Calebe me ligou para avisar que seus pais já chegaram em Ilhéus para me conhecerem, e para aumentar o meu sofrimento, meus pais darão um jantar essa noite para recebermos os meus futuros sogros. Eu os conheço apenas por fotos, eles moram em Salvador, meu sogro é político e minha sogra trabalha na secretaria de educação. Eu penso, se é somente no Brasil que ser político é profissão? ... Mas está tudo certo, se ninguém reclamou é porque concordam.
O irmão de Calebe não veio, esse pelo visto só vou conhecer no dia do casamento. Ele parece ser um pouco rebelde e não gosta muito de regras e protocolos, eu entendo bem essa situação, porque temos em casa um que é desse jeito. Elias meu irmão é a contradição em pessoa. Pensa num baiano tranquilo e folgado, esse é Elias.
Dou aula o dia todo e estou morta de cansada, chego em casa e arrumo algumas coisas enquanto o jantar é preparado pelas funcionárias da fazenda. Peço a minha mãe que não faça muita coisa e que não precisa esbanjar, pois Calebe me disse que seus pais são pessoas simples e muito conservadoras. Essas palavras gelam a minha alma, sinto que a qualquer deslize meu sonho de um casamento perfeito vai para o ralo.
Vejo meu irmão chegando da secagem do cacau, ele está sujo e suado e, sem camisa, é um verdadeiro índio, se deixar anda pelado por toda a fazenda. Minha mãe o manda tomar um banho, ele toma, mas continua andando pela casa sem camisa.
Elias tem vinte cinco anos e gosta de exibir seu corpo por onde passa, adora ser o gostoso do pedaço, e isso me dá vontade de pegá-lo pela orelha.
Está na hora de Calebe chegar com seus pais e meu irmão está andando pela casa parecendo um stripper. Ele não percebe que cresceu e seu porte físico chama a atenção por onde passa. As moças da fazenda perdem o juízo e ele já perdeu a vergonha faz tempo.
__ Elias por favor, vista uma roupa decente e se comporte perto da família do meu noivo.
__ Não esquenta, maninha! Eu não vou seduzir sua sogra, eu gosto mais das novinhas.
Bato em seu braço e zango com ele que sai rindo para o escritório da fazenda.
Fico na sala com meu pai esperando o meu noivo e meu coração está disparado, tenho tanto receio de minha sogra não gostar de mim e eu não ser o que ela sonhou para seu filho. Se eles demorarem mais um pouco será meu velório.
Ouço o barulho do carro Chegando na entrada da grande fazenda, chegam e tem uma linda moça com eles.
Calebe entra e eu o recebo com um abraço e apenas um selinho discreto, pelo, o que ele me falou seus pais acham exagerado e falta de respeito ficarem se agarrando na frente dos outros. Ele também está nervoso, evitamos ao máximo esse momento, mas agora é inevitável.
Sinto um clima pesado diante deles que estão me olhando de cima a baixo. Calebe nos apresenta, seu pai, sua mãe e a prima, que a família dele cuida e falam com muito orgulho de que ela é como uma irmã para Calebe.
Eu a cumprimento e percebo que é muito novinha, deve ter no máximo dezessete para dezoito anos. Depois de muita conversa eu pergunto se ela tem namorado, foi uma pergunta infeliz.
__ Pietra não tem namorado, ela mora conosco para estudar e ter uma carreira promissora. É uma menina pura e de bons costumes, não vai se iludir com o primeiro que aparecer.
Minha mãe a observa com um sorriso no rosto, a moça é tímida e muito recatada, parece até não ter língua, só acena com a cabeça e responde tudo educadamente como se tivesse ensaiado cada palavra.
Meu pai os convida a se sentarem, e assim o assunto do casamento começa e eles já me perguntam a respeito do meu trabalho e eu falo do meu cotidiano e, sou sabatinada por eles.
A moça em todo tempo olha em direção a outra sala eu estou incomodada com o que pode estar acontecendo para lhe deixar tão curiosa. Eu me levanto e caminho até atrás da jovem e ficando de pé em suas costas, eu tento manter a calma, quando olho na mesma direção que ela e pelo espelho que está na outra sala em sua direção eu vejo o que ela vê: Meu querido irmão, sem camisa e de calça de moletom, sem cueca, e sua saliência é notada a cada movimento de exercício que ele faz para alongar o corpo. É a visão mais sexy que um homem pode fazer, porém não é hora, nem lugar e principalmente se tratando de que ele é meu irmão.
Eu perco o fôlego pois se meus sogros verem tal exibição eu não sei o que será do meu casamento.
Eu continuo falando feito uma maritaca e prendendo a atenção deles a mim. Meus olhos correm de vez em quando no espelho e o vejo levantando os braços, e esticando o corpo. Se ele não parar eu juro que ele ficará esticado numa caixa de madeira lá no cemitério.
Ele desfila de um lado a outro da sala movimentando os braços e se alongando. Eu tenho certeza que se havia alguma inocência na jovem Pietra, essa já acabou faz tempo. A moça está vermelha e até babando.
Calebe percebe que tem alguma coisa errada e diz que vai à cozinha buscar uma água, minha mãe diz para ele ficar tranquilo que ela buscará. Ela passa por Elias e não se preocupa em chamar a atenção dele por estar semi nu e fazendo exercícios, simplesmente sorri para ele e bate a mão devagarinho em seu rosto em um gesto de carinho, como se ele tivesse sete anos. Ela traz a água e um café e os serve. Olho para Calebe que não entendi o que está acontecendo.
__ O jantar está quase pronto, é só aguardarmos mais um pouquinho.
Ela fala com naturalidade e quando olho novamente no espelho Elias não está mais na sala, respiro aliviada e dou um sorriso tranquilo para Calebe que corresponde sem entender absolutamente nada.
Mas o sossego dura pouco tempo, Pietra deixa o café cair na roupa e pede para ir ao banheiro lavar as mãos e limpar o vestido. Eu a mostro onde é o lavabo e a mesma diz que está tudo bem e que não vai demorar.
Salvo engano, ela demorou uma eternidade, até que eu vou atrás e a vejo se pegando com Elias, dentro do escritório do meu pai, meu corpo gela e minhas pernas tremem:
__ Elias, o que você está fazendo?
Falo baixinho ralhando com ele e a mocinha sai toda puritana, arrumando a roupa no corpo:
__ Eu, eu estava fazendo um exercício para alongar minhas costas e essa doida chegou passando a mão no meu peito e me beijando.
__ Você não é santo, pois depois que eles forem embora teremos uma conversa séria. Agora vá para seu quarto e vista uma roupa decente e não apareça no jantar de qualquer jeito.
Chego na sala e a mocinha está com cara de virgem santa, a sua tia tece elogios a ela como se estivesse vendendo uma imagem que só existe na ficção. Calebe concorda com tudo e diz que a prima é uma santa.
Como eles falam parece que não existe ser mais puro na face da terra.
Elias vem para o jantar e está igual a um galã de novela, nessa hora minha querida sogra já está quase casando sua sobrinha com o bom rapaz.
O jantar demorou mais do que o imaginado, eu contava as horas para terminar, mas minha mãe fez um banquete e eles não paravam de comer e dar ideias para o casamento, ao final o que era para ser um jantar simples virou um buffet de iguarias e os preparativos para um casamento simples está virando uma reunião do comitê político do nordeste.
Olho para Calebe que está apavorado, os únicos que podem nos salvar são os nossos padrinhos.
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Atualizado até capítulo 79
Comments
Lucia Carneiro
A prima é a santa do pau oco,sonsa de tudo! 🤣🤣🤣🤣
2024-09-19
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Grace 🌻🌷
Fobados😂🤣😅😂🤣😅
2024-08-20
0
Grace 🌻🌷
Tabate, se livrou duma 😅😂🤣😅😅
2024-08-20
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