Cheguei aos trinta e cinco anos com uma cabeça de sessenta, pois pensei que a vida seria mais fácil tendo um bom emprego, um carro do ano, uma boa casa e ganhando bem, mas pelo contrário me tornei um escravo do trabalho, crianças não tem hora para nascerem e muito menos dia, sendo assim, num hospital público do interior de São Paulo onde tem poucos médicos e uma população de mais de trezentos mil habitantes, não adianta romantizar a profissão, é muito trabalho e muito desgastante e muitas horas de sono perdidas.
Quando eu vi a possibilidade de ir para o casamento do Calebe, com um mês de férias na Bahia, não pensei duas vezes, pode colocar meu nome na lista, quero sombra, água fresca e de quebra algumas mulheres bonitas de companhia.
Eu não gosto de meninas novas e muito menos que ficam no meu pé, gosto de mulheres que se valorizam e sabem seu lugar. Aqui no hospital sempre tem uma ou outra dando em cima de mim e eu posso até ficar uma vez ou outra, mas não quero compromisso com ninguém , preservo meu direito de ser livre, leve e solto.
Estou sempre em contato com os meus amigos, que são meus irmãos de coração, moramos
por seis longos anos nas terras mineiras e dividimos o mesmo teto, e com isso passamos muitas coisas juntos, rimos e choramos várias vezes mas nunca nossa amizade foi abalada.
Sempre que posso saio com Alex e Bruno, são os que estão mais perto de mim, a folga que tenho estou indo para capital ficar de conversa com os dois, torcemos pelo mesmo time, gostamos das mesmas coisas, parecemos gêmeos de barrigas diferentes.
Minha família mora aqui no interior, assim eu já tenho um quarto no apartamento do advogado de família, ele já deixou pronto para qualquer um de nós chegarmos e ficarmos tranquilos. Eu e Bruno sentimos em casa quando vamos para a capital, Alex é um cara formidável, eu não sei se teria conseguido me formar se ele não estivesse me apoiando.
Os melhores e piores momentos da vida, passamos juntos, dividimos muito da nossa vida pessoal e profissional uns com os outros. Acho que posso viver mais cem anos e não vou encontrar pessoas como eles.
O casamento do Calebe nos pegou de surpresa, eu acho que não tem um ano esse namoro e o cara já quer se amarrar, muito corajoso da sua parte, faço votos que dê certo e ele seja muito feliz. Esqueci de perguntar o nome da noiva, mas se ele gostou dela, com certeza também vamos gostar.
Ligo para Bruno e marco de passarmos o final de semana na capital, Alex me chamou para olharmos o terno dos padrinhos, será uma ocasião especial e precisamos estar afinados para não fazermos feio. Ele topa de primeira, é a vantagem de sermos solteiros e não termos que dar satisfação a ninguém.
Sou Arquiteto e levo uma vida tranquila, sou de Salvador, mas moro em São Paulo desde meus dezessete anos, depois passei na federal de Minas e fiquei por lá seis anos, eu sou uma pessoa tranquila até demais, não gosto de fazer nada correndo ou em cima da hora, gostei da ideia de ser comunicado com antecedência e fiquei muito satisfeito por ter sido chamado para estar ao lado do nosso amigo nessa hora tão importante para sua vida.
Falou com antecedência e já me programei para estar lá na data marcada. Não vou poder ir um mês antes do casamento, mas uns vinte dias antes estarei lá.
Eu e o Sandro estamos chegando no apartamento do Alex e o clima já está diferente na capital, está frio e uma garoa típica desse lugar. Passamos em uma adega para escolhermos um bom vinho e alguns queijos da serra gaúcha, especiarias que as vezes acho que só encontro aqui fora do Sul.
Entramos no estabelecimento e tem um grupo grande de pessoas escolhendo o que levar e por descuido eu esbarro em uma linda mulher, com um ar empoderado e ao mesmo tempo meiga e gentil.
Ela me pede desculpas e eu a encaro para admirar seu rosto angelical.
Ela dá um sorriso e pergunta:
__ Algum problema, te machuquei?
Ela fala em meio ao sorriso que me arrebatou, Sandro me chama e me tira do transe:
__ Bruno, vamos! Já escolhi.
Ela me olha e eu a respondo:
__ Problema nenhum, mas nós já nos conhecemos?
Eu a estou admirando e dando a desculpa mais esfarrapada que já existiu e Sandro é novamente inconveniente:
__ Querido, vamos embora! Temos compromisso.
__ Eu acho melhor você ir, seu namorado está te chamando.
Eu fico em choque e tenho vontade de quebrar a cara do Sandro que tem essa mania de chamar a todos de querido:
__ Ele não é... meu namorado! É só um amigo.
Falo olhando para a linda mulher que pensa que eu sou gay. Me despeço e saio da loja emburrado e com vontade de bater em alguém.
__ Algum problema, Bruno? Você está esquisito.
__ Problema, Sandro? Você me chamou de querido na frente daquela gata, e ela achou que éramos um casal homoafetivo.
Ele dá uma risada e começa a desmunhecar dentro do carro em quanto dirige:
__ Não fica assim, amor! Um dia todos saberão que você saiu do armário. kkkkkk
Eu fecho a cara e ele está se arrebentando de tanto rir:
__ Fique você sabendo, que aquela mulher é linda e por um instante ela roubou meu coração e minha alma.
__ Então você tem que tomar cuidado, ela é, na verdade uma bruxa e você está perdido. kkkkk
Chegamos no apartamento e Alex está nos esperando, bravo por causa do nosso atraso, o nosso compromisso já começou e estamos perdendo de um a zero no jogo do São Paulo x Corinthians.
Sandro conta para ele a sua versão dos fatos e agora sou chacota dos dois que rolam de rir da minha cara:
__ Não se preocupe querido, a cidade é muito grande e você não vai encontrar novamente com essa mulher.
Infelizmente Alex tem razão, mas era o que eu mais queria agora, conhecer mais sobre essa bruxa e se possível beijar sua boca linda.
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Atualizado até capítulo 79
Comments
Sandra Maria de Oliveira Costa
🤣🤣🤣
2024-11-27
0
Hilda F.P Marchesin
Demet Ozdemir e Can Yaman São Lindos !!!!!
17/03/2024 19:57 PM
Domingo
2024-03-18
3
Rejane Azambuja
É muito bom sorrir no meio de um livro, sinal que o autor ou autora estão conseguindo colocar sentimentos em palavras,👏👏👏
2024-03-16
2