Carlota: Pensarei com cuidado, senhora. – Carlota não queria falar sobre aquilo ela já havia pensado muito e não encontrou uma resposta por este motivo preferia pedir tempo até ter uma decisão formada.
Ao decorrer da noite o local estava cheio de homens que estavam dispostos em mesas que podiam ser livres, sem nenhuma parede móvel os impedindo de ver os outros circularem no salão, enquanto as mulheres que estavam lá, eram senhoritas e jovens damas prestes a se casar, estavam em um local mais afastado onde poderiam se sentar confortavelmente atrás das paredes moveis que as separava dos homens e de outras mulheres, e assim sua presença não seria revelada e não causaria nada que prejudicasse seu futuro.
Havia um grupo de guardas que havia acabado de chegar e Tati ao vê-los ficou empolgada para saber se seu amado e desconhecido noivo estava ali no grupo. Ela estava tão empolgada quando viu alguns guardas do castelo que ficou a se perguntar qual seria o seu noivo e se ele era tão bonito quanto a sua senhora havia lhe falado, mas ela apenas ficava em silêncio esperando o dia em que poderia o conhecer.
Lorena: Olha para ela, toda vez quer ver homens do palácio decidi servi-los apenas como desculpa para descobrir mais sobre seu noivo, ou saber se algum deles conhece o homem. – Lorena falava com Carlota, enquanto olhava para Tati que servia os soldados de maneira despreocupada demorando mais que o necessário.
Carlota: E ele já veio alguma vez aqui? – Perguntou, pois não acreditava que ela fosse tão sonhadora ao ponto de se apaixonar sem conhecer o noivo pessoalmente.
Lorena: Não, ele nunca entrou aqui, mas já veio até a porta uma vez quando o general veio entregar uma ordem do rei há muito tempo. - Explicou e viu sua amiga retornando com o rosto triste. – O que foi? - Perguntou.
Tati: Bernardo está ferido. - Ela estava triste como se fosse a culpa dela. Carlota que olhava prometeu a si mesma não ter uma paixão deste jeito.
Carlota: Quem? – Perguntou, pois não havia ouvido direito o que Tati falou.
Lorena: O noivo que ela não conhece. - Lorena disse, fazendo com que a mulher lhe desse um olhar nada confortável, a outra vendo isso apenas deu um sorriso e falou. – Você deve ser mais racional Tati, espere pacientemente, em poucos meses você se casara e poderá levar uma vida feliz com seu amado, Bernardo.
Dado um tempo as luzes se apagaram dando início a abertura da dança principal executada pela mulher de vestido azul, porém ela estava com uma roupa diferente seu vestido agora era mais trabalhado e os bordados dele pareciam se iluminar quando em contato com a luz, ao término todos aplaudiram e Irene foi a próxima dançarina, ela tinha um vestido amarelo com mangas longas que iam até seus pés e com um único movimento já podia imaginar o quão lindo seria sua dança. Carlota percebeu que aquela dança não era típica da província, mesmo assim tinha alguns movimentos que se assemelhava.
Apesar da dança ser bela e muito encantadora era uma modificação da dança típica de sua vila, o que deixou Carlota triste, pois a dança de sua vila não era para demonstrar desta forma, teria que ter sentimento e contar a história de seu povo, mas aquela dança não tinha nada disto era apenas uma dança qualquer, bonita, mas sem sentimento.
O que tanto Carlota quanto Irene não sabiam era que sua mãe estava em um local na entrada observando a dança, em seu rosto demonstrava o quão feliz ela estava por ver sua filha fazendo o que gostava. Apesar de não ter gostado de como a dança de sua vila se tornou daquela forma sem sentimento, ela estava feliz por ter uma filha talentosa e linda como Irene.
Sra. Vallín: Senhora. - A mulher falou quando viu a proprietária.
Sra. Louise: Oi, você veio ver as meninas? – Perguntou e mandou alguém chamá-las.
Sra. Vallín: Sim, mas como elas estão ocupadas deixarei apenas um recado, a senhora pode entregar? - A mulher assentiu e pegou o envelope e uma sacola, que logo entregou para uma das suas servas que estava com ela no período da noite.
??: Carlota. - Uma das dançarinas a chamou para ir limpar a bebida que uma senhora havia derramado de proposito quando viu seu marido com o braço em envolta de uma das mulheres da casa de bebida, enquanto falava dela por esta acima do peso e que ela era a esposa oficial mais feia que ele poderia ter.
A jovem pegou o balde com água que ficava atrás do balcão e foi até a mesa, no entanto antes que chegasse ela viu alguém familiar na porta e sentiu-se triste e correu em direção a entrada da casa de bebida e viu que sua mãe estava conversando algo com a proprietária sobre ela e sua irmã. Ao ser chamada a jovem foi até o local e antes de chegar viu sua mãe, ela correu e deu um abraço na mulher que retribuiu.
Carlota: Mãe. – Ela estava com os olhos cheios de lagrimas, seu único desejo era dar um abraço em sua mãe e apreciar aquele momento.
Sra. Vallín: Não chore meu filhote, você tem que ser forte para cuidar de sua irmã. – A jovem estava a menos de um dia fora de casa e já estava sentindo saudades, mas ela estava crescida e em breve seus pais e a senhora arranjaria um casamento para ela, o que podia fazer a não ser, aceitar e ver qual seria o seu destino.
Carlota: Sei, mas não quero ter que ficar longe da senhora e nem do meu pai. – Ela falou com a voz cheia de sentimento.
Sra. Vallín: Sempre estaremos com você aonde, quer que você vá. Agora limpe estas lagrimas. - A mãe tentou acalmar a filha mais nova. Quando Carlota chegou ver que os olhos de sua irmã estavam vermelhos, mas não disse nada e falou com sua mãe, ela não podia falar com sua irmã agora ela sabia que desde que entrou na casa de bebida tinha começado a agir de maneira diferente, porém agora ela faria isso apenas para manter sua irmã longe de problemas.
Irene: Mãe o que faz aqui a essa hora? – A mulher olhou sua filha e abriu os braços esperando que a filha lhe retribuísse. Mesmo retribuindo Irene sentia que aquele seria o último abraço que poderia dar em sua mãe, já existia regras para uma dançarina conviver bem com as outras e consequentemente isso acabava afetando o círculo social de antes da fama.
Sra. Vallín: Você tem que cuidar de sua irmã quando seus pais não estiverem mais aqui. - A mulher estranhou o modo como sua mãe estava falando, será que havia acontecido algo.
Sra. Vallín: Não se preocupe, eu e seu pai estamos indo em uma viagem com nossos patrões, já enviamos a carta para seu noivo em breve ele virá te buscar. - A mulher deu um beijo na testa de suas filhas e se despediu, no entanto, a senhora da casa de bebida notou que nenhuma das jovens falou para a mãe sobre o que ela havia proposto a uma delas.
Sra. Louise: Espere, tenho algo para conversar com a senhora em particular. – Vendo que as jovens ainda estavam olhando para a mãe ela decidiu que o melhor era conversar com ela do lado de fora.
Vendo que sua mãe estava fora do seu campo de visão Carlota foi limpar a mesa e o chão enquanto Irene retorno para onde estava ao lado das outras dançarinas. Louise vendo que estava longe o suficiente olhou para a mulher na sua frente, ela tinha uma aparência cansada e seus cabelos estavam um pouco bagunçados, suas mãos estavam cheias de corte e algumas bolhas de queimadura. Podia notar que a vida era da mulher era difícil e cheia de novos desafios.
Sra. Louise: Sei que você e seu marido vieram aqui para proteger suas filhas e para que elas possam se tornar uma dama, mas como você sabe eu não faço favores grátis e como surgiu uma chance de ter uma das mulheres da minha casa no palácio para uma apresentação acho que uma de suas filhas seria adequada. - Ela tinha se afeiçoado com Carlota desde o início, por ela ser destemida e tinha um espírito livre além de ser bonita.
Sra. Vallín: Não sei, nunca desejei que elas fossem para o palácio, as mulheres lá vivem uma guerra para ver quem consegue obter o privilégio e atenção do rei ou de algum dos príncipes. - A mulheres estava certa, no palácio o rei tinha muitas esposas assim como os príncipes mais velhos e isso acabava gerando intrigas e até mesmo morte dos fetos em seu ventre ou da própria mulher.
Sra. Louise: Entendo, mas sua filha mais nova é a mais adequada e se for escolhida pelo príncipe general ela não precisará se casar com ele, mas enquanto isso ela pode ir à escola. – A mulher tentou convencer a outra.
Sra. Vallín: Sim, eu irei lhe dar uma resposta quando retornar daqui a uma semana por agora quero resolver a questão do casamento de Irene – Ela não queria que sua filha mais nova causasse mais problema e se ela entrasse no palácio seria um caos que ela não queria ver.
Sra. Louise: Entendo, esperarei sua resposta daqui a uma semana. - A senhora falou com a mulher que se despediu e agradecer novamente partindo em seguida.
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Atualizado até capítulo 64
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