Irene: Acorde Carlota, ou perderemos a carroça das três e meia.
Irene entrou no quarto que dividia com a irmã caçula e a chamou, ela foi até o pedaço de espelho que encontrou enquanto lavava roupas e começou a passar pó de arroz em seu rosto para que ela ficasse mais branca do que já era, após passar uma pouco ela pegou os grãos de urucu e misturou com um pouco de água pegando aquela tinta e passando em sua boca e depois limpou um pouco com o papel para que suavizasse a cor, ficando o mais natural possível.
Ela olhou mais uma vez e ficou contente em como estava tão linda, porém essa alegria passou quando ela viu que sua irmã continuava dormindo mesmo após sua tentativa suave de acordá-la.
Ela se levantou e foi até onde sua irmã estava dormindo, como eles não tinham dinheiro para ter uma cama ou algo parecido, dormiam em uma manta de algodão que a mãe delas fez e deu um chute e sua irmã a fazendo a rolar para o outro lado e abrir os olhos.
Irene: Acorde, Carlota. Estamos atrasadas por sua culpa, ande logo, pois eu não quero perder este emprego e desistir da minha carreira de cantora por sua culpa.
Ao abrir os olhos, Carlota teve um pouco de dificuldade para se acostumar com a luz do candieiro que Irene havia colocado em uma mesinha que ficavam as coisas dela.
Olhando em volta ela percebeu estar no quarto que dividia com a irmã mais velha, na verdade, não era bem um quarto porque na casa não havia, e como eles não tinham condições de construir cômodos no terreno, então apenas dividiram com tecidos de bananeira que eles mesmo confeccionaram, no total era dois quartos e uma cozinha o banheiro era do lado de fora mesmo assim se chovesse eles teriam que se banhar na chuva sem nenhuma proteção.
Carlota: Que horas é?
Carlota perguntou a irmã que estava puxando as mantas que a cobria para poder guardá-las.
Irene: Você tem apenas cinco minutos para se arrumar e sair.
Ela mentiu, pois, esta era a única maneira dela fazer a outra sair da manta que ela tentava retirar da irmã para fazer um rolo e amarrá-lo e guardar.
Carlota: O quê? Devo ter dormido muito novamente, me desculpe.
Levantou da cama e pegou o vestido que separou no dia anterior e vestiu, era um vestido simples e bem comum porem era sua melhor roupas.
Deixou sua irmã no quarto e correu para o quintal, onde faria sua higiene matinal escovando os dentes com uma mistura de carvão com sabão que sua mãe havia feito a dois dias que ajudava a deixar os dentes limpos e branco, deixando os dentes de início pretos e completamente feios, contudo após lavar a boca algumas vezes seus dentes ficavam completamente limpos e brancos.
Irene: Rubi, vamos, o papai está nos esperando lá fora.
Como Irene já tinha terminado de se arrumar, ela chamou sua irmã que estava do lado de fora da casa, enquanto ela estava na porta com o candieiro na mão tentando protegê-lo do vento frio que fazia do lado de fora.
Carlota: Onde está a mãe?
Carlota nunca via sua mãe direito, quando a mulher chegava do trabalho já era tarde da noite e ela estava com bastante sono esperando-a e pela manhã ela sempre saia muito cedo.
Irene: Ela pegou uma carona com a vizinha que foi se consultar com o médico. Além disso, a senhora que ela serve disse que ela deveria chegar cedo, por ir receber uma entregar de tecidos para fazerem roupas novas para os mais novos.
Irene falou com a irmã que estava a olhando do lado de fora enquanto limpava o rosto com sabão.
Carlota: Então desta vez ela mandará roupas velha para a mãe poder nos vestir no inverno.
Ela fez uma pausa para jogar água em seu rosto retirante toda aquela espuma de seu rosto.
Carlota: Espero que desta vez ela não mande aquelas roupas de homem, pois tive que cortá-las e costurar todas para que ficassem mais femininas.
Ela exclamou sua frustração com as vestimentas que sua mãe ganhou da senhora a quem servia.
Irene: Espero que tenha terminado suas lamúrias, agora vamos que esta carruagem vai para a vila três e nós não podemos perder.
Irene já estava agoniada, porque ela não gostava de chegar em cima da hora no ponto que pegava a carruagem, mas como tudo na vida dela era complicada e sempre que chegava no local já tinha muitas pessoas esperando, mesmo se ela acordasse cedo sempre havia alguém lá antes dela.
Vendo que sua irmã se afastava, Carlota correu para dentro da casa com o rosto molhado, pegou uma toalha que estava no tamborete de madeira que o pai dela fez com uma laranjeira e enxugou seu rosto, antes de sair pegou suas roupas e colocou no saco foi até a mesa de coisas de sua irmã e passou um pouco da água de orquídeas para lhe dar um cheiro agradável.
Ao sair do quarto improvisado ela passou pela cozinha e pegou um pedaço de pão de trigo e foi em direção a porta de entrada da casa, chegando lá ela viu que sua irmã estava na porta de cara emburrada, como se isso fosse uma novidade, já que Irene sempre ficava emburrada quando ela demorava de sair de casa, apesar que às vezes era compreensível como hoje que ela acordará tarde e estava atrasada para pegar a carroça que os levaria a vila mais próxima de onde elas trabalhariam.
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Atualizado até capítulo 64
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