Já não estava mais chovendo, estava frio, o céu estava limpo de estrela já havia mudado de vapores e eu continuava ali.
Eu queria entrar, queria achar um jeito de recomeçar a vida mais tinha medo, tinha medo porque foi no maldito morro que minha vida virou um verdadeiro inferno!
O quem me dera que isso não iria acontecer novamente? O medo tava sempre ali, toda vez que eu tomava coragem eu perdia, porque as lembranças vinha em minha mente.
Eu estava cansada psicologicamente e fisicamente, mais o que eu poderia fazer? Nada. porque nada iria mudar essa situação. eu não conseguia simplesmente romantizar uma situação que eu sabia muito bem que não tinha como melhorar, e o pior é se vai melhorar...
As vezes minha mente virava meu próprio inimigo, sempre me judiando com lembranças e palavras e por mais que eu tentasse era inútil. porque minha mente não me obedecia, todas as vezes ela me torturava com lembranças que eu não queria lembrar.
As vezes desejava ter o poder de apagar da minha mente, todo meu passado doloroso, queria ter um lapis da vida, que escrevia tudo novo em minha vida, queria escrever uma nova história. queria tantas coisas, coisas que eram impossíveis de eu conseguir assim, de um dia para outro. me perdi em mim mesma, eu tentava me reencontrar.
— como você se envolveu com o tráfico?— perguntei pro branquinho que estava do meu lado e que tinha tentado puxar um assunto comigo.
— necessidade mina, e também porque adoro uma aventura tá ligado? — falou soltando a fumaça do seu cigarro.
Suspirei fundo tentando espantar qualquer tipo de pensamento que me faça envolver com esse mundo, minha barriga doía de fome, mais eu apenas tentava colocar que era tudo psicológico.
— desde que trocamos de turno tu tá aqui parada olhando pro nada. qual foi do caô ? Perguntou novamente agora sentando do meu lado no pequeno muro que tinha ali.
— nada muito especial. — falei fria, olhando agora dessa vez pro seus olhos.
Ele era bonito, olhos verdes, boca meio carnuda, dentes alinhado e rostinho de bebê sem nenhum sinal de barba.
Mesmo no frio ele estava sem camisa, mostrando sua barriga definida e uma blusa de frio por cima com o zíper aberto, o que deixava a mostra sua barriga.
No peito estava escrito Emanuel, bem pequeno mais que estava bem visível.
— eu estava passando porque, vi seus amigos e pensei porque não fazer companhia nesse tempo tão frio e cinzento — completei dando de ombro e ele riu entendendo a situação.
O dia já estava amanhecendo você já notava pessoas saindo pra trabalhar, padaria que tinha ali perto sendo aberta e pessoas sentando ali pra tomar seu café da manhã.
— você não pensa em sair disso? — perguntei olhando pra ele, e ele nega com a cabeça.
— não penso não tá ligado? Ganho um dinheiro bom que dá pra ajudar meu filho, minha mãe e minha mulher tendeu? E eu também gosto dessa vida pô.— disse confiante me fazendo concordar com a cabeça.
As vezes as pessoas não entende que aquilo é o único sustento que uma pessoa pode ter. de um jeito errado? Com certeza. mais é o jeito que eles coloca comida na mesa, e mata a necessidade dos que amam.
Muitas pessoas julga, mais pouco sabem o que as pessoas que vivem aqui passam. É errado a forma deles de construir um futuro? Sim, é errado. mais é aquilo que te abraça quando todos te vira as costas.
— e você porque está na rua? — perguntou arrumando seu fuzil nas costa e eu não respondi, eu não conseguia, apenas observei o nascer do sol enquanto percebi que ele esperava por uma resposta. — entendi não quer falar sobre. — falou e eu concordei ainda olhando o sol que estava começando a esquentar logo cedo.
— tem coisas que não tem necessidade ficar falando, e muito menos lembrando. — falei me levantando. — até uma hora. — falei descendo o morro fingindo não escutar ele me chamando.
Continuei seguindo aquela estrada de terra na maior paz, meus pensamentos voava longe, mais eu tentava evitar qualquer coisa que me fizesse ficar mal. Eu conseguia entender que eu merecia, mais que eu não merecia está passando por isso. porém, nem tudo era como a gente merece e quer..
dizer que estar bem, sem estar bem, isso não funcionava comigo, talvez com outras pessoas, mais não comigo.
Não posso mentir sobre o que sinto...
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Atualizado até capítulo 58
Comments
Belminha Lins Belminha
Com toda vivência como leitora de romance acredito nunca ter visto um protagonista numa situação tão desfavorável desse jeito... Só Jesus na causa.
2024-12-20
3
Maria Izabel
bem tem como comentar uma situação dessa com as pessoas espero que Beatriz encontre pessoas que possam ajudar ela a se reencontrar com ela mesma
2024-09-15
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Angel Caldas
Acho que no momento ela já está anestesiada de tamanha dor, que maldade, coitada😢
2024-09-08
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