Capítulo 6
- Não! Está maluco? Combinamos que não teria beijo! - falei nervosa.
- Eu sei Maia, mas quer que alguém descubra que estamos fingindo? Vai ser tão ruim e humilhante tanto para você quanto para mim!
- Não sei...
- Qual é Maia, só um beijo! Parece até que nunca beijou antes! - ele falou e eu fiquei quieta, ele me olhou e franziu as sobrancelhas - você... nunca beijou ninguém?
- Não... - falei meio sem graça
- Uau Stevens! Por essa eu não esperava, você é tão bonita e legal... - ele falou isso e me fez corar ainda mais.
- Pois é... - foi tudo que consegui dizer.
- Bom, isso explica seu termo sobre não beijar, mas eu não quero que seu primeiro beijo seja na frente daqueles curiosos! - Theo disse se aproximando e segurou com delicadeza meu rosto. Faltou ar nos meus pulmões.
Theo aproximou sua boca na minha, ela estava gelada por fora, devido ao frio, mas assim que ele abriu os lábios, os senti quente em cima dos meus. Ele os moveu devagar e eu me abri para ele, com medo e tremendo um pouco. O que estávamos fazendo?
Theo desceu uma de suas mãos para minha cintura e aprofundou o beijo, colocando sua língua na minha e um arrepio percorreu meu corpo. Seus lábios se moviam lentamente e logo eu peguei ritmo e o acompanhei. Theo se afastou um pouco e senti sua respiração se misturar com a minha.
- Espero que tenha sido bom! - ele disse baixo e agora segurava minha cintura com suas duas mãos.
- Sim, obrigada! - falei e ele soltou uma gargalhada.
- Nunca tinham me agradecido depois do beijo, mas de nada! Quer entrar? - ele perguntou
- Pode ser! - falei nervosa.
- Não precisamos nos beijar na frente daquele bando de idiotas! Vamos beber algo e ficar por lá um tempo, depois vamos embora! - Theo disse pegando minha mão e entramos.
Ainda bem que não precisei beijar ele na frente de todos, eu não queria mesmo fazer isso, apenas para provar algo para alguém.
Nós entramos e ficamos sentados num sofá, conversamos com uns colegas de time do Theo, até que aqueles eram legais. Depois tiramos umas fotos no celular dele. Ele pediu para postar no instagram e eu deixei, o que me surpreendeu foi o que li “a melhor coisa foi reencontrar você” seguido por um coração do lado da sua frase.
Eu sabia que era tudo para fazer ciúme para a Olga, mas não pude deixar de pensar que se fosse real seria...
Não seria nada, não era real!
Theo me deixou em casa às onze e meia da noite. Meus pais já estavam dormindo, ou seja, eu poderia ter chegado a qualquer hora, eles não teriam notado.
Em cima da bancada da cozinha, notei três garrafas de vinho vazias. Minha mãe, cada vez mais, parecia ir para o fundo do poço.
Na manhã seguinte, acordei com um barulho na minha janela, olhei a hora e eram recém oito horas de um sábado.
Levantei da cama, ainda sonolenta e abri a janela, era o Theo.
- Desce! - ele disse baixo, mas consegui ler seus lábios e ele fez um movimento com as mãos para que eu descesse.
- Pra que? - perguntei baixo o encarando.
- Hoje é sábado, dia de sorvete! - ele falou como se fosse óbvio.
- Mas são oito horas da manhã! - falei
- Desce logo Stevens! - ele falou e colocou suas mãos na cintura. Eu sorri e pedi uns minutos.
Coloquei um jeans e uma bota de cano alto, mas sem salto e peguei meu casaco, mas ouvi mais uma pedra na minha janela.
- O que foi? - perguntei a ele.
- Desce pela janela! - ele falou
- E por que eu faria isso?
- Pelos velhos tempos! - ele disse sorrido.
Respirei fundo, peguei minha bolsa e decidi que seria mais emocionante pela janela do segundo andar. Escorreguei pelo telhado, depois desci pela viga de madeira e Theo me ajudou a colocar os pés no chão.
- Me senti com dez anos agora! - disse ele.
- Você é maluco! - falei
- Não gostou? - ele perguntou erguendo as sobrancelhas e eu sorri e dei um tapinha no seu braço.
- Cadê o seu carro? - perguntei.
- Carro? Ah não, hoje vai ser tudo como nos velhos tempos! - ele falou e apontou para duas bicicletas encostadas do lado da minha casa.
- Onde conseguiu elas? - perguntei, afinal ele tinha acabado de chegar na cidade.
- São dos meus pais, eles nunca usam, achei que seria legal!
- Sim! Vamos! - falei correndo até as bicicletas! - eu fico com a preta e você com a rosa! - gritei enquanto corria, peguei a bicicleta preta e disparei.
- Não vale Maia, você trapaceou! - ele disse vindo logo atrás com a bicicleta rosa de cestinha na frente.
- Quem chegar por último é mulher do padre! - falei pedalando mais rápido.
Mas como esperado, Theo me passou em seguida, ele tinha pernas muito maiores que as minhas. Quando chegamos, deixamos as bikes presas ao lado da sorveteria. Entramos e sentamos na mesma mesa de quando tínhamos dez anos. Depois pedimos o sundae super duplo, com combo de batata frita e refrigerante, que pedíamos sempre que vínhamos aqui.
- Está tudo igual a seis anos atrás! - ele disse
- Sim, por isso gosto de vir aqui, é a única coisa que nunca muda! - falei e ele segurou minha mão.
- Se um dia, quiser me falar sobre o que aconteceu sobre seu irmão, vou querer ouvir, lembro que ele adorava vir aqui! - ele disse e eu suspirei.
- Um motorista bêbado o atropelou na faixa de segurança, em frente sua escola - falei de repente e Theo apertou os lábios, os deixando numa linha fina.
- Ele foi preso?
- Sim, mas cumpriu um ano e depois conseguiu sair e está respondendo em liberdade!
- As leis são uma piada, aposto que ele tem dinheiro!
- Sim, ele tem!
Nosso sundae chegou junto com as batatas e o refrigerante. Nós passamos a batata frita no sorvete e depois comemos. A atendente ficou apenas nos observando, como se fossemos loucos.
- Eu to muito cheio! - Theo disse passando a mão na barriga e jogando sua cabeça para trás.
- Eu também! - falei e nós dois sorrimos.
- Péssima ideia vir de bicicleta! - ele falou e fez careta.
- Pois é, agora vamos ter que pedalar de barriga cheia! - falei
- Mas a gente fazia isso aos dez anos, o que mudou agora?
- Parece que estamos ficando velhos! - disse a ele
- Muito velhos! - ele falou e rimos novamente.
Voltamos para casa empurrando as bicicletas.
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Atualizado até capítulo 61
Comments
Isabel Esteves Lima
Relembrando a infância.
2025-03-05
0
Valeria Grossi de Almeida
Amor de infancia, lindos
2025-03-01
0
Ana Lúcia De Oliveira
estou amando a história, um amor de infância 🤩🤩 será descoberto na adolescência
2024-11-13
0