Themis observava o mar calmo do mediterrâneo o perdida nos seus pensamentos. Refletia sobre a situação que vivia com ele. O seu coração se apegava a Ângelo a cada dia que passavam juntos. Uma semana havia se passado de convivência diária, tempo suficiente para ele derrubar todas as suas defesas construídas em anos. Era uma mulher feita com 32 anos de vida cuja prioridade era combater o crime organizado. Não havendo nos seus dias espaço para sentimentos e afeto. Estava a um passo da prisão definitiva de Alexander.
A Rússia havia pedido a extradição dele de modo a livrar das condenações de crime contra a humanidade, mais o seu pedido foi negado pelo ministério da justiça. A negativa havia custado seu cargo na corte e sua cabeça foi posta a prêmio. Os tentáculos da máfia estava em todos os lugares e da Grécia, a crise financeira acabou abrindo portas para o crime organizado. Dimitri tinha aliados em cada escalão do governo, baratas e ratos que manipulavam as leis para distorcer a justiça. Graças aos remanescentes honestos do alto escalão do governo não havia sido posta para fora da justiça, parte disso era o legado do pai simbolo nacional de honestidade. Desde, que iniciou a carreira era comparada a ele uma máquina de combate ao crime organizado. E era isso que ela tinha em mente limpar as ruas de seu país da máfia e da exploração do mais fraco. Odiava a injustiça e sede por ela a tornava um mostro no judiciário, capaz de achar cada brecha no sistema, as burlando usando as estratégias do crime contra ele mesmo. Era uma besta contra os bandidos que a temiam quando juiz e na promotoria não era diferente. Sua vida era voltada para trazer justiça a esse mundo cruel e a honrar o legado do pai.
Olhou para Ângelo, que estava do outro lado do convés de braços cruzados a fitando com intensidade. O seu peito ardeu, pois, queria aquele homem para si na mesma intensidade que almejava a vingança contra aqueles que ceifaram a vida do seu pai.
Sabia que não podia manter aquela situação por mais tempo. Perdia o foco de sua vida que é vingar a morte de seu pai e promover a justiça em seu país. Por mais que o desejasse, ele era seu calcanhar de Aquiles. E não podia se dar ao luxo de pôr a vida de outra pessoa em risco. Por isso não tinha amigos ou contato com as parcas pessoas do seu núcleo familiar. Era sozinha em sua determinação de fazer justiça.
Seu coração doeu ao saber que havia rompido a primeira regra que estipulou para si de não se apegar ou se aproximar. Também sabia que Ângelo tinha o direito de recomeçar sua vida longe dela que era o alvo de retaliações da Máfia Russa. Daria a ele a oportunidade de reconstruir sua vida de maneira autônoma. Mesmo que isso custe o seu coração.
Ângelo compreendeu que ela havia decidido a respeito de ambos. Sentia uma estranha conexão com ela. A respeitava e admirava pelo modo de agir e pela fibra de caráter. Mais algo o incomodava, o seu desejo cedendo de vingança que a transformou em uma mulher fria sem afetos. Marchou até ela encostando na grade de proteção ao seu lado tocando seu rosto com a mão executando uma carícia.
_ O que a preocupa?
Disse ele fitando os olhos dela que tentavam dissimular o que sentia.
_ Como sabe que estou preocupada?
Disse ele fitando os olhos dela que tentavam dissimular o que sentia.
_ Como sabe que estou preocupada?
Perguntou ela se virando para ele que a segurou pela cintura.
_ Pelo seu olhar. Diga o que lhe aflige!
Exclamou ele abraçando com ternura acariciando suas costas com as mãos.
_ Ângelo já faz dias que tenho refletido sobre a sua situação.
_ É isso!
Falou ele compreendendo que ela faria de tudo para o afastar de si.
_ Tem o direito de reconstruir a sua vida de maneira autônoma sem depender de ninguém!
Exclamou ela com tranquilidade.
_ Já planejou tudo, não foi?
_ Sim.
_ Quando partimos?
Perguntou ele fitando o mar.
_ Hoje.
Disse ela.
Ambos ficaram em silêncio perdidos nos seus próprios pensamentos. Mal sabia ela que ele não permitiria ser descartado tão facilmente.
Passaram o resto da tarde em silêncio e no cair da noite partiram para Creta.
Assim que chegaram na ilha, rumaram de forma anônima para um bairro afastado do centro no qual havia alguns prédios de apartamentos populares. Desceram do carro ela cobriu a cabeça com um capuz preto da blusa escondendo o rosto e de forma rápida seguiram para dentro do imóvel pegando as escadas chegando ao terceiro andar que entraram no imóvel, Ângelo notou o ambiente organizado mobiliado para ele. Era um ambiente frio, sem vida e alma diferente do barco que a pouco tinha como lar.
Themis o fitou com olhos vazios e falou:
_ Na gaveta do criado mudo ao lado da cama tem uma carteira com seus novos documentos e ao lado um pacote com uma reserva de dinheiro para viver três meses com tranquilidade. Deixei pago o aluguei deste imóvel por 6 meses de modo a lhe garantir um período para se estabilizar.
A geladeira está cheia e o armário de mantimentos. No guarda-roupa encontrará roupas e sapatos.
_ Organizou tudo para me dispensar?
Ela o fitou com olhar duro e falou:
_ Sou um alvo ambulante. Todos que estão próximos de mim, correm perigo de vida. Já quase sucumbiu uma vez, não vou colocá-lo em risco novamente.
_ Você acha que tem direito de escolher por mim?
Perguntou ele se aproximando dela.
_ Não seja tolo. Tem a chance de recomeçar a vida com tranquilidade. Pode recuperar a memória a qualquer momento, para tal precisa de paz. Estar ao meu lado significa riscos a sua integridade e está decidido não o colocarei em tal situação.
Disse ela se afastando dele seguindo para porta.
_ Adeus!
Exclamou a mulher correndo porta afora, deixando o homem que deseja para si para trás.
Ângelo caminhou até a sacada vendo a mulher fugir com o carro.
Respirou fundo e olhou para noite afora e com um sorriso no rosto falou:
_ É o que pensa, minha cara!
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Atualizado até capítulo 30
Comments
Joelma Oliveira
vida difícil essa deles. qdo ela descobrir quem é seu salvador...
ansiosíssima pelo desenrolar da história
2022-11-18
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