A noite Sophie Lavie volta da empresa, ela estava cansada de tanto trabalhar, e pela primeira vez em alguns dias ela foi direto para o seu quarto, o quarto principal. Laura havia pegado no sono, então Sophie a cobre e vai tomar um banho, usando o banheiro do seu quarto, ela queria aproveitar a banheira para relaxar.
Quando ela sai, observa Laura ainda dormindo e pensou que talvez estivesse tudo bem em deitar ao lado dela.
- Você finalmente chegou.
Laura sussurra a abraçando.
- Eu não queria ter te acordado.
- Eu não fiz nada o dia inteiro, meu sono está super leve.
- Sobre isso, amanhã você quer ir comigo conhecer a empresa?
- Sério? Eu adoraria!
- Então você vai comigo amanhã. Como foi hoje com a doutora Lilian?
- Ela disse que eu fiz progresso e melhorei bastante.
Laura falava enquanto se aconchegava no corpo de Sophie, deitando a cabeça no seu ombro.
- Fico feliz em ouvir isso.
- Ela também me disse para ficar de olho em você, tem trabalhado muito.
- Em mim? - Sophie começa a rir. - Não precisa se preocupar comigo, eu quase nunca fico doente, e tenho uma empresa, minha rotina já é ocupada o bastante.
- Mesmo assim, eu também me preocupo, quero que se alimente melhor, as vezes... Você sai sem nem mesmo tomar o café da manhã.
- Que linda! Você está preocupada comigo? - Sophie beija a garota no rosto. - Quando eu saio sem tomar café da manhã, é porque eu tomo lá na empresa. Amanhã você vai ver por si própria. E sobre a nossa conversa de manhã, eu também te amo.
Sophie acariciava o rosto de Laura enquanto falava. Ela parecia estar com muito sono, pois havia dado várias entrevistas e feito muitas coisas na empresa. Laura se lembrava da conversa com a doutora Lilian, ela queria saber mais coisas sobre Sophie e a família dela. Mas estava sem jeito de perguntar algo tão pessoal assim, então ela pensou em uma estratégia, na troca do equivalente.
Se ela desse algo de si mesma para Sophie, talvez recebesse algo do mesmo nível de volta. O seu passado, o passado que ela nunca contava para ninguém. E foi pensando em coisas assim que a garota começou a falar timidamente.
- Eu estava pensando, estamos namorando e você não sabe nada sobre a minha vida.
- O seu passado deve ser muito doloroso, você pode começar a fazer a sua vida a partir de agora, e se for assim, então eu te conheço. - Sophie disse já pegando no sono.
- Sim, o meu passado é doloroso. Mas faz parte de quem eu sou também, as coisas ruins não podem ficar para sempre debaixo do tapete. Eu quero te contar sobre como a minha vida era.
Sophie não diz nada, era como se aquelas palavras tivessem a atingido em cheio. Ela apenas continua em silêncio e espera Laura continuar a falar.
- Eu não cheguei a completar o colegial, eu saí de lá com 15 anos, não porque eu odiava a escola, mas porque eu odiava a minha escola. A minha cidade, era uma cidade em que o tráfico e o crime comandavam tudo. A polícia fazia vista grossa ou era facilmente subornada. E foi por esse mesmo motivo que eu saí do meu primeiro emprego, uma lanchonete da região, o lugar era bom, mas o meu chefe me assediava quase diariamente, até que um dia ele foi longe demais querendo me pagar para ser a amante dele, e eu saí de lá.
Sophie a olhava como se não acreditasse no que ouvia, realmente existiam pessoas que viviam daquela maneira?
- Você deveria ter denunciado ele.
- As coisas não eram tão simples assim, naquela pequena cidade, quando não se tem dinheiro você não vale muita coisa, e suas palavras também não. Por isso, eu nunca tive coragem de fazer nada, quer dizer, eu fiz uma coisa que foi sair de lá, e não me arrependo disso.
- Mas, o que os seus pais acharam disso?
- Você sabe que eu odiava a minha casa, minha mãe... Uma alcoólatra que mal se aguentava em pé, e eu nunca cheguei a conhecer o meu pai, a única coisa que eu sei dele é que ele tinha olhos azuis como os meus. E a minha mãe parecia odiar isso, ela dizia que nem precisava se esforçar para lembrar dele, porque já fazia isso toda vez que me olhava. Eu realmente não pareço em nada com ela.
- Deve ter sido difícil, eu também não tinha uma boa relação com a minha mãe, mas era totalmente diferente. Pensando agora, eu acho que ela era até boa demais para mim.
Sophie falava como se agradecesse por sua mãe ter sido apenas uma vilã julgadora em sua vida. Afinal, nunca lhe faltou nada.
- Mas eu não fugi de lá por ter uma mãe alcoólatra e que não me dava atenção. Foi pelo meu padrasto, ele nunca agiu como um pai para mim, e eu também nunca esperei isso dele. Mas, quando eu completei 17 anos ele parecia até outra pessoa, no começo eram apenas olhares que me incomodavam, no entanto, com o passar dos dias ele parecia me vigiar, por isso eu nunca me senti bem lá...
- Você sabe que não precisa continuar essa conversa, se isso te machuca não vamos falar sobre isso.
- Mas, às vezes é necessário falar sobre as coisas que nos machuca também, assim podemos curar essa amarga ferida e seguir em frente.
Naquele momento Sophie percebia como Laura era corajosa em contar sobre coisas assim.
- Acontece que... Assim como o meu antigo chefe, meu padrasto passou dos limites e tentou...
Laura tentava ser forte, mas não conseguia evitar as lágrimas em seu rosto, ela apertava com força o corpo de Sophie, enterrando o rosto em seu pescoço.
- Ele fez algo com você? Porque se fez eu vou denunciar ele, você diz que as suas palavras não têm valor, mas aposto que as minhas valem muito. Eu acabo com todos eles em instantes, o seu antigo chefe, a sua escola, o seu padrasto, basta falar, ouviu?
Sophie tentava a confortar de todas as maneiras, ela também se emocionava muito vendo a pessoa que amava tão vulnerável assim.
- Ele não conseguiu o que queria porque eu fugi, naquele mesmo dia a minha mãe disse que a culpa tinha sido minha. Ela nunca acreditou em mim, agora você entende como era impossível eu continuar lá? Eu tive que desistir de tudo, porque não havia mais lugar para mim, em nenhum canto daquela cidade.
- Eu não sei o que dizer, sinto muito por ter passado por coisas assim.
Sophie era uma pessoa forte que raramente chorava, mas desde que conheceu Laura ela parecia ter ficado mais frágil, mais humana, pois ela chorava e queria que aquela dor passasse. O que era irônico porque a dor, nem mesmo era dela.
Vendo como Sophie havia ficado abalada, Laura decide não continuar essa história. Ela deixaria as conversas sobre a sua vida e de quando chegou nessa cidade para outro dia. Ou talvez para nunca.
- Não precisa fazer nada, foi bom falar isso para alguém e não ser julgada por isso.
- Não importa o que outras pessoas disseram a você. Você não teve culpa de nada do que te aconteceu, entendeu?
Elas se abraçavam e se consolavam, e aquilo pareceu bastar. Não precisava mais de palavras. Parece que hoje Laura não iria ouvir sobre o passado de Sophie, já bastava de momentos dolorosos. Mas aquilo, de alguma forma deu coragem para Sophie, e com certeza um dia ela contaria tudo sobre ela também.
Minutos se passaram e parecia que nenhuma delas estava com sono, estavam apenas em silêncio enquanto Sophie acariciava o cabelo de Laura. Quando de repente ela pareceu se lembrar de algo, ela levanta da cama e vai até à bolsa que havia levado para a empresa. Pega uma pequena caixa e volta para cama.
- Eu comprei outra coisa para você hoje.
Laura ouvindo isso senta na cama.
- Espere! - disse Sophie - Antes que me olhe com esse olhar de desaprovação por ter comprado novamente outra coisa. Agora você é minha namorada, e se vamos fazer isso tem que ser do jeito certo.
Naquele instante Laura parece entender tudo, entendeu o que tinha exatamente dentro daquela caixinha. Eis que ela dá um sorriso, e segura a pequena caixa nas suas mãos.
- Agora estamos em um relacionamento oficial. - Disse Sophie. - Eu quero ser a pessoa que vai te proteger, ser a pessoa que você pode confiar para contar qualquer coisa, e ser a pessoa que vai fazer os seus dias melhores. Eu quero ser aquela pessoa que te faz pensar: a minha vida ficou bem melhor a partir do momento que eu te conheci.
Laura sorri e a abraça forte.
- Você já é essa pessoa, Sophie! E você fez isso literalmente desde o primeiro dia em que eu te conheci.
O beijo aconteceu naturalmente, um beijo lento, mas intenso, a respiração quente chegava em seus lábios e durou até ambas ficarem sem folego. Unidas em um longo beijo que significou o começo de uma história de amor. Uma história que na verdade já havia começado, mas que ainda estava incerta.
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Atualizado até capítulo 143
Comments
Mika Nakashi
❤️ Passando para desejar uma ótima leitura! Não esquece de comentar e curtir o capítulo!!
2023-09-01
9
Games5523
🥹🥺
2022-09-17
7
Kelly fernanda Da Silva Lima
aí que lindo 😍
2022-08-04
3