Vou dedicar a música Mirage da Owlle a este capítulo, que foi my best friend para escrever.
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Voltamos o nosso olhar para Laura Rodrigues que se encontrava no quarto, em um turbilhão de emoções. O cansaço acumulado de anos de uma vida insatisfatória a empurrava para uma decisão drástica. Ela olhava ao redor, encarando as paredes vazias e o ambiente sufocante, sentindo-se aprisionada em sua própria casa.
Ela fazia sua mala neste exato momento para ir para a cidade grande. A noite anterior havia sido o estopim de toda a sua angústia. Ao voltar para casa, Laura se deparou com o som das garrafas de álcool se chocando e o cheiro forte de bebida enchendo o ar. Rogério estava completamente entregue ao vício, e tentou agarrar Laura colocando suas mãos na cintura dela.
– Que merda está fazendo?
Ela o empurrou, mas ele insistia em toca-la.
– Vai se fazer de difícil agora? Eu saquei a sua garota, vi como me olha.
– Me solta! Você me conhece desde os meus 13 anos, é nojento!
– Mas olha para você agora, está uma baita gostosa.
Ele estava claramente bêbado, ou talvez fingia estar. Laura já pensava em se defender com a primeira coisa que encontrasse, ele avança e a abraça de maneira bruta. Foi quando a sua mãe aparece, bem neste momento. Rogério tentou se justificar, jogando a culpa em Laura. Ele ousou sugerir que ela estava interpretando mal a situação, e era apenas um abraço.
Laura explica a situação em lágrimas e com a voz trêmula, disse também que havia a alertado várias vezes que esse dia poderia chegar. Sua mãe além de não acreditar na versão da garota lhe vira um tapa na cara.
Laura não acreditava na atitude da própria mãe e saiu de casa chorando. Aquela noite ela dormiu na praça abandonada que vivia frequentando. E foi justamente nessa noite que ela se decidiu por completo, sabia que era hora de partir, de buscar uma nova vida, longe daquele ciclo de autodestruição.
Ela temia que se continuasse ali, além de não ter um futuro acabaria se dando mal nas mãos de Rogério, seu padrasto que a cada dia lhe lançava olhares de desejo e estava cada vez mais abusador. Por isso que antes mesmo de todos acordarem ela voltou para casa no dia seguinte e fez suas malas. Colocou só o necessário e logo sua mãe aparece.
– Quem irá trazer dinheiro para essa casa agora? Como você acha que eu vou comprar as minhas bebidas?
Sua mãe estava sóbria e de muito mal humor, ficou falando para Laura não ir embora, sempre tentando a fazer se sentir culpada pela situação em que viviam. Laura já no limite disso não falava nada, apenas continuava arrumando as suas coisas fingindo não ouvir.
Na saída sua mãe a segura pelo braço.
– Você acha que se sairá melhor do que eu? Se fizer alguma besteira por aí nem pense em voltar com um filho para eu criar ou com algum marmanjo para eu sustentar!
– Você é uma piada! Acha mesmo que em algum momento você agiu como uma mãe? Eu prefiro morrer na rua do que voltar para este inferno ou olhar na cara daquele demônio mais uma vez. Talvez algum dia se dê conta que perdeu a sua filha para um lixo de homem como ele. Adeus mãe.
Laura esbraveja em uma mistura de raiva e tristeza. Já no ônibus ela chorava, não por estar saindo de casa, mas pelo fato de sua mãe nunca a ter escolhido. Sempre a primeira opção para ela foi as bebidas e os homens de sua vida.
Ela lembrava dos dias que dizia não se sentir confortável com Rogério por perto e não gostava de como ele a olhava, sua mãe por sua vez nunca acreditou nela e ainda a culpava dizendo que ele agia assim porque ela se vestia como uma vadia.
Laura já estava com 18 anos recém completos e sua mãe nem se lembrou de seu aniversário, que era justamente hoje.
– Ela estava sóbria, e mesmo assim... Não se lembrou.
Ela chorava e abraçava a sua velha mochila de escola, com algumas peças de roupas, documentos e algum dinheiro. Tudo que ela precisava para recomeçar, pois sabia que merecia mais, que merecia uma vida plena e livre de abusos. E foi assim que Laura desiste da terceira coisa em sua vida, sua mãe, casa e cidade.
Partindo enquanto sentia o peso de suas escolhas e o futuro incerto que a esperava.
Chegando na cidade grande ela fica deslumbrada e admirada com tanta beleza. Ao atravessar a rua um carro quase a acerta, ela percebe que além de linda essa cidade também era perigosa.
– Bom, primeiro passo, achar um lugar para morar.
Ela começa sua busca e percebe que seria um pouco difícil, a maioria dos lugares pedia o primeiro aluguel adiantado e ela não tinha muito dinheiro, deveria guardar um pouco para comida também. Mas ela estava confiante que tudo daria certo.
Laura Rodrigues anda o dia inteiro e finalmente encontra um apartamento bem precário e o dono do lugar parecia ser um velho ranzinza, mas era perfeito já que ele não fazia perguntas e permitiu o pagamento somente no próximo mês.
– Pelo menos não terá ninguém para me encher aqui, será apenas por esse mês!
Era o que Laura Rodrigues dizia a si mesma ao entrar na porta de número 112 e trancar, sim! Agora ela tinha trancas na porta. Era algum progresso afinal.
O próximo passo era um emprego, mas como ela havia andado o dia inteiro e estava cansada da viagem, prometeu a si mesma sair no dia seguinte bem cedo.
No dia seguinte ela sai as 6:00 da manhã e começa sua busca, ela pergunta em várias cafeterias, lanchonetes, e restaurantes, fez entrevistas em dois deles que gostaram de sua aparência e diziam que ela poderia ser uma boa atendente ou servir os clientes. Ficaram de ligar de volta.
Quando era 13:00 horas ela para e come um salgado, estava sem nada desde quando acordou. Depois ela continua sua busca, indo agora em vários lugares de moda como lojas de roupas e de sapatos, arriscou entrar em algumas daquelas lojas chiques que vendiam relógios de luxo, mas apesar de ter uma boa aparência, as atendentes lhe olhavam torto devido as suas roupas velhas e cabelo bagunçado pela correria do dia.
Ela sentia a diferença no tratamento e se sentia envergonhada, por isso ela nunca se arriscou ir a alguma agencia de modelo ou algo assim, ela temia que alguém se aproveitasse de sua situação para a assediar e julgar. E para piorar ela não teria ninguém para a defender.
Mesmo quando sofria assédio de seu antigo chefe, nunca quis denunciar ele, pois sabia como as coisas funcionavam. As outras meninas falavam que isso nunca daria em nada, que ele já havia feito isso antes e mesmo outras o denunciando, ele sempre subornava os policiais e as garotas que saiam como culpadas interesseiras.
Ela imaginava sua mãe a criticando por ter seduzido o próprio chefe e o seu namorado, Laura sairia dessa história sendo a destruidora de lares, a vadia que ninguém iria querer por perto.
O melhor para todos era ir embora mesmo, antes que as coisas piorassem. Agora, ela não confiava em ninguém. Não podia dar chances a ninguém, a única coisa que ela sabia é que daria a volta por cima e seria bem-sucedida como Sophie Lavie.
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Atualizado até capítulo 143
Comments
Bruna Mazurok
meu Deus, ler esse capítulo ouvindo essa música ficou perfeito. gratidão Mika por isso. você é muito talentosa. desde o inicio e já amando.
2022-07-31
15
Ana Laura
tô amando /Tongue/
2024-08-15
0
Mika Nakashi
Não esqueça de curtir o capítulo e deixar um comentário ❤️
2023-09-01
4