Felipe e David permaneceram mais um tempo à beira do rio. Felipe chamou David para voltar e começar o treino. Ele pegou uma camiseta cavada, imaginando que talvez David não tivesse levado nenhuma. David decidiu aceitar, mesmo sabendo que tinha uma em sua mochila.
David foi até o quarto, tirou sua camiseta e, antes de vestir a de Felipe, levou-a até o nariz, sentindo seu aroma. David deu um leve sorriso e vestiu a camiseta. Ela ficou um pouco larga, pois Felipe era maior e tinha músculos maiores.
Quando David saiu, Felipe já havia trocado de roupa. Ele observou David vestindo sua camiseta e sentiu uma enorme satisfação.
— Ficou bem em você — disse Felipe com um sorrisinho.
David deu uma voltinha, passando a mão na camiseta.
— Sim, também gostei.
Enquanto dava uma voltinha, Felipe reparou em sua marca e perguntou:
— Posso ver a sua marca?
David achou estranho o pedido, mas se virou novamente. Felipe se aproximou mais e disse:
— Você é mesmo um Alfa, percebi pelo seu cheiro, mas a marca forte no ombro só confirma.
David se virou e eles ficaram muito próximos, olhando um nos olhos do outro. Felipe deu um passo para trás, desviando o olhar. Ele sabia que, se continuasse tão perto de David e ele o olhando daquele jeito, não aguentaria. Além disso, Felipe ainda não entendia como David, sendo um homem, podia mexer tanto com seus sentidos.
Felipe amarrou seu cabelo do jeito que estava quando David o conheceu. Uma mecha caiu em seu rosto e David achou aquilo muito charmoso. Felipe o levou para a parte de trás da casa, onde começaram o treinamento. Felipe pediu a David que fechasse os olhos e se concentrasse nos sons ao seu redor. Ele disse a David para tentar se conectar com a natureza e trazer seus instintos de lobo à tona.
— O que você ouve? — perguntou Felipe.
David respondeu:
— Sons de pássaros, o rio e me parece o som de um animal.
Felipe prestou atenção e realmente havia o som de um animal na floresta e não era tão próximo. Ele sorriu e percebeu que David tinha conseguido de primeira.
— Muito bom! — disse Felipe — O animal que você ouviu não está tão perto, o que significa que você conseguiu ativar sua audição. Continue se concentrando e tente sentir os cheiros agora.
David concentrou-se novamente, movimentando a cabeça como se estivesse percebendo os cheiros ao seu redor. Ele identificou vários cheiros e Felipe confirmou que alguns estavam próximos, enquanto outros estavam mais distantes.
De repente, David parou a cabeça na direção de Felipe, movimentou o nariz e abriu os olhos. Ele sentiu o cheiro de Felipe, o mesmo cheiro que já havia sentido antes. Quando David abriu os olhos, Felipe pôde perceber que a cor dos olhos dele estava dourada, um sinal de que ele estava usando suas habilidades de lobo. Felipe olhou para David e pensou o quanto ele ficava lindo assim, com aquela cor nos olhos.
Eles se encararam por alguns instantes e David quebrou o silêncio.
— O cheiro que estou sentindo agora vem de você. É o mesmo cheiro que senti algumas noites atrás e que também despertou minhas habilidades — disse David.
Felipe sentiu seu coração disparar ao ouvir David falar assim, ainda o encarando com aqueles olhos cativantes, era uma tortura.
— Você acha o cheiro ruim?
— Pelo contrário, o seu cheiro é ótimo — respondeu David, ainda o encarando.
Felipe ouviu isso com felicidade. Normalmente, Alfas não gostam do cheiro uns dos outros, mas David também era um Alfa e ele gostou do cheiro de Felipe.
— Vamos testar sua velocidade. Tente me acompanhar. — Felipe sentiu que precisava fazer alguma coisa, ou aquele olhar se tornaria perigoso.
Felipe correu em direção à mata, e David o acompanhou. David ficou um pouco atrás no início, mas logo alcançou Felipe. Ele estava adorando correr naquela velocidade, era uma experiência incrível. Ele só havia corrido tão rápido quando escapou anteriormente, mas naquela época não pôde aproveitar. Logo, Felipe parou e apontou para uma direção. Eles seguiram na direção indicada e chegaram a uma bela cachoeira.
David estava encantado com o lugar. Seus olhos haviam voltado à cor normal e Felipe sugeriu:
— Vamos entrar? A água daqui é ótima. — Felipe não esperou pela resposta de David, tirou a camisa e os sapatos.
Enquanto isso, David aproveitou para observar o corpo de Felipe mais uma vez. Ele queria ir com Felipe, mas havia um problema. David olhou para a água, hesitante e então admitiu:
— Eu não sei nadar, Felipe.
— Tudo bem, eu vou ficar perto de você e podemos ficar onde é mais raso. — Felipe o tranquilizou.
David se convenceu e tirou a camiseta e os sapatos e foi a vez de Felipe apreciar a vista. Felipe pediu que David passasse por onde ele estava indo, já que havia algumas pedras escorregadias.
Chegaram a um lugar onde a água não era tão funda e Felipe brincou com David, sugerindo que deveriam acrescentar “ensinar David a nadar” à lista de coisas a aprender. David estava bem relaxado e jogou água em Felipe, que sorriu e revidou, lançando água de volta. Os dois pareciam bem relaxados e continuaram a brincadeira. David deu alguns passos para trás e, sem perceber, pisou em um buraco, afundando de repente.
Felipe gritou por David e mergulhou em sua direção. Ele agarrou a cintura de David e o levou de volta à superfície. David passou os braços ao redor do pescoço de Felipe e segurou com força. Felipe nadou em direção a uma pedra e se encostou nela, passando uma das mãos no rosto de David, perguntando se ele estava bem.
Felipe parecia aflito e segurava a cintura de David com firmeza.
— David, você está bem? Olhe para mim, fique calmo, está tudo bem agora, eu não vou te soltar — disse Felipe com preocupação.
David tossiu algumas vezes, pois havia engolido um pouco de água. Só depois de um tempo é que ele se deu conta de que ainda estava agarrado ao pescoço de Felipe.
Eles continuavam na água, com Felipe apoiado as costas contra uma pedra, mantendo um firme abraço na cintura de David. Naquele momento David percebeu quão próximos estavam, praticamente deitados um sobre o outro. Surpreendentemente, a proximidade e o toque na cintura e no rosto não causavam desconforto, como ele havia temido que pudesse sentir, assim como havia acontecido com Santiago.
David parou de tossir e balançou a cabeça para confirmar que estava bem. Felipe ainda tinha uma expressão de preocupação no rosto.
— Desculpe, eu não deveria ter me afastado de você, sinto muito.
Mesmo com o pedido de desculpas, nenhum deles tomou a iniciativa de se soltar. David balançou a cabeça e disse:
— A culpa não foi sua. Eu não deveria ter andado para trás daquele jeito. Obrigado por me salvar. Se não fosse por você, eu teria…
Felipe colocou um dedo nos lábios de David, interrompendo-o.
— Não pense em terminar essa frase.
Toda aquela proximidade, a preocupação de Felipe e a mão dele em sua cintura, empurraram David até o limite. Felipe percebeu a mudança na respiração e no olhar de David, retirou o dedo de seus lábios e acariciou seu queixo, deslizando até o rosto de David.
— Não sei o que eu faria se acontecesse algo com você, eu... — disse Felipe e antes que pudesse terminar a frase, David se aproximou dos seus lábios e o beijou.
Mesmo com medo de como reagiria ao contato mais íntimo, David precisava testar se com Felipe seria diferente. Felipe retribuiu ao beijo, segurando o rosto de David e apertando sua cintura, puxando-o para mais perto até que seus corpos se tocassem completamente. David podia sentir o calor do contato entre suas peles. Por um lado, ficou aliviado por não ter nenhuma reação negativa, mas por outro, sentiu o medo de que Felipe pudesse querer algo mais e ele não conseguisse acompanhar.
Depois de algum tempo se beijando naquela posição, Felipe deslizou a mão que estava na cintura de David até suas costas, subindo até sua nuca e descendo novamente. A intensidade dos beijos aumentou e a respiração de David se acelerou. Ele percebeu que Felipe estava excitado, e ele próprio também estava. O desejo entre eles crescia e a incerteza de David começou a ser substituída pela entrega ao momento.
Felipe subiu novamente a mão, mas daquela vez a levou ao rosto de David. Ele parou de beijá-lo, olhou profundamente em seus olhos e deu um selinho em David.
— Está ficando tarde. É melhor irmos embora. Minha mãe quer que jantemos com ela e você não tem ideia de como a dona Ana fica brava com atrasos — disse Felipe.
David concordou com a cabeça, sorrindo, embora por dentro ele não tivesse certeza de como estava se sentindo. Talvez estivesse surpreso pelo fato de Felipe ter interrompido as carícias, ou talvez até um pouco decepcionado. Estava confuso, mas tentou não demonstrar isso. A única certeza que tinha era de que não se sentia da mesma forma que se sentiu com Santiago e de alguma forma, Felipe o estava levando além de seus limites.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 85
Comments
Joselia Freitas
Até que enfim eles vão ficar juntos 👏👏♥️💋
2025-03-05
0
Clesiane Paulino
aí que tudo 🥰🥰🥰🥰
2024-11-28
2
Expedita Oliveira
Espetacular ❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🔥🔥🔥🔥🔥🔥🔥
2024-11-12
0