Visita ao clã

A velocidade tornou-se cada vez mais intensa, os saltos e escaladas mais precisos. Felipe havia começado seu treinamento ainda antes do amanhecer, pois precisava extravasar toda a raiva e frustração que consumia seu corpo; não havia dormido bem naquela noite. Durante a noite, Felipe foi assombrado por vários pesadelos nos quais via David sendo atacado por vampiros e lobos, enquanto ele se encontrava impotente para socorrê-lo.

Em um desses pesadelos, viu David estendendo a mão com um sorriso, apenas para Santiago surgir por trás dele e cravar os dentes em seu pescoço. Felipe assistia ao sangue escorrendo e ouvia os apelos desesperados de David, mas estava acorrentado, incapaz de ajudar. A noite inteira foi um tormento infindável para Felipe, que finalmente decidiu que era melhor se levantar e abandonar aqueles pesadelos.

Felipe estava tentando compreender por que estava tão obcecado com David, porque pensava constantemente na segurança dele e, mais do que nunca, porque ansiava tanto por vê-lo. Em determinado momento, decidiu parar de buscar respostas e regressou à aldeia.

A alcateia situava-se próxima à cidade, em uma área de mata que mais se assemelhava a uma fazenda, onde todos os membros da alcateia residiam. Alguns optaram por viver na cidade, mas, ainda assim, participavam regularmente das celebrações e reuniões junto ao clã.

Felipe tinha um quarto na casa de seus pais, mas também possuía uma casa próxima a um rio que cortava a propriedade. Quando completou 20 anos, decidiu construir sua própria residência um pouco mais afastada da aldeia, julgando aquele lugar perfeito.

Naquele dia, Felipe tomou a decisão de ir para sua casa. Seu humor não estava propício para suportar as brincadeiras de sua irmã ou as possíveis perguntas insistentes de sua mãe; ele precisava ficar sozinho para refletir.

         No escritório de Rômulo, ele estava em uma ligação importante naquele momento.

— Está bem, vou ficar de olho para garantir que ele ficará bem, mas sinceramente, não acredito que o Santiago fará nada de mal com o David. Certo, então quando você chegará? Tudo bem, vou preparar tudo.

Rômulo desligou o telefone e suspirou. Após fornecer todas as informações sobre David e transmitir seu pedido, percebeu que Mário agiu de forma estranha, prometendo retornar imediatamente de sua viagem. Essa reação suscitou em Rômulo suspeitas de que Mário pudesse estar a par de algo mais.

Na mansão de Santiago, David acordou um pouco mais tarde do que o habitual. Santiago já estava prestes a subir as escadas para verificar se algo havia acontecido. Assim que David desceu as escadas, Penélope implicou com o amigo:

— Pronto, não disse que o garoto estava são e salvo? Agora você já pode parar de encarar essa escada e de perguntar se ele está bem.

Santiago sentiu vontade de torcer o pescoço dela naquele momento. Penélope sorriu para ele, olhou para David e piscou, falando com entusiasmo:

— Bom dia, meu querido. Como foi a sua noite?

David, que já estava um tanto envergonhado pelo comentário, ficou ainda mais constrangido com a forma como ela fez a pergunta, imaginando se talvez tenha feito algum barulho na noite passada, seja durante um sonho ou na sua ida ao banheiro.

— Bom dia! Acordei durante a noite, mas depois consegui dormir bem, por isso acabei acordando mais tarde hoje. — David tentou explicar, procurando escapar da saia-justa que Penélope havia criado.

Penélope anunciou que estava voltando para o laboratório e deixou Santiago e David sozinhos. O clima estava tenso entre eles, e foi Santiago quem quebrou o silêncio.

— Peço desculpas por isso. Fiquei preocupado que você pudesse ter tido alguma reação depois que saí, mas fico aliviado que tudo tenha corrido bem. Você gostaria de comer alguma coisa? — perguntou Santiago, analisando sua expressão.

— Não, ainda não estou com fome. Vou esperar um pouco — respondeu David.

— Então, que tal experimentarmos o sangue de outro vampiro para ver como você reage? — Santiago sugeriu.

David ponderou, pensando que não queria vomitar logo de manhã, mas acabou concordando com a cabeça e seguiu Santiago até seu escritório.

Na sala de Santiago, havia uma pequena geladeira onde ele mantinha sangue para seu próprio consumo. Ele a abriu, retirou uma garrafa com um pouco de sangue e serviu-o em um copo para David. Enquanto fazia isso, David ficou curioso e questionou:

— Além de não vomitar, que tipo de reação posso ter com o seu sangue?

Santiago hesitou por um momento, mas entregou o copo a David e explicou:

— Bem, você é um bruxo, o que, no fundo, significa ser um humano com poderes. Humanos consomem sangue de vampiro porque ele pode curar algumas doenças que não estejam muito avançadas e pode melhorar o desempenho sexual.

David franziu o cenho, como se tivesse dificuldade em acreditar no que estava ouvindo.

— Então, isso aqui aumenta a libido de uma pessoa? — perguntou um pouco espantado.

Santiago ergueu uma sobrancelha, surpreso com o foco de David na segunda parte da explicação, mas assentiu com a cabeça.

David olhou para o copo e ponderou sobre o que poderia acontecer quando bebesse mais sangue. Ele não queria admitir a Santiago que já havia sentido esse tipo de reação na noite anterior, então decidiu tomar o sangue de uma vez.

Ele deu um gole no sangue, enquanto Santiago segurava uma lixeira, caso ele vomitasse. Aguardaram por alguns segundos, minutos, mas nada aconteceu. Ficou claro que David era diferente, alimentando-se de outros vampiros.

Santiago propôs colocar uma geladeira no quarto de David e estocar sangue de vampiro para que ele pudesse consumir regularmente. David ainda se sentia desconfortável de estar no mesmo ambiente que Santiago, então disse que estava ficando com um pouco de fome e procuraria algo para comer. Santiago percebeu que David ainda estava constrangido e não sabia como dissipar a tensão entre eles.

Após comer um sanduíche, David saiu para caminhar um pouco no jardim, apreciando a natureza ao seu redor. Ele ponderou sobre o fato de gostar tanto do contato com a natureza e como isso poderia estar relacionado à sua natureza de lobo.

A menção aos lobos automaticamente o fez pensar em Felipe e no convite de Rômulo. Enquanto estava sentado em um banco, com a mente vagando, Henrique se aproximou e o cumprimentou.

Aproveitando a oportunidade, David indagou mais sobre a aldeia de Felipe e sua localização. À medida que Henrique respondia, sua curiosidade aumentava. Sendo sexta-feira, ele decidiu passar o fim de semana na alcateia, mas não tinha certeza de como Santiago reagiria.

David retornou ao escritório de Santiago, mas não o encontrou. Ele perguntou para alguns vampiros que passavam e soube que o viram subindo as escadas. David presumiu que Santiago estava em seu quarto e subiu para falar com ele. Ao chegar ao topo da escada, viu Santiago saindo de outro quarto e trancando a porta, guardando a chave no bolso. David achou estranha a expressão de Santiago ao sair da sala e antes que Santiago pudesse notá-lo, David deu alguns passos para frente, evitando ser visto parado no corredor.

Santiago mudou sua expressão ao ver David e avançou em sua direção, sorrindo. David foi direto ao ponto:

— Preciso te pedir um favor.

— Claro, o que você precisa? — respondeu Santiago com um sorriso.

— Gostaria que ligasse para o Rômulo e perguntasse se posso passar o fim de semana na alcateia. — David solicitou.

Santiago franziu a testa e questionou:

— Por que essa decisão tão repentina? Aconteceu alguma coisa que te deixou chateado?

David sorriu, tentando aliviar o clima.

— Não, nada aconteceu. Só quero começar o treinamento o mais rápido possível e como Rômulo me fez o convite, gostaria de conhecer a aldeia e aprender um pouco, só isso.

— Tudo bem, vou confirmar com ele e te aviso — respondeu Santiago.

David assentiu com a cabeça e se dirigiu ao seu quarto, enquanto Santiago permanecia parado com uma expressão desgostosa, observando-o se afastar. No quarto, David sentiu ansiedade ao pensar no que encontraria na alcateia, se seria bem recebido ou tratado como um monstro. Para ocupar a mente, David começou a preparar uma mochila e a escolher algumas roupas. Quando se deparou com o guarda-roupa e puxou as duas portas para abri-las, não esperava que as arrancaria completamente.

O barulho estrondoso das portas sendo arrancadas e caindo reverberou pelo quarto. Em questão de segundos, Santiago, que ainda estava no corredor, abriu a porta de David, visivelmente surpreso ao se deparar com a cena. David estava em choque, olhando para uma das portas que estava em sua mão e a outra que estava no chão perto da cama. Com dificuldade, David murmurou:

— Eu… eu só fui abrir a porta.

Santiago, vendo a expressão atônita de David, não conseguiu conter o riso.

— Do que você está rindo? Eu arranquei as portas do guarda-roupa sem intenção. Agora tenho que tomar cuidado até com o que vou pegar?

Santiago, que quase chorava de tanto rir, fez um esforço para se acalmar e explicou:

— Não se preocupe com as portas. Vou pedir para alguém consertá-las. Quanto à sua força, suas habilidades estão despertando, então é normal. Em breve, você será capaz de correr mais rápido, ouvir coisas a longa distância, enxergar à distância e muito mais. Apenas tente controlar suas emoções, pois elas podem despertar seus sentidos ou habilidades.

David deixou a porta cair e acenou com a cabeça em concordância. Vendo que era apenas um pequeno incidente, Santiago saiu do quarto ainda sorrindo. David terminou de arrumar a mochila, pegou as duas portas, e ao ficar em pé ao lado da cama, percebeu o quanto estava ansioso e nervoso em relação a aquele final de semana. Estava preocupado com a possibilidade de não ser aceito ou com o nervosismo de passar o fim de semana com Felipe. Mesmo que Felipe não soubesse sobre o sonho, David imaginou que ficaria constrangido e que o assunto pairaria no ar durante o encontro.

David andava de um lado para o outro, atormentado por pensamentos preocupantes.

“E se eu perder o controle como aconteceu com Santiago? Meu Deus, e se eu o morder? E se ele me expulsar e me chamar de aberração? E se quiserem me matar? Ai, ai, ai, eu vou enlouquecer!” Sua mente era um turbilhão de ansiedade.

David sabia que precisava se acalmar, pois Santiago o alertou sobre o papel das emoções em desencadear suas habilidades. Ele fechou os olhos e respirou fundo várias vezes na tentativa de recobrar a calma. Enquanto se esforçava para se acalmar, ouviu alguém bater na porta. O som o tirou de seus pensamentos ansiosos.

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Comments

Expedita Oliveira

Expedita Oliveira

🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🤭🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈🙈

2024-11-12

1

Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

David é lindo🥰🥰

2024-07-19

1

Clesiane Paulino

Clesiane Paulino

gente eu não tô entendendo 😢, eu tava lendo a parte de Ethan, Caleb e Dimitri, aí veio a de David e Felipe, eu tô mais perdida do que cego em tiroteio 😮‍💨😮‍💨😮‍💨

2024-07-19

0

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Capítulos
1 Rosto borrado
2 Pedido a lua
3 Despertar
4 Mundo lá fora
5 Confiança
6 Respostas
7 Descobertas
8 Misterioso
9 Tribrido
10 Descontrolado
11 Encontro
12 Aproximação
13 Sonho erótico
14 Visita ao clã
15 Linda família
16 Que vista!
17 Paz
18 Limite
19 Intervenção
20 Quero você
21 Passado
22 Desabafando
23 Rei da noite
24 Ciúmes
25 Líder Alfa
26 Preparação
27 A bruxa
28 Conexão
29 Alex
30 Saudade
31 Veneno
32 Primeiro passo
33 Meu
34 Marcado
35 Enganado
36 Lobo branco
37 Medo
38 Reconciliação
39 Velha
40 Informação do passado
41 Mais forte
42 Covil
43 Porão
44 Equipe
45 Culpa
46 Castigo
47 Raiva
48 Secretária
49 Encontro
50 Encontro com a Condessa
51 Hormônios
52 Jantar
53 Mestiço
54 Âncora
55 Santuário
56 Espectros
57 História da magia purpura
58 Criando híbridos
59 Despertando
60 Bicho-papão
61 Voltando para casa
62 Voltei
63 Parte do passado
64 Bilhar
65 Guardando segredo
66 Despedida
67 Proposta
68 Mulher da floresta
69 Indo as compras
70 Viagem
71 Fogueira
72 O segredo
73 O casamento (Parte 1)
74 O Casamento (Parte 2)
75 Interrompendo a lua de mel
76 Decisão difícil
77 Soltando a língua
78 Começo do fim
79 Desespero
80 Você não se foi
81 Não te deixo ir
82 Merecida paz
83 Ancestral
84 O fim de Claus
85 Realizado
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Atualizado até capítulo 85

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5
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