David abriu os olhos, desorientado, tentando discernir o seu entorno. Ao erguer a cabeça, deparou-se com Santiago beijando sua barriga, suas mãos se aventurando na direção do cós de sua calça. A lembrança de tudo caiu sobre David, e ele prontamente soltou a cabeça de Santiago, que mantinha em suas mãos. Esse movimento brusco fez Santiago direcionar seu olhar na direção de David.
Os olhos que Santiago encontrou não exibiam mais o azul profundo, e aquele olhar não mais transpirava desejo. Agora, era um olhar de surpresa e inquietação. David pôde sentir claramente a tensão e o desejo mútuo que haviam se transformado em um desconforto palpável.
A ereção dura de Santiago pressionava contra sua perna, ele também podia sentir que ficou do mesmo jeito, mas aquilo tudo saiu de paixão para constrangimento. David desviou seu olhar para o pescoço de Santiago e, em seguida, tocou seus próprios lábios.
Santiago notou os olhos de David repletos de lágrimas, e retirou suas mãos da barriga de David, sentando-se na cama, visivelmente desconcertado. David se ergueu lentamente, incapaz de encarar Santiago, e com a voz trêmula, murmurou:
— Desculpe… eu… eu te machuquei?
Santiago mal podia acreditar no que estava ouvindo. Naquela situação, David estava preocupado com o bem-estar dele? Santiago soltou um sorriso suave e tentou tranquilizar David com suas palavras.
— Eu estou bem, David. Você não me machucou. A mordida não está mais sangrando. Por favor, fique tranquilo.
David se levantou da cama, mantendo o rosto baixo, enquanto tentava articular seus sentimentos.
— Eu… eu não sei o que deu em mim, e…
Santiago também se ergueu e deu um passo em sua direção, mas David recuou instintivamente. Santiago parou e fez um esforço para acalmar David.
— Me escute. Esta deve ter sido sua primeira transformação. Você passou todos esses anos sendo reprimido, então é normal não conseguir se controlar. Você está como um recém-nascido, ainda não consegue dominar sua transformação, sua força, sua fome e seu…
Santiago fez uma pausa significativa antes de continuar, nesse momento David o encarava com os olhos marejados.
— Seu desejo. Nós, vampiros, experimentamos um desejo avassalador — confessou Santiago — Me desculpe por não ter conseguido me controlar e ter ultrapassado os limites.
O olhar de David era indecifrável quando respondeu:
— Não é você o culpado, fui eu quem ultrapassou os limites e até mordi você. — As lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto de David enquanto ele continuava — Desculpe, eu realmente sinto muito. Isso… isso não vai mais acontecer.
David virou-se abruptamente e saiu correndo do quarto, sem nem mesmo pegar sua camisa.
Santiago, sentado na cama, ficou atônito, perplexo pela reviravolta dos acontecimentos. Ele socou a cama em sua frustração, incapaz de discernir se estava mais chateado pelo que tinha acontecido ou pelas palavras de David.
David correu de volta para seu quarto, fechando a porta atrás de si. Ele se agachou, encostando-se na porta, e levou as mãos à cabeça, começando a chorar.
— Maldição, o que eu fiz? Como pude fazer aquilo? Bebi o sangue dele e quase… como pude quase me envolver sexualmente com ele?
David estava em desespero, segurando a cabeça entre as mãos. Tinha medo do que poderia fazer além do que já tinha feito naquela noite. E se machucasse alguém de verdade? E se fosse verdade que ele era um monstro, e que por isso haviam suprimido seus poderes? Uma enxurrada de pensamentos atormentadores inundou a mente de David.
Finalmente, ele se levantou e foi em direção ao banheiro. Lá, arrancou a roupa e se dirigiu ao chuveiro. Ao passar pelo espelho, notou algumas manchas ainda avermelhadas em sua pele, evidências visíveis do contato íntimo que teve com Santiago. Aquelas marcas eram lembranças físicas e dolorosas de sua falta de controle.
David entrou rapidamente no chuveiro, esfregando-se como se tentasse apagar algo, sentindo um profundo asco. No entanto, esse asco não era direcionado a Santiago; ele sabia que Santiago era diferente dos vampiros que o haviam abusado. O asco era consigo mesmo, por ter atacado Santiago daquela forma.
Após um longo banho, David se enrolou em uma toalha e se aproximou da janela, percebendo que a noite já havia caído sem que ele notasse. Seus olhos se fixaram no portão, onde notou uma agitação. Ele supôs que os lobos dos quais, Santiago falou haviam chegado. David se dirigiu ao espelho e olhou profundamente em seus próprios olhos, tomando uma decisão.
Do lado de fora, Santiago havia se aproximado da porta de David diversas vezes, mas em nenhuma teve coragem de bater. Ele estava indeciso sobre se deveria verificar como David estava ou deixá-lo sozinho por um tempo. Enquanto se preparava para finalmente bater na porta, Penélope o chamou, informando que os lobos haviam chegado.
Santiago desistiu de bater à porta de David e desceu para receber os lobos. Ele sabia que teria que escolher cuidadosamente as palavras, já que David não havia dado uma resposta clara. Quando chegou à sala, encontrou quatro pessoas esperando por ele: Rômulo, Felipe e mais dois homens imponentes.
— Rômulo, como vai? Felipe! — Santiago cumprimentou todos e convidou-os a se sentarem.
Rômulo, não sendo alguém que gostasse de rodeios, tomou a iniciativa e abordou o assunto diretamente.
— Bem, desculpe por termos vindo assim à sua casa, mas o assunto é o mesmo de antes: a pessoa que estava sendo mantida presa e fugiu daquela mansão. Sabemos que você está com ele aqui em sua casa, por que não nos comunicou?
Santiago apertou o maxilar, tentando escolher suas palavras com cuidado.
— Eu sei que disse que informaria você, mas há muita coisa envolvida nisso. Além disso, até onde sei, também havia lobos envolvidos nessa história. Eu queria descobrir mais informações antes de comunicar a você.
— Então você estava suspeitando de mim? Afinal, na ausência do chefe do clã, eu sou responsável pelo território. — Rômulo disse, um tanto desgostoso.
Santiago ergueu as mãos em um gesto de defesa.
— Não me entenda mal, Rômulo. Tudo isso envolve a vida de uma pessoa, e diante das coisas que descobrimos, deixei a decisão nas mãos dele sobre se quer ou não se revelar.
— E onde ele está? Por que não veio com você? Ele decidiu não revelar nada? — Rômulo questionou com uma certa desconfiança.
— Ainda não sei — respondeu Santiago — Ele não se sentiu bem durante a tarde e ficou em seu quarto. Não o chamei.
Felipe se lembrou da cena que havia presenciado antes, quando o viu segurando seu abdômen, e isso o deixou visivelmente incomodado.
— O que ele tem? Alguém o examinou? — perguntou Felipe, aparentando irritação.
Rômulo colocou a mão na perna do filho, lhe lançando um olhar como se quisesse que ele não interferisse. Felipe bufou e recuou no sofá. Santiago arqueou uma sobrancelha e, apesar de não querer admitir, sentiu uma pontada de ciúmes naquele momento.
— Suspeito que não seja nada grave — respondeu Santiago com calma — Ele passou muitos anos sendo drogado e submetido a repressão por magia, então é normal que tenha alguns efeitos colaterais.
Rômulo, impaciente, levantou-se e confrontou Santiago.
— Então, não teremos nenhuma resposta hoje?
— Sim, vocês terão.
A voz de David ecoou na sala, e todos se voltaram para ele simultaneamente. David entrou e parou perto de Penélope, cumprimentando todos com o olhar antes de perceber que havia mais uma pessoa sentada na sala, visível apenas pelo braço apoiado no sofá, calça jeans e coturnos. Nesse momento, Felipe também se levantou, pois seu pai estava bloqueando sua visão e ele estava ansioso para ver melhor o homem misterioso.
Quando seus olhos se encontraram, os corações de ambos dispararam, e não conseguiram desviar o olhar. Felipe examinava cada detalhe de David e mal conseguia piscar, achando-o lindo, e algo naquele homem o hipnotizava. David, por sua vez, sentia uma estranha familiaridade em Felipe e ficou cativado até mesmo com a expressão marrenta do rapaz.
As pessoas na sala perceberam o quanto estavam se encarando, e Santiago teve que intervir.
— Vocês se conhecem? — perguntou, um pouco intrigado.
David saiu de seu transe e respondeu, ainda olhando para Felipe:
— Não, nunca o vi antes.
Felipe também decidiu responder e complementar a resposta de David.
— Realmente, não nos conhecemos — disse ele, acompanhado por um sorriso sutil que fez David corar levemente, forçando-o a desviar o olhar.
Felipe optou por não mencionar que já o estava vigiando há alguns dias. David pigarreou e se apresentou a todos.
— Bem, meu nome é David. Sei que têm algumas perguntas para mim, e espero poder responder a todas.
A sala ficou repleta de uma tensão palpável, enquanto todos esperavam ansiosos para ouvir as respostas de David e compreender a verdade por trás de sua misteriosa chegada.
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Joselia Freitas
Agora vai pegar fogo 🔥🔥🤣👏👏
2025-03-05
0
Clesiane Paulino
até que enfim se encontraram 🥰🥰🥰🥰
2024-11-28
5
Ana Lúcia
até que enfim se encontrarão
2024-11-12
2