Mesmo sem saber quem batia, David permitiu a entrada em seu quarto.
— Entre. — David respondeu sem hesitar. Era Santiago que voltou com uma caixinha na mão.
— Rômulo disse que daqui a pouco está passando por aqui, ele já está terminando de comprar algumas coisas e vem. — Santiago falou sem nenhum entusiasmo.
— O que é isso na sua mão? — David perguntou, observando a caixa.
Santiago abriu a caixa, tirou um celular e se aproximou de David.
— Esse celular é seu, já o configurei e salvei meu número, o da Penélope e o do Henrique. — Santiago colocou o celular nas mãos de David e segurou suas mãos junto — Quero que fique com ele e, se precisar de qualquer coisa, ou se acontecer
qualquer coisa, me ligue ou ligue para os outros dois números que salvei. Se for durante o dia e eu não puder ir, eles irão te ajudar ou te buscar, você me entendeu?
David deu um sorriso antes de o responder.
— Por que parece que está me tratando como uma criança de 6 anos que está indo dormir pela primeira vez na casa do amiguinho?
Santiago retribuiu o sorriso e respondeu.
— Só estou preocupado com você, e não o vejo como uma criança.
Ele se aproximou mais, levou a mão ao rosto de David e se inclinou, selando seus lábios com um beijo. David, que ainda estava de olhos abertos, cerrou as sobrancelhas e deu um passo para trás, encarando Santiago.
Santiago fechou os olhos, respirou fundo e olhou novamente para David.
— É assim que eu te vejo, David — declarou e ao perceber que ele responderia, Santiago pôs um dedo em sua boca, impedindo-o de falar, e continuou — Não estou pedindo que me aceite agora ou retribua meus sentimentos. Eu só precisava que você soubesse como me sinto em relação a você e que não quero que nada de ruim aconteça. Não vou mais fazer isso a menos que você queira. Prometo que vou respeitar seu espaço e seu tempo, tudo bem?
David ficou sem palavras por um momento, mas finalmente falou.
— Tenho que ser sincero com você, Santiago. Você me salvou e tem cuidado de mim durante esse tempo, mas você sabe bem o que vivi naquele lugar e se eu não tivesse perdido o controle, provavelmente aquilo não teria acontecido. Ainda é complicado deixar alguém me tocar. Tem muita coisa acontecendo comigo e tem muitos sentimentos e sensações que são novos para mim. Você é um homem muito atraente, isso eu não posso negar, mas não sei quanto tempo vou demorar para superar tudo. — David pôs para fora o que lhe estava incomodando.
Santiago balançou a cabeça concordando e complementou:
— Por isso que não estou pedindo nada. Eu sei que não é fácil. Só queria que soubesse que pode contar comigo sempre e realmente só queria que soubesse como me sinto sobre você.
David achou melhor encerrar a conversa e disse que esperaria por Rômulo na sala. Pegou a caixa do celular, sua mochila e desceu. Santiago seguiu logo atrás e, assim que chegaram, apontou para uma caixa térmica e disse:
— Aí tem um pouco de sangue caso sinta sede. Melhor levar, porque ainda não sabemos quanto tempo você leva entre uma refeição e outra.
David achou melhor levar porque não queria ficar com fome e atacar alguém por lá. Logo em seguida, Henrique apareceu informando que Rômulo havia chegado. David agradeceu a Santiago, se despediu garantindo que iria se cuidar e saiu. Ainda era dia, Santiago não podia acompanhá-lo até o portão, então Henrique o acompanhou levando a caixa para David.
Santiago foi até a janela, observando David entrar no carro de Rômulo e partir. Os vidros da casa eram especiais, não permitiam a passagem de raios ultravioletas, então ele podia observar sem se preocupar. Henrique voltou e chegou perto de Santiago.
— E então, está funcionando? — perguntou Henrique.
Santiago tirou o celular do bolso, abriu uma tela de rastreamento e respondeu com um sorriso:
— Perfeitamente.
No carro, Rômulo puxou conversa com David, que respondia tranquilamente às perguntas. David se sentia à vontade com Rômulo, ele transmitia confiança.
— E então, está animado para o fim de semana? — perguntou Rômulo, vendo David responder que sim, sorrindo.
— Para dizer a verdade, estou um pouco nervoso, tenho medo de que não me aceitem — admitiu David.
Rômulo entendeu a preocupação de David e tentou acalmá-lo.
— Por que não deixamos a informação de que você é um tríbrido apenas entre algumas pessoas primeiro? Depois que todos virem que você não é perigoso, vão aceitar, é claro. Mas o nosso líder já sabe, ele decidiu voltar imediatamente para tratar desse assunto. Enquanto isso, você pode contar com a minha família para ensinar sobre suas habilidades, o.k.?
David concordou e ficou mais calmo após ouvir o que ele disse. Rômulo pareceu se lembrar de algo e perguntou:
— Você já se transformou alguma vez? Ou ainda não?
David pareceu um pouco surpreso.
— Me transformar? Você quer dizer, virar um lobo?
Rômulo sorriu da forma com que David perguntou e confirmou. David olhou nervoso para frente e negou com a cabeça.
— Bom, então vamos ter que ficar de olho na próxima lua cheia. Será melhor se você estiver conosco, já que não sabemos quando é, nem como vai ser a sua transformação. Melhor não estar junto dos vampiros.
Rômulo percebeu que David ficou sem entender e continuou:
— Normalmente, os lobos começam a se transformar aos 15 anos. Depois de algumas transformações, eles podem controlar quando se transformam. Ou seja, se não quiserem se transformar na lua cheia, eles não vão. Se quiserem se transformar para uma luta ou se defender, eles podem, até mesmo fora da lua cheia.
David continuou ouvindo atenciosamente as informações que Rômulo estava lhe passando.
— No seu caso, você nunca se transformou, então a sua primeira vez pode ser um pouco mais dolorosa e violenta. Alguns lobos perdem o controle durante suas primeiras transformações e podem atacar outros lobos, ou principalmente os vampiros. Por isso, não aconselho que você permaneça lá durante a lua cheia.
David pareceu um pouco assustado com a informação. Ele não queria machucar ninguém se perdesse o controle. Rômulo continuou, tirando David de seus pensamentos.
— Não se preocupe, temos um local apropriado para quem está se acostumando com as transformações, e Felipe pode te ajudar quando for a hora. Por isso, moramos mais afastados das cidades, para não arriscar ouvirem os barulhos ou machucar alguém.
A conversa com Rômulo estava tão interessante que ele nem percebeu que estavam chegando na propriedade. Na entrada, havia um grande portão que abria por controle. Rômulo explicou como funcionava a segurança do local, assim como o esquema de patrulhas dos lobos. Somente os mais experientes e mais fortes patrulhavam durante a noite, caso algum vampiro aparecesse.
Próximo ao portão, em uma guarita, ficavam dois homens que cumprimentaram os dois assim que eles entraram. Eles seguiram por uma estrada de terra cercada por eucaliptos até chegarem a uma casa cercada por árvores frutíferas e outras árvores. Rômulo explicou que era uma espécie de posto de patrulha. Continuaram por mais alguns metros e adentraram em um local com a mata mais fechada.
David olhava ao redor com encantamento, e Rômulo se divertia vendo a expressão do jovem. Logo, David começou a avistar casas feitas de madeira, mas com uma aparência bem requintada. As casas não tinham cercas ou muros separando uma da outra. Algumas tinham flores plantadas na frente e uma pequena cerca viva na lateral.
À medida que passavam, todos cumprimentavam Rômulo, que acenava com as mãos. Rômulo logo parou o carro em frente a uma casa de dois andares, com varanda em volta e muitas plantas e flores. Observando ao redor e para a casa, David pensou que deveria ser maravilhoso morar em um lugar assim. Por mais que a mansão de Santiago estivesse em um local de mata, não era tão aconchegante quanto aquele lugar.
Rômulo ajudou David com suas coisas e o convidou para entrar. A casa era aconchegante, e da sala podia-se ver toda a cozinha. A mulher que estava na cozinha, assim que viu os dois entrando, veio em direção a eles sorrindo.
— Aí meu Deus! Esse é ele? Olha só como você é lindo!
A mulher se aproximou, deu um abraço em David e um beijo em sua bochecha. David ficou envergonhado e corou um pouco.
— Prazer, sou a Ana. — Ela se apresentou toda sorridente.
— Prazer, David. — Já ele se apresentou um pouco acanhado.
— Ei, que história é essa de lindo?
Rômulo reclamou ao lado, e David olhou para ver se realmente Rômulo estava bravo. Ana sorriu e foi na direção de Rômulo.
— Eu disse que ele era lindo, mas não o mais lindo — disse isso de forma dengosa e deu um beijo em Rômulo.
Se David tinha corado antes, depois daquela cena ele estava totalmente vermelho.
— Ai, credo, que melosidade, eu em. Prazer, sou Virgínia, irmã de Felipe e filha desses dois malucos.
David pegou em sua mão sorrindo e agradeceu mentalmente por ela tê-lo salvado daquele constrangimento. Ana repreendeu Virgínia e foi em sua direção. Virgínia, por sua vez, correu em direção à cozinha sorrindo.
— Desculpe, David, mas nossa família é assim mesmo, mas nos amamos muito — explicou Rômulo sorrindo.
David olhou para as duas que estavam sorrindo na cozinha, sorriu também e disse:
— Sua família é linda!
Rômulo convidou David para se sentar na sala enquanto Ana e Virgínia terminavam o almoço. Ocasionalmente, David percebia que Virgínia o olhava e cochichava sorrindo para sua mãe.
Enquanto conversavam, Rômulo perguntou onde estava Felipe e Virgínia respondeu que o tinham visto indo em direção à sua casa, próxima ao rio. Rômulo disse que seria melhor se David passasse o fim de semana com Felipe na casa dele, pois era mais afastada das outras casas e os dois teriam privacidade para treinar sem ninguém incomodando. Ao ouvir o que ele disse, David dizia mentalmente “Não, por favor, não me deixem sozinho com ele”, mesmo assim respondeu sorrindo que concordava.
Depois do almoço, Ana arrumou um pouco de comida para levarem para Felipe e David comerem, já que David disse que não estava com fome naquele momento. David se despediu de Ana e Virgínia e saiu com Rômulo novamente.
Durante o percurso, David percebeu que havia algumas casas não tão perto uma das outras. Rômulo explicou a David que, normalmente, quando um lobo completava 20 anos, ele começava a construir sua casa para poder se casar e podia escolher dentro da propriedade onde queria morar. Acrescentou que Felipe havia escolhido uma antiga casa perto do rio, reconstruindo-a e dizendo que ali se sentia em paz.
No meio do caminho, próximo à casa de Felipe, Rômulo e David avistaram uma garota que vinha a passos largos, como se estivesse zangada. Ao passar por ela, Rômulo parou o carro e perguntou o que tinha acontecido.
— Luna, o que houve?
Luna olhou para ele bufando de raiva e respondeu:
— Seu filho é um idiota! — Luna saiu novamente caminhando rápido e resmungando.
— Mas o que foi agora? — Rômulo questionou, olhando para David.
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Atualizado até capítulo 85
Comments
Clesiane Paulino
David amore,vc vai ficar perto do seu amor 🥰🥰🥰🥰
2024-11-28
1
Expedita Oliveira
Eita que agora o 🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲🪲 pega e a 🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🐍🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬🚬
2024-11-12
0
Clesiane Paulino
gente eu não tô entendendo... do capítulo 11 pulou pro 40 ... comecei lendo sobre Ethan e agora é David, vou esperar uma resposta prq tá ficando sem sentido a história pra mim😢😢😢
2024-07-19
3