Mary: Agora que sabemos onde ela está, pelo menos podemos monitorar a situação de longe.
Davi: Sim, mas o problema é que ela não quer contato com ninguém (Davi disse, coçando a cabeça.) Se nem para mim ela falou diretamente sobre Florença, significa que está realmente evitando todos nós.
Mary cruzou os braços, pensativa.
Mary: Você acha que ele tentaria ir atrás dela?
Davi soltou uma risada curta.
Davi: Com certeza. Ele estava desesperado quando ligou para mim.
Mary pegou o celular.
Mary: Vou avisar Yuri, pelo menos para ele ficar tranquilo. Depois decidimos como falar para Bogum.
Davi concordou, mas sua expressão ainda estava carregada de preocupação.
Davi: A questão é… quanto tempo ela vai ficar lá?
Mary suspirou.
Mary: Se for a Yuna que conhecemos… o tempo que for necessário para fugir dos próprios sentimentos.
Na África do Sul, Yuna estava em uma das obras, de capacete e prancheta na mão. O sol escaldante batia em sua pele, mas ela mal notava. Sua mente estava totalmente imersa no trabalho, analisando cada detalhe da construção.
Seu coordenador local se aproximou.
Coordenador: Srta. Park, você realmente não precisa estar aqui o tempo todo. Poderíamos ter enviado relatórios para a senhorita.
Yuna forçou um sorriso educado.
Yuna: Eu precisava vir pessoalmente. Algumas coisas só se resolvem com presença física.
O coordenador assentiu, mas percebeu que havia algo além da profissional dedicada que conhecia. Yuna parecia… exausta.
Coordenador: Se precisar de algo, estamos à disposição.
Ela agradeceu e voltou sua atenção para os papéis.
O problema era que, mesmo focada no trabalho, sua mente ainda a traía. Em momentos aleatórios, flashes da conversa com Davi vinham à tona. As fotos. As palavras de Bogum que ecoavam em sua cabeça. O vazio que sentiu ao ver aquelas imagens.
E, acima de tudo, a sensação incômoda de que estava fugindo.
Ela começou a fechar vários projetos na África, estava trabalhando no escritório de lá e indo a obra. Ela passava o dia na obra e a noite no escritório, mal passava no hotel onde estava hospedada, a não ser para tomar um banho e descansar um pouco, mas ainda assim tinha vezes que ela voltava para o hotel e continuava a trabalhar pelo notebook que havia levado.
Os dias se passaram, e Yuna mergulhou ainda mais no trabalho. Seu ritmo era insano: manhãs e tardes na obra, noites no escritório. O hotel era apenas um local para banhos rápidos e cochilos curtos. Nem mesmo as refeições eram uma prioridade para ela.
Seu coordenador local começou a notar.
Coordenador: Srta. Park, tem certeza de que não quer tirar pelo menos um dia de folga? Você praticamente não para.
Yuna nem ergueu os olhos da tela do computador.
Yuna: Estou bem. Ainda há muitos detalhes para finalizar antes de eu voltar para a Itália.
Ele hesitou antes de responder.
Coordenador: Certo, mas, se precisar de algo, estamos aqui.
Yuna assentiu, mas logo depois já estava imersa novamente nos relatórios.
O que ela não sabia era que, do outro lado do mundo, Bogum ainda tentava descobrir uma forma de alcançá-la.
Na Coreia, Bogum estava em seu camarim, encarando a tela do celular. Ele já havia recebido a informação de que Yuna estava na África do Sul, mas isso não o tranquilizava. Pelo contrário.
Davi e Mary disseram que ela estava trabalhando sem parar, evitando qualquer contato. E Bogum sabia que esse era o jeito dela de lidar com as coisas: se afogar no trabalho até esquecer o que a machucava.
Ele soltou um suspiro frustrado.
Se ao menos pudesse vê-la… falar com ela pessoalmente.
Mas não podia simplesmente sair da Coreia naquele momento.
Seu celular vibrou. Uma nova mensagem de Davi:
Davi: “Ela não responde ninguém. Se continuar assim, não sei até quando ela aguenta.”
Bogum passou a mão pelo rosto, sentindo-se impotente.
Depois que Davi voltou de Florença, viu que Yuna estava fechando diversos contratos na África, estava fazendo reuniões e se afogando em todo trabalho que encontrava.
Davi: ela é louca, está tentando se matar só pode... (ele pensou alto)
...
O coordenador entrou no escritório e Yuna estava ao telefone falando com mais um cliente.
Yuna: ok, ok, esse projeto da Argentina é muito bom... sim entendo... podemos marcar uma reunião para depois de manhã então... certo, certo... no momento eu estou na África, hoje mesmo pego o voo sem problemas... ok... sem problemas então. (e ela desligou)
Coordenador: Srta Park, ia te chamar para ir junto com a equipe jantar, mas parece que está indo viajar né.
Yuna: agradeço pelo convite... mas eu preciso ir... mas qualquer coisa ligue na empresa.
Coordenador: ok Srta Park.
Naquela noite, Bogum mal conseguiu dormir. Ele revirava no colchão, encarando o teto do quarto, sentindo a ansiedade crescer.
Então, pegou o celular e abriu a conversa com Yuna. Nenhuma mensagem nova. Nenhuma resposta.
Ele fechou os olhos e respirou fundo.
Se ela não atendia as ligações e ignorava as mensagens, talvez precisasse de algo mais.
No dia seguinte, antes de sair para um compromisso, ele ligou para alguém que poderia ajudar.
Bogum: Yuri?
Yuri: Bogum? (Yuri parecia surpreso.)
Bogum: Você pode ir para a África do Sul?
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
Yuri: O quê?
Bogum: A Yuna está se matando de trabalhar. Eu não posso sair da Coreia agora, mas ela precisa de alguém. Alguém que ela não ignore completamente.
Yuri suspirou.
Yuri: Eu já estava considerando isso. Ela me respondeu apenas uma vez e disse que estava “ocupada”. Ela sempre faz isso quando quer fugir das coisas.
Bogum: Exato. Eu sei que você também tem trabalho, mas…
Yuri: Eu vou. (Yuri o interrompeu.) De qualquer forma, tenho projetos com ela e posso trabalhar remotamente. Vou comprar uma passagem hoje.
Bogum sentiu um peso sair de seus ombros.
Bogum: Obrigado, Yuri.
Yuri: Não me agradeça ainda. Não sabemos como ela vai reagir quando me vir.
Bogum soltou uma risada curta.
Bogum: Verdade. Boa sorte.
E, com isso, Yuri começou a planejar sua viagem para encontrar Yuna.
Yuna saiu do escritório e foi direto para o hotel, onde arrumou sua mala rapidamente. Seu voo para a Argentina era naquela mesma noite, e ela não queria perder tempo.
Ela já tinha organizado tudo para que os contratos da África fossem finalizados mesmo sem sua presença. Agora, a Argentina se tornava seu novo refúgio.
O celular vibrou, mas ela ignorou. Provavelmente Davi ou Mary tentando falar com ela de novo.
Assim que chegou ao aeroporto, ela fez o check-in e seguiu para a sala de embarque. O fuso horário diferente, a mudança de país, nada disso importava. Contanto que estivesse ocupada, estaria “bem”.
Mas o que Yuna não sabia era que, enquanto estava a caminho da Argentina, Yuri já estava a caminho da África do Sul.
Quando ele pousou, a primeira coisa que fez foi ligar para Davi.
Yuri: Acabei de chegar. Em que hotel ela está hospedada?
Davi suspirou do outro lado da linha.
Davi: Cara, tem um problema.
Yuri: O quê?
Davi: Ela pegou um voo para a Argentina, ontem à noite, ela deve estar no caminho para lá, eu vi que o voo que ela pegou é de 32 horas.
Yuri fechou os olhos, respirando fundo.
Yuri: Claro que sim… ela sabia que eu estava vindo para cá?
Davi: nós não avisamos.
Agora ele teria que mudar os planos.
Depois de 32 horas de voo, Yuna chegou na Argentina, e não teve tempo nem mesmo de passar no hotel. Ela foi direto para reunião. Ela então fechou um contrato, logo depois, foi para o hotel, tomou um banho, finalizou alguns projetos e depois foi para mais uma reunião.
Então o telefone dela tocou... era seu pai... ela hesitou e depois atendeu.
Vinícius: YUNA VOCÊ ESTÁ FICANDO LOUCA? VOCÊ VIU O TANTO DE CONTRATOS QUE VOCÊ FECHOU NA ÁFRICA DO SUL E AINDA ESTÁ FECHANDO MAIS DOIS NA ARGENTINA? VOCÊ SABE QUE TEMOS PRAZOS... NÃO TEMOS EQUIPES SUFICIENTES PARA ESSAS OBRAS.
Yuna: é por isso que contrataremos mais pessoas, semana que vem eu vou para África para fazer a contratação das equipes.
Vinícius: Yuna... esse não é o seu trabalho... contratações de equipes não é seu papel, seu papel é nas obras.
Yuna: eu sei, mas como eu fechei muitos contratos, eu mesma farei isso.
Vinícius: tá tentando se matar é? Yuna o que está acontecendo?
Yuna: pai, eu só quero trabalhar...
Vinícius: você só faz isso quando está fugindo de alguma coisa...
Yuna: tchau pai, se começar não vou atender mais suas ligações.
Ela desligou e voltou a trabalhar.
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Atualizado até capítulo 60
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