Colapso

Os dias no Uruguai passaram arrastados. Yuna estava cansada, mas se recusava a parar. Qualquer pausa significava dar espaço para os pensamentos que insistiam em atormentá-la.

Seu corpo começava a sentir os efeitos da exaustão. A cabeça doía com frequência, a visão ficava turva às vezes, mas ela ignorava. Trabalhava até tarde, só parava quando o corpo ameaçava desligar sozinho.

Uma noite, enquanto finalizava alguns relatórios, sentiu uma tontura repentina. Respirou fundo e tentou se concentrar na tela do laptop, mas as letras começaram a embaralhar. Seu coração acelerou, uma sensação de peso no peito tomou conta dela.

“Preciso de mais café.”

Ela se levantou para pegar a xícara na mesa ao lado, mas, antes que pudesse alcançar, tudo ficou escuro. Seu corpo cedeu, e ela desabou no chão.

Yuri conseguiu descobrir que Yuna estava no Uruguai, Bogum com seus contatos conseguiu descobrir que Yuna tinha ido para um hotel, ela foi vista entrando há alguns dias, ela saia as vezes para caminhar, mas já faziam 2 dias que ela não saia do quarto, ele rapidamente avisou Yuri que logo foi para o hotel onde Yuna estava, mas eles não davam informações de seus clientes, seria difícil conseguir saber se ela estava bem.

Yuri tentou argumentar na recepção do hotel, mas a atendente manteve a postura profissional.

Recepcionista: Me desculpe, senhor, mas não podemos divulgar informações sobre nossos hóspedes.

Ele respirou fundo, tentando manter a calma.

Yuri: Eu entendo, mas minha amiga está hospedada aqui, e estou preocupado. Já faz dois dias que ela não sai do quarto.

Recepcionista: Se for esse o caso, podemos tentar contatá-la por telefone.

Yuri: Ela não vai atender. (Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado.) Eu só preciso saber se ela está bem.

A recepcionista hesitou.

Recepcionista: Podemos enviar um funcionário para verificar se está tudo bem, mas não podemos permitir sua entrada sem autorização dela.

Yuri: Tudo bem, façam isso.

Enquanto esperava, Yuri mandou uma mensagem para Bogum.

Yuri: “Estou no hotel. Eles vão checar o quarto dela, mas não me deixam subir.”

Bogum respondeu rápido.

Bogum: “Me avise assim que souber de algo. Se ela não responder, tente convencê-los a abrir a porta.”

O tempo parecia se arrastar. Depois de alguns minutos, a recepcionista fez um sinal discreto para Yuri.

Recepcionista: Tentamos ligar, mas não houve resposta. Estamos enviando alguém para bater na porta.

Ele sentiu um aperto no peito.

Yuri: Se ela não responder, vão abrir?

Recepcionista: Se houver indícios de que ela está em perigo, sim.

A espera foi angustiante. Yuri ficou parado perto do balcão, ouvindo cada movimentação com atenção. Até que um funcionário voltou, com uma expressão preocupada.

Funcionário: Batemos várias vezes e não houve resposta. O quarto está silencioso.

Yuri sentiu o estômago revirar.

Yuri: Abram a porta.

A recepcionista hesitou por um instante, mas então assentiu.

Minutos depois, Yuri subia às pressas com o gerente do hotel e um segurança. Quando destrancaram a porta e ele entrou, encontrou Yuna caída no chão, inconsciente.

Yuri sentiu o coração disparar ao vê-la ali, frágil, pálida e imóvel no chão.

Yuri: Yuna! (Ele correu até ela, ajoelhando-se ao seu lado.)

Ele tocou seu rosto, sentindo a pele gelada. Seu peito subia e descia fracamente, indicando que ela ainda estava respirando, mas estava muito fraca.

Yuri: Chamem uma ambulância! (ordenou, olhando para o gerente do hotel.)

O homem assentiu rapidamente e saiu para fazer a ligação. Yuri, por sua vez, segurou Yuna nos braços, tentando despertá-la.

Yuri: Ei, Yuna, acorda! (Ele deu leves tapinhas em seu rosto, mas ela não reagiu.)

Ele olhou ao redor. O quarto estava uma bagunça, havia xícaras de café vazias na mesa, cápsulas de cafeína espalhadas, pratos intocados com comida. Ela estava se matando de tanto trabalhar e se privando de tudo.

Yuri: Droga, Yuna… o que você está fazendo com você mesma?

Ele sentiu o celular vibrar no bolso, mas ignorou. Precisava ficar ali com ela até a ambulância chegar.

Poucos minutos depois, os paramédicos entraram no quarto, avaliaram Yuna rapidamente e começaram os procedimentos para estabilizá-la.

Paramédico: Ela está desidratada e com sinais de exaustão severa. Vamos levá-la para o hospital imediatamente.

Yuri assentiu, decidindo que iria com ela.

Enquanto saíam do hotel, seu celular vibrou de novo. Dessa vez, ele atendeu sem olhar.

Bogum: Yuri, o que aconteceu?

Yuri respirou fundo, tentando manter a calma.

Yuri: Encontramos Yuna desmaiada no quarto do hotel. Ela está a caminho do hospital.

Do outro lado da linha, o silêncio foi assustador.

Bogum: Ela vai ficar bem? (Bogum perguntou, a voz baixa e tensa.)

Yuri: Eu não sei, cara… Mas ela está muito pior do que imaginávamos.

Bogum sentiu um aperto no peito, ele sabia que Yuna estava mal, mas não imaginava que chegaria a esse ponto. Ele queria ir até ela, mas não poderia, ele sabia que as notícias estavam cada vez mais fortes sobre ele e Suzy, mas ela era sua amiga há anos, e nada além disso.

Ele sabia que a mídia podia fazer grandes especulações totalmente fora de contexto, e sabia que Yuna já havia lidado com coisas do tipo antes. Mas dessa vez era diferente para ela, além do fato de ela nunca ter namorado antes, lidar com seus próprios sentimentos e a mídia era bem complicado. E pelo que ele sabia, ela não sabia se realmente era a namorada dele, ou só alguém com quem ele gostava de passar um tempo.

Era o primeiro relacionamento romântico dela, e além disso era com um ator, era com uma pessoa que o mundo inteiro estava especulando uma relação amorosa dele com outra pessoa, ele sabia que em breve as especulações acabariam, mas também sabia que poderia demorar para passar.

Bogum passou as mãos pelo rosto, frustrado consigo mesmo. Ele queria estar ao lado de Yuna, queria segurar sua mão e dizer que tudo ficaria bem. Mas ele estava preso, incapaz de fazer qualquer coisa além de esperar.

Ele pensou em ligar para ela, mas sabia que não adiantaria. Em seu estado, ela provavelmente não atenderia. Ele então ligou para Yuri novamente.

Bogum: Como ela está agora?

Yuri: Ainda inconsciente, mas estabilizada. Estão hidratando-a e fazendo alguns exames. O médico disse que o corpo dela entrou em colapso por exaustão e desidratação.

Bogum fechou os olhos, sentindo a culpa pesar sobre seus ombros.

Bogum: Isso é minha culpa, não é?

Yuri suspirou.

Yuri: Não é só sobre você, Bogum. Yuna tem o hábito de fugir e se afundar no trabalho quando está lidando com algo difícil. Mas, sim… essa situação com você e Suzy não ajudou.

Bogum apertou o celular com força.

Bogum: Eu nunca quis machucá-la.

Yuri: Eu sei. Mas agora o que importa é garantir que ela se recupere.

Bogum ficou em silêncio por um momento.

Bogum: Yuri… fique ao lado dela, por favor. Eu não posso ir agora, mas preciso saber que ela está bem.

Yuri: Você acha que eu sairia daqui? (Yuri riu, mas havia uma preocupação genuína em sua voz. — Eu vou cuidar dela, cara.)

Bogum: Obrigado.

Bogum desligou e encarou o teto. Ele precisava dar um jeito de acabar com aqueles rumores antes que fosse tarde demais.

A noite se passou, a manhã do outro dia também, e na metade da tarde daquele dia a pressão de Yuna despencou, o monitor começou a apitar, Yuri ficou inquieto, os médicos e enfermeiros entraram e o tiraram do quarto, eles estavam fazendo o possível para estabilizá-la de novo.

Ele pensou em ligar para Bogum, mas ele já estava passando por coisas demais com Yuna, a mídia, sua própria carreira e as especulações que a mídia estava fazendo, era melhor não o preocupar agora com isso, pelo menos não por enquanto, ele também pensou em avisar Davi, mas ele avisaria o pai dela e Mary, e todos correriam para ver como ela estava e parariam tudo por ela, e talvez ela não quisesse isso. Então a unica coisa que ele poderia fazer naquele momento era esperar.

Yuri andava de um lado para o outro no corredor do hospital, sentindo o coração martelar no peito. Ele odiava essa sensação de impotência, de não poder fazer nada além de esperar.

Os minutos pareciam horas, e cada segundo que passava sem notícias aumentava sua angústia. Ele parou em frente à porta do quarto de Yuna, tentando ouvir qualquer som vindo de dentro, mas tudo estava silencioso.

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