Alicia acordou eram 5 horas da manhã, ela fez sua higiene, se trocou e foi para a cozinha.
Embora tivessem empregados, ela acordava cedo para preparar o seu café e o do Bento.
Sua família implicava com suas escolhas de alimentação, achavam ela simples demais.
Para ela, preparar um alimento era algo sagrado, onde uma vida era doada a outra.
Hoje ela resolveu fazer, ovos mexidos, pão, leite e café para ela e para o Bento.
Preparou para si primeiro, arrumou o canto da mesa com carinho, colocando uma toalha, xícaras e pires, um bule de leite, um de café, os ovos mexidos em um prato e o pão do lado e sentou-se sozinha. Era normal estar só, e não se importava.
Ela aproveitou para saborear seu café, planejando seu dia com tranquilidade e coerência.
Equilíbrio, definiria Alicia, se não fosse os problemas que ela enfrentava com seu pai, a madrasta e Angélica, com certeza sua vida seria muito melhor.
Esses três eram o motivo dela ficar com raiva e revoltada, e isso era algo que realmente a perturbava.
Alicia achava que discutir por coisas inúteis, era pura perda de tempo, mas também sabia que isso lhe causava problemas.
Sua melhor amiga e sócia Vilma, dizia que sua bondade era tóxica para ela mesma.
Talvez ela tivesse razão. Só talvez.
Alicia suspirou e terminou de tomar seu café.
Depois ajeitou em uma bandeja, um pão com ovo, uma caneca de leite com café e foi acordar Bento.
O quarto de Bento ficava ao lado do seu, desta forma ela podia escutar ele a noite, mas Bento era do tipo de pessoa que dormia muito bem.
Ela entrou no quarto, colocou a bandeja sobre uma mesa e se aproximou do irmão chamando seu nome baixinho.
_ Bento, bom dia! Acorda meu amor! A Tata trouxe um café para você.
O menino abriu os olhos e sorriu, depois olhou para a bandeja e seu sorriso desapareceu.
_ Sem tete? Perguntou desgostoso.
Alicia passou as mãos por seu cabelo.
_ Lembra do que a Mel falou? Perguntou, referindo a psicóloga.
_ Que eu podia ficar sem tomar meu tetê de manhã.
_ Isso mesmo, por isso que eu trouxe na caneca, e olha que caneca, é dos carros.
Os Carros era o desenho preferido dele.
_ Eu queria o meu tetê! Disse, fazendo bico.
_ A noite! Combinado? Alicia levantou a mão para ele apertar.
Bento apertou a mão, e suspirou indo tomar seu café.
Acabou devorando tudo.
Ela levou ele ao banheiro para tomar banho e fazer sua higiene pessoal, ele não precisava de ajuda para fazer isso tudo, mas de orientação.
Depois de higienizado, Bento colocou seu uniforme da escola, ele estava na quinta série.
O fato dele ser infantilista, não o impedia de tirar boas notas na escola, o maior problema estava no convívio social.
As crianças, adolescentes e até adultos, não compreendem com facilidade sua condição, na verdade o infantilidade ainda é discutível no meio médico.
A escola de Bento era pública, pois seu pai se recusava em coloca-lo em uma particular, Alicia, porém, não achava que uma escola particular, iria mudar o preconceito, e por isso fez questão de construir com a escola um bom relacionamento, e sempre que acontecia algo era informada.
Bento tinha dois amigos na escola, Giovanna e Rafael, esses cuidavam dele e não permitia que o maltratasse.
Giovanna e Rafael também foram, de certa forma, fazendo com que uma boa parte da sala entendessem Bento.
Depois de arrumado, Alicia levou Bento para a escola, os seus dois amigos esperava-o no portão, ela deu um beijo no irmão e um tiau para os outros, e esperou para entrarem, e só depois seguiu para sua loja.
A loja de Alicia era uma mistura de aroma e cores. Cada canto era especial e criado com muito carinho.
Ela abriu a loja e sorriu, aquele era o melhor lugar do mundo para ela.
Nas prateleiras de vidro, via-se cristais de várias cores e tamanho, cada um tem uma serventia diferente de cura e limpeza do ambiente e da alma.
As pessoas podiam até não crer nisso, mas Alicia achava poderosa a energia de um cristal, quando pensava em como ele era formado.
Também havia chás naturais, velas aromáticas, incensos, pomadas e óleos essenciais.
Cada um com a finalidade de dar ao comprador, um momento de paz.
Quem entrava ali era envolvida por aromas e pelas cores do ambiente.
Além disso a loja trazia coisas aleatórias e antigas, como a primeira edição de um livro, uma joia de família que alguém teve que vender, um vestido de baile, e outras coisas que ela e a sua amiga encontrasse.
A última aquisição fora um cofre de moedas antigas, que Alicia estava a limpar cuidadosamente, sem, no entanto perder a aparência antiga e iria ser colocado para compra.
Alicia foi preparar o chá e o bolo servidos na loja. O chá seria de alecrim com hortelã e o bolo seria recheado com creme de hortelã.
Era interessante como várias pessoas entravam na loja a procura de algo e sempre encontrava o que precisava.
A bandeja com o chá e o bolo estava no lugar quando a sua primeira cliente chegou.
Bom dia! Disse Alicia para a moça.
A forma como a moça olhava para a loja, demonstrava ser sua primeira vez.
_ Bom dia! Respondeu à moça.
_ Em que posso ajudar? Perguntou Alicia.
_ Eu gostaria de um presente.
_ Está a procurar algo específico? Perguntou Julia.
_ É para meu pai. Respondeu.
Alicia levou-a onde havia um relógio de bolso antigo.
A moça sorriu ao pega-lo e disse:
_ O meu avô tinha um deste, poderia dizer que igual. Ele precisou vender para poder sustentar a família durante um período difícil.
_ Eu achei este em uma casa de penhor, o dono estava fechando definitivamente, e por isso vendeu todas as mercadorias.
_ Não seria incrível se fosse o mesmo relógio? Disse a moça.
_ Sim, seria. Olha, deixa eu te mostrar!
Alicia pegou o relógio da mão da moça e mostrou que atrás estava uma data. 02/06/1933.
_ Essa data tem algum significado para você? Perguntou para a moça.
_ Não sei, eu vou levar o relógio. Pois, com certeza, mesmo que não for o do meu avô, sinto que tem história e significado.
Alicia sorriu e concordou.
Depois que a freguesa saiu, outra já conhecida entrou.
_ Bom dia!, Graça! Disse Alicia.
_ Bom dia, menina! Qual chá teremos hoje? Perguntou a Senhora.
_ Alecrim e hortelã. Respondeu.
A senhora torceu o nariz e disse.
_ Não creio que essa mistura seja boa, mas vamos lá sirva-me uma xícara com um pedaço de bolo.
Alicia buscou a xícara e uma fatia de bolo servindo a senhora numa mesa que estava num cantinho florido.
A tal Graça experimentou e fez uma cara de satisfação.
_ Retiro o que disse, está uma delícia. Para que serve?
_ O alecrim traz alegria e também é um anti-inflamatório natural e a hortelã acalma e também é anti-inflamatório.
_ Estava precisando disso. Você sempre tem o melhor para mim, Alicia.
Após beber e comer Graça levou um creme próprio para cabelo, que deixava-os cheiroso, sedoso e brilhante.
_ Este vou levar para minha amiga Maisa. Um dia eu quero que você vá comigo num encontro com as minhas amigas.
_ Seria um prazer, Dona Graça.
Assim como entrou a mesma saiu.
Eram 9 horas e a sua amiga e sócia chegou.
_ Bom dia! Como está?
_ Bom dia! Estou bem, e você.
_ Estou maravilhosa! Ontem consegui fechar negócio com aquela comunidade que faz os óleos essenciais.
_ Parabéns! Merece uma xícara de chá.
Alicia pegou a xícara para a amiga.
O resto do dia foi dividido entre limpar as moedas e atender os clientes.
Era mais de 18h quando enfim foram para a casa.
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Atualizado até capítulo 41
Comments
Ester
pensei que tinha aberto uma casa de chás e ervas pelo jeito que falou, mas abriu uma de antiguidades ao que parece
2025-03-02
3
Rana Denevitz silveira
preciso de um Rafael e de uma Giovana na minha vida kkkk
2025-03-24
1
Ester
essa loja delas é do que afinal tá tudo misturado antiguidade com chá e cremes e shampoo
2025-03-02
0