Tranquei tudo e olhei para meu hóspede, a perna voltou a sangrar, terei que ver o que posso fazer com esses ferimentos.
Fui à cozinha, peguei alguns panos limpos, álcool, antisséptico que uso nos ferimentos das criações, anestésico, agulha para sutura, e um bisturi. Tenho quase todo material cirúrgico porque, se uma criação machuca, eu preciso curar, não dá para ficar incomodando os vizinhos toda vez.
Voltei onde ele está no chão do mesmo jeito que deixei, cortei a jaqueta dele liberando o braço, mas esse ferimento pode esperar, fui à calça e cortei até perto da virilha, quando acabei de abrir estou com um problema bem feio, a bala deve estar na coxa, continua sangrando, está começando a ficar roxo nas bordas, terei que amarrar ele e limpar o ferimento.
Porque se eu deixar ele solto e na hora que eu tiver anestesiando ele se mexer, é perigoso quebrar a agulha na perna dele.
Peguei as peias que uso para prender as pernas das vacas, amarrei os braços dele beirando o corpo e busquei um balde de água e comecei a lavar.
-Vou te chamar de sexta-feira, adoro o livro do Robson Crusoé, então veja se me ajuda e não acorde agora.
Lavei o ferimento com água e sabão, enxuguei, joguei antisséptico para desinfectar, vesti minhas luvas e comecei a anestesiar sexta-feira, deu uma resmungada, mas continuou desacordado. Esperei um pouco e comecei a apalpar para ver onde exatamente está a bala, achei, me posicionei e meu celular tocou.
-Nossa, sexta-feira, é meu filho, vê se não faz barulho, terei que atender senão ele é bem capaz de aparecer aqui e não queremos isso por enquanto.
-Oi! Filho, está tudo bem? Porque você está me ligando tão cedo?
-Está, sim, mãe, a senhora está estranha, parece longe do celular.
-É que estou fazendo um doce e não posso parar de mexer.
-A senhora está fazendo doce às 5h da manhã?
-Estou, qual é o problema? Aqui eu faço meus horários.
-Doce de quê? Mais tarde, acho que vou ia comer um pouco.
-É doce de mamão, você não gosta. Você ligou só para isso. Estou ocupada.
-Não, mãe, estão falando que tem um foragido escondido aí perto, a senhora se cuida e não deixa ninguém entrar.
-Pode deixar, filho, não deixarei ninguém entrar aqui.
Enquanto estou falando com meu filho, estou mexendo no ferimento procurando a bala. Acho que minto muito bem, nem deixei meu filho perceber que tenho um estranho no meu chão e baleado. Sexta-feira, resolveu gemer.
-Mãe, eu ouvi um gemido? Tem alguém aí com a senhora?
Nossa estava tudo indo bem demais, vai Rose arruma uma desculpa, pensa rápido.
-É o Fantasma, tem hora que ele parece gente, acho que quer doce.
-Me pareceu um gemido de dor. A senhora não está mentindo para mim, está?
-Sai daqui. Fantasma, vai deitar para lá. Pronto, já toquei ele. Claro que não estou mentindo para você, porque eu faria uma coisa dessas?
Nisso acho a bala, e solto um achei.
-Achou o quê? Mãe eu estou ficando preocupado.
-Nada, filho, olha, meu doce vai queimar, pode ficar tranquilo que sei me cuidar, e não vem aqui hoje vou escrever um capítulo importante do meu livro e não quero interrupção.
Desliguei o celular antes que fosse pior.
-E aí, sexta-feira, você é o foragido que a polícia está procurando? Nem perguntei para meu filho que tipo de foragido, será que você é um homem perigoso?
Acabei de limpar o ferimento e fechei, dei pontos e fiz o mesmo com o ferimento do ombro.
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Atualizado até capítulo 121
Comments
Sandra Maria de Oliveira Costa
parece ser bom o livro e já dei muita risadas dela
2025-01-09
3
Maria Helena Pereira
Ela é muito engraçada 🤣
2025-01-29
0
Bernadete Barros Rocha
Rose tu é a melhor viu rindo horrores 😂😂😂😂😂😂😂
2025-01-09
1