Shin e Yuna avançavam pela trilha sinuosa que os conduzia à última das grandes fissuras. O tempo parecia distorcido ao seu redor — o céu escurecia e clareava em ciclos irregulares, e a terra tremia sob seus pés, como se o mundo inteiro estivesse prestes a se partir em duas realidades. Eles sabiam que cada passo os levava mais perto do confronto final com o emissário de Hayato, o Rei do Caos, e que a linha entre luz e sombras se tornava mais fina a cada momento.
“Ele está perto,” murmurou Shin, sentindo a familiar pressão das sombras se avolumando ao seu redor.
Yuna assentiu, ajustando a lâmina de luz em suas costas. “Este é o último obstáculo antes de enfrentarmos Hayato.”
Ao alcançarem uma clareira no meio da floresta, foram recebidos por um silêncio inquietante. No centro da área, uma figura encapuzada aguardava — o mesmo emissário que havia aparecido antes. Ele ergueu a cabeça lentamente, revelando um sorriso enigmático.
“Vocês vieram,” disse ele, sua voz sibilante ecoando como um feitiço. “Estão prontos para moldar o destino? Ou se perderão, como tantos outros antes de vocês?”
Shin puxou suas sombras ao redor do corpo, preparando-se para o combate. “Acabamos com os jogos, agora. Não importa o que você ou Hayato planejaram, vamos impedir.”
O emissário riu, uma risada fria e distorcida. “Impedir? Vocês ainda não entenderam... Não existe vitória absoluta, apenas escolhas. E cada escolha tem um custo.”
Com um movimento rápido, o emissário ergueu a mão e, do chão, surgiram cópias sombrias de Shin e Yuna. As réplicas eram idênticas, exceto por seus olhos vazios, que brilhavam com intenções malignas.
“Este é o teste final,” sussurrou o emissário. “Vocês precisam derrotar a si mesmos. Se falharem, o equilíbrio que lutam para proteger será corrompido.”
O Combate Contra os Reflexos
As sombras e a luz se chocaram com uma força devastadora. Shin investiu contra sua réplica sombria, seus punhos envoltos em energia negra. A batalha era intensa e desesperadora. A versão sombria dele parecia prever cada um de seus movimentos, espelhando suas técnicas com precisão brutal.
“Droga! Como posso vencer a mim mesmo?” Shin gritou, desviando por pouco de um golpe mortal.
Enquanto isso, Yuna enfrentava sua própria réplica, uma guerreira de luz distorcida. Os golpes de suas lâminas se encontravam no ar em uma tempestade de faíscas e energia. A cada impacto, Yuna sentia como se estivesse lutando não apenas contra uma inimiga, mas contra suas próprias dúvidas e inseguranças.
“Você não pode proteger todos,” sussurrava a réplica de Yuna, um sorriso cruel no rosto. “No fundo, sabe que o sacrifício será em vão.”
“Não!” Yuna gritou, afastando sua inimiga com um arco de luz. “Eu acredito no que estamos construindo!”
As batalhas se intensificaram, cada golpe refletindo o conflito interno dos dois. Shin lutava contra a parte de si que temia perder o controle das sombras, enquanto Yuna combatia a sensação de que seu amor por Shin não seria suficiente para enfrentar Hayato. Era uma dança de luz e trevas, esperança e desespero, até que ambos perceberam a verdade.
O Momento de Clareza
Shin, exausto, esquivou-se de mais um ataque da réplica e, de repente, parou. Ele encarou sua versão sombria, o coração batendo forte, e compreendeu. “Não posso vencer você... porque você é parte de mim.”
Com essa aceitação, ele deixou as sombras fluírem livremente ao seu redor, permitindo que o reflexo sombrio se dissolvesse em sua essência. Ele não precisava lutar contra sua escuridão — precisava aceitá-la como parte de quem ele era.
Ao mesmo tempo, Yuna entendeu que não precisava carregar sozinha o fardo de proteger o mundo. “Nós somos mais fortes juntos,” ela murmurou, deixando sua lâmina brilhar ainda mais forte. Com esse reconhecimento, a réplica se desfez em uma névoa de luz, absorvida por sua espada.
Eles venceram não através da força, mas pela aceitação de quem eram: luz e sombra, unidos.
A Ascensão do Emissário
O emissário observava em silêncio, seus olhos cheios de uma estranha satisfação. “Vocês passaram no teste... Mas isso é apenas o começo.”
Antes que pudessem reagir, o corpo do emissário começou a se transformar, crescendo em tamanho e intensidade. Sombras e luz se entrelaçaram, formando uma figura imensa, uma fusão dos dois extremos. Ele havia absorvido o poder dos reflexos e se tornara algo novo — uma personificação do equilíbrio corrompido.
“Eu sou o primeiro ato do fim,” rugiu a criatura. “E Hayato espera por vocês além deste momento.”
Shin e Yuna sabiam que precisariam unir seus poderes mais uma vez. Com um aceno silencioso, eles se colocaram lado a lado. As sombras de Shin dançaram ao redor da luz de Yuna, formando um turbilhão de energia pura. Eles não eram mais guerreiros separados, mas uma única força.
“Pelo equilíbrio,” disseram juntos, e lançaram seu ataque final.
A Nova Abertura
A criatura desabou em uma explosão de energia, as fissuras ao redor se fechando enquanto a clareira voltava ao silêncio. O emissário desaparecera, mas não sem deixar uma última advertência: “Hayato os aguarda. Ele conhece seus corações... e usará isso contra vocês.”
Shin e Yuna caíram de joelhos, exaustos, mas vitoriosos. A batalha havia terminado, mas o verdadeiro desafio ainda estava por vir. Eles se entreolharam e, naquele momento, souberam que não havia mais volta.
“Estamos prontos?” perguntou Yuna, segurando a mão de Shin.
“Estamos,” ele respondeu, apertando os dedos dela com firmeza. “Não importa o que aconteça, enfrentaremos juntos.”
O horizonte estava aberto diante deles, vasto e incerto, mas, desta vez, eles não temiam o futuro. Não importava o que Hayato Otomura planejasse, porque agora estavam prontos para moldar seu próprio destino.
“Vamos,” disse Shin, com um sorriso determinado. “Nosso futuro espera.”
E assim, de mãos dadas, avançaram em direção ao confronto final, prontos para reescrever o destino do mundo com a força do amor e do equilíbrio que haviam encontrado juntos.
Continua...
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Atualizado até capítulo 38
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