O tempo havia se transformado em um paradoxo desde o sacrifício de Shin e Yuna. Dias se arrastavam em um ritmo lento, como se o próprio universo estivesse hesitante em seguir adiante sem eles. O reino de Azura, ainda liberto da ameaça de Akuma, permanecia envolto em uma atmosfera de incerteza. A vitória havia sido conquistada, mas a perda dos heróis deixou uma ferida aberta no coração do reino, como uma sombra que pairava sobre o horizonte.
As cicatrizes da batalha final ainda marcavam as ruas e a cidade. Os cidadãos reconstruíam suas casas e comércio, mas a ausência de Shin e Yuna era sentida em cada pedra recolocada, em cada parede erguida. Monumentos em homenagem a eles surgiam em praças, e suas histórias eram repetidas nas tavernas e nas fogueiras das aldeias, mas para aqueles que os conheciam de perto, havia um vazio que nenhum conto poderia preencher.
A sensação de que algo mais aguardava estava latente, especialmente para aqueles que acreditavam em uma verdade maior. Entre esse grupo estava Kaede, uma das mais brilhantes estudiosas de Azura, e uma mulher que nunca aceitava o fim como resposta definitiva. Com seus olhos castanhos afiados e mente rápida, ela se dedicava a investigar a possibilidade de que Shin e Yuna não estivessem completamente perdidos para o mundo.
Na Sala dos Anciões
Kaede passava longas horas na Sala dos Anciões, uma biblioteca secreta no castelo, onde manuscritos antigos e textos arcanos eram mantidos. Ela acreditava que o sacrifício deles não era o fim, mas uma transformação – uma transição para um estado superior. As velas ardiam baixas, lançando sombras sobre os pergaminhos que ela estudava com cuidado.
"Shin e Yuna se tornaram parte do equilíbrio," Kaede refletia em voz alta, sua mente trabalhando freneticamente. "Mas o equilíbrio não é uma prisão. É um ciclo. Se eles agora são a manifestação da harmonia, então podem retornar quando o mundo mais precisar deles."
Ela encontrou uma passagem em um pergaminho antigo, falado em metáforas, sobre a força da "roda do destino". Segundo o texto, luz e sombras estavam destinadas a se renovar mutuamente. Assim, os guardiões do equilíbrio poderiam surgir novamente, sempre que o ciclo da criação e destruição ameaçasse o mundo.
Kaede parou de ler, seu coração acelerado. "Se o equilíbrio é cíclico, eles podem retornar."
Os outros estudiosos que trabalhavam com Kaede a olhavam com ceticismo, mas sua paixão era contagiante. Um deles, mais velho, falou com cautela: "Você realmente acredita que eles podem voltar? Mesmo depois de terem se tornado parte de algo tão... além da nossa compreensão?"
Kaede o encarou com determinação. "Sim. Se o equilíbrio ainda existe, se o reino ainda está de pé, então eles ainda existem. Não como meras sombras ou luzes, mas como parte de algo muito maior. E eu acredito que, de alguma forma, eles podem escolher retornar."
O Chamado da Clareira
Enquanto Kaede trabalhava para desvendar o mistério, algo estava acontecendo nas profundezas da Floresta de Prata, um local conhecido por sua serenidade e beleza sobrenatural. Diziam que a floresta era abençoada pelas forças antigas, e sempre foi um lugar de introspecção e mistério. Mas naquele amanhecer, um fenômeno incomum começou a tomar forma.
A luz suave do sol nascente se misturava com as sombras que ainda resistiam da noite anterior. As cores, oscilando entre dourado e cinza, formavam um padrão único de harmonia, algo que nunca havia sido visto antes. E, no coração dessa clareira mágica, o ar parecia vibrar com uma energia diferente. No centro do campo iluminado e sombreado ao mesmo tempo, duas figuras começaram a se materializar.
Era Shin e Yuna.
Primeiro, foi apenas um vislumbre, uma distorção leve no ar, quase invisível. Mas, à medida que o tempo passava, suas formas se tornaram mais claras, mais reais. Eles emergiram como se fossem parte do próprio tecido do universo, nascidos das sombras e da luz que os envolviam.
Shin foi o primeiro a abrir os olhos. Seu corpo parecia o mesmo, mas sua presença era diferente – mais serena, mais profunda. Ele sentiu o calor da mão de Yuna na sua, um toque que o lembrava que não estava sozinho.
"Yuna," ele murmurou, virando-se para ela, sentindo o peso e a leveza daquele momento ao mesmo tempo.
Yuna abriu os olhos devagar, sentindo o vento suave e o brilho do sol em sua pele. A sensação de estar de volta, de respirar e sentir novamente, era quase avassaladora. "Estamos... de volta?" ela perguntou, sua voz cheia de incredulidade e alívio.
"Sim," respondeu Shin, com um leve sorriso. "O equilíbrio nos trouxe de volta, mas de uma maneira diferente. Não estamos mais aqui apenas como guerreiros. Agora somos parte dele, de tudo."
Yuna olhou para o horizonte, seu coração acelerado. "Ainda somos nós, Shin. Não importa o que mudamos ou como somos parte disso agora. Estamos juntos, e isso é o que importa."
O Retorno ao Reino
Enquanto Shin e Yuna assimilavam o novo poder e propósito que lhes havia sido dado, o reino de Azura começava a sentir algo diferente. Kaede, sentindo o ar ao redor mudar, correu para as janelas do castelo. A Floresta de Prata brilhava de uma maneira incomum, um reflexo de luz e sombra dançando em perfeita sincronia.
"Eles voltaram," Kaede sussurrou, sua mente se iluminando com a certeza de que suas teorias estavam corretas. "O equilíbrio os trouxe de volta."
A notícia rapidamente se espalhou por Azura, enchendo o povo de esperança. As ruas foram tomadas por uma euforia inesperada. Pessoas que antes haviam se resignado à perda agora falavam de milagres, de um futuro diferente. O sacrifício de Shin e Yuna não havia sido em vão, mas sim uma transição para algo maior, algo eterno.
O retorno dos heróis ao reino não foi marcado por fanfarra ou celebrações, mas por uma tranquilidade quase espiritual. Quando Shin e Yuna finalmente cruzaram os portões de Azura, não como mortais, mas como guardiões do equilíbrio, o povo se reuniu silenciosamente para vê-los. O brilho suave que emanava de ambos transmitia paz, e seu simples caminhar inspirava um profundo respeito.
Uma Nova Jornada Juntos
Ao chegarem ao coração da cidade, Shin e Yuna foram recebidos pelo rei e por Kaede. O rei, que antes havia liderado um reino à beira da destruição, estava agora de joelhos diante deles. "Vocês nos salvaram. Mais de uma vez."
Shin sorriu, ajudando o rei a se levantar. "Agora, somos parte do que devemos proteger."
Kaede, ainda maravilhada, se aproximou, seus olhos brilhando de admiração e respeito. "Eu sabia que havia mais em seu destino. Vocês transcenderam as limitações deste mundo. São os guardiões de tudo o que conhecemos."
Yuna, segurando a mão de Shin, sorriu para Kaede. "E graças a você, conseguimos encontrar nosso caminho de volta."
Eles sabiam que essa nova vida não seria fácil, mas com o poder do equilíbrio fluindo por suas veias, estavam prontos para o que quer que o futuro trouxesse. E, mais do que tudo, estavam juntos, como sempre estiveram.
Continua...
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Atualizado até capítulo 38
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