A entrada para a Floresta dos Guardiões era sufocante. As árvores eram tão densas que a luz do sol mal penetrava entre os galhos, deixando tudo em uma penumbra perpétua. O som que Shin ouvira antes parecia ecoar ao redor, como se a própria floresta estivesse viva, observando cada passo dos intrusos. Yuna mantinha sua espada à frente, sua lâmina emitindo um brilho suave que oferecia uma segurança tênue no meio da escuridão.
“Fique alerta,” Yuna sussurrou, seus olhos atentos ao caminho à frente. “A floresta está sempre em movimento. Eles não vão permitir que avancemos facilmente.”
Shin assentiu, sentindo as sombras dentro de si reagirem à presença daquele lugar. Era como se as trevas que ele controlava fossem atraídas por algo antigo, algo primordial. Mas havia também uma inquietação. Algo naquela floresta parecia ameaçar mais do que apenas seus corpos; parecia tentar invadir suas próprias mentes.
“Os Guardiões...” Shin começou, a voz hesitante. “O que exatamente eles são?”
Yuna deu uma olhada rápida para ele antes de continuar a caminhar. “Os Guardiões são seres ancestrais que protegem as relíquias sagradas. Não são criaturas de carne e osso como nós. Eles foram moldados pela própria natureza mágica do reino, e vivem para um único propósito: proteger o equilíbrio. Luz ou escuridão, não importa para eles. O que eles querem é garantir que apenas os dignos possam acessar o poder que protegem.”
Shin processou as palavras, sentindo um arrepio subir pela espinha. Era claro que essa missão seria mais difícil do que ele imaginara. Eles não estavam enfrentando inimigos comuns. Se os Guardiões eram forças da própria natureza, derrotá-los não seria uma questão de força física ou habilidade em batalha.
De repente, o caminho à frente começou a mudar. As árvores, que antes eram estáticas, começaram a se mexer lentamente, como se estivessem se rearranjando. As folhas farfalhavam como sussurros, e a atmosfera ficou ainda mais pesada. Yuna parou abruptamente, seus olhos atentos aos arredores.
“Eles estão aqui,” ela disse em um tom baixo, com a mão apertando o cabo da espada.
Antes que Shin pudesse responder, uma figura emergiu da escuridão. Era uma silhueta alta e imponente, formada inteiramente de sombras, seus olhos brilhando com uma luz espectral. Não tinha forma definida, mudando constantemente, como se fosse feita de fumaça. Logo, outras figuras semelhantes apareceram ao redor, cercando Shin e Yuna.
“Guardiões,” murmurou Shin, sentindo o poder deles pulsar no ar.
Uma das figuras avançou, a sombra tomando a forma de uma criatura com garras longas e afiadas. Sem hesitar, Yuna ergueu sua espada, e um feixe de luz explodiu da lâmina, cortando a escuridão. A criatura se dissolveu por um momento, mas logo se reformou, ainda mais ameaçadora.
“Não podemos vencê-los assim,” disse Yuna entre os dentes. “Eles não podem ser destruídos da maneira convencional.”
Shin sentiu as sombras dentro de si ondularem, reagindo ao perigo. Ele sabia que seu poder poderia ser a chave, mas o risco de perder o controle sempre estava presente. No entanto, com os Guardiões cercando-os, ele não tinha outra escolha.
“Então como?” perguntou ele, recuando enquanto uma das criaturas avançava.
“Eles são feitos de pura energia mágica,” Yuna explicou, desviando de outro ataque. “Só alguém que entende tanto a luz quanto as sombras pode confrontá-los diretamente. É um teste de equilíbrio.”
Shin se preparou, fechando os olhos por um momento. Ele podia sentir a escuridão ao seu redor e dentro de si, mas também sabia que havia um resquício de luz em sua alma. Ele havia experimentado isso no Templo da Luz. Com uma respiração profunda, ele estendeu a mão, deixando as sombras fluírem livremente.
“Vamos ver do que vocês são feitos,” murmurou ele.
A escuridão ao redor dele começou a se solidificar, tomando a forma de uma espada negra, semelhante à lâmina que ele havia usado durante o teste. Ao mesmo tempo, uma leve aura de luz envolveu sua outra mão. Ele olhou para Yuna, que assentiu, ciente do que ele estava tentando fazer.
Com um grito, Shin avançou. Sua espada de sombras encontrou a forma de uma das criaturas, e desta vez, em vez de atravessá-la como fumaça, a lâmina cortou o corpo da sombra com eficácia. A criatura soltou um grito agudo antes de se dissolver completamente, desaparecendo no ar.
Yuna aproveitou o momento, sua espada brilhante desferindo cortes precisos enquanto ela se movia com agilidade. Juntos, eles começaram a enfrentar os Guardiões, não apenas com força bruta, mas com a compreensão do equilíbrio entre seus poderes.
Ainda assim, a luta não era fácil. Para cada Guardião derrotado, outros surgiam das profundezas da floresta. As sombras dançavam ao redor de Shin, e ele sentia o peso delas aumentar à medida que continuava a lutar. Seu corpo começava a ficar exausto, e a pressão em sua mente aumentava. As sombras sussurravam, tentando atraí-lo de volta para o caos interior que ele sempre temeu.
“Não ceda, Shin!” gritou Yuna, bloqueando um ataque. “Você é mais forte que isso!”
As palavras dela ecoaram em sua mente. Shin sabia que a batalha não era apenas física — era mental. Ele não estava apenas lutando contra os Guardiões; estava lutando contra suas próprias trevas.
Com um esforço final, Shin concentrou toda sua energia. A luz e as sombras em seu corpo se misturaram em uma única onda de poder, que ele direcionou contra os Guardiões. As criaturas foram envolvidas pela força combinada, e uma por uma, elas começaram a desaparecer, até que restou apenas o silêncio.
A floresta, que antes parecia uma prisão, agora estava quieta. As árvores pararam de se mover, e o caminho à frente clareou, como se a própria floresta tivesse aceitado sua presença.
Yuna abaixou a espada, ofegante, e olhou para Shin com uma expressão mista de surpresa e aprovação. “Você... conseguiu.”
Shin, ainda recuperando o fôlego, olhou para suas mãos. As sombras haviam recuado, e ele se sentia em paz, pelo menos por enquanto. “Foi por pouco,” ele disse, com um meio sorriso. “Mas acho que estou começando a entender.”
Yuna se aproximou, sua expressão séria. “Isso foi apenas o começo. A floresta nos deixou passar, mas ainda precisamos encontrar a Espada da Luz. E, depois disso, a Espada da Sombra. Não podemos baixar a guarda.”
Shin assentiu. Ele sabia que a jornada estava longe de terminar. O caminho para equilibrar luz e sombras era cheio de desafios, e cada passo o levava mais perto de enfrentar Hayato Otomura. Mas, com Yuna ao seu lado, ele começava a acreditar que talvez, apenas talvez, eles tivessem uma chance.
Eles seguiram em frente, adentrando ainda mais na floresta, sem saber que os próximos testes seriam ainda mais intensos, e que o poder que buscavam tinha um preço muito maior do que imaginavam.
Continua...
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Atualizado até capítulo 38
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