Shin e Yuna corriam pela floresta escura, o som dos rugidos de Akuma ainda ecoando à distância. Suas respirações eram ofegantes, e o peso da situação pendia sobre seus ombros como uma sombra densa. Eles haviam derrotado Hayato, mas enfrentavam algo muito mais antigo, mais maligno, algo que ameaçava não apenas o reino de Azura, mas a própria existência de luz e sombra. Eles precisavam de respostas.
“Temos que encontrar uma maneira de parar Akuma,” Yuna disse, sua voz determinada, apesar do medo. “Ele é diferente de qualquer coisa que enfrentamos.”
Shin assentiu, o olhar distante. “Há mais sobre o equilíbrio que não compreendemos. Algo que Akuma mencionou... e sobre a luz e as sombras. Precisamos entender a origem de seu poder.”
Eles chegaram a uma clareira, onde a floresta se abria para uma pequena fonte de água cristalina. O brilho fraco da lua se refletia na superfície, dando à cena uma tranquilidade temporária, um contraste com o caos que se espalhava atrás deles. Yuna se abaixou perto da água, mergulhando as mãos no riacho para refrescar-se, enquanto Shin observava o horizonte, seus olhos fixos nas montanhas distantes.
“Havia histórias antigas,” Shin começou a dizer, ainda olhando para as montanhas. “Lendas sobre o equilíbrio do mundo, que falavam sobre entidades mais antigas que o próprio reino de Azura, forças primordiais que deram origem à luz e às sombras.”
Yuna olhou para ele, intrigada. “Forças mais antigas que a própria luz e sombra? O que isso significa?”
Shin virou-se para encará-la, sua expressão grave. “Se Akuma é uma dessas forças, então ele não pode ser derrotado da maneira usual. Precisamos entender o que ele realmente é… e como essas forças se conectam ao equilíbrio.”
Yuna franziu o cenho. “E onde podemos encontrar essas respostas?”
Shin respirou fundo, uma sombra de preocupação em seus olhos. “Há um lugar. Um templo escondido nas Montanhas Cinzentas. É dito que ele guarda o conhecimento proibido sobre as forças que moldaram o mundo.”
Yuna levantou-se, limpando as mãos molhadas. “Então, é para lá que vamos. Não podemos perder tempo.”
A jornada para as Montanhas Cinzentas foi longa e árdua. O caminho era traiçoeiro, com penhascos íngremes e ventos gelados que cortavam como lâminas. Cada passo parecia mais difícil do que o anterior, mas Shin e Yuna continuaram, sabendo que suas respostas estavam no topo da montanha. O Templo do Equilíbrio, como era chamado, era um lugar de mitos, e poucos acreditavam que ele ainda existia. Mas Shin sabia que, se quisessem ter alguma chance contra Akuma, aquele era o único caminho.
Após dias de caminhada, eles finalmente chegaram ao topo da montanha, onde o templo erguia-se diante deles, uma estrutura antiga e imponente. Suas paredes eram cobertas de musgo e fissuras, e as grandes portas de pedra estavam parcialmente abertas, como se esperassem a chegada de alguém há séculos.
“Estamos aqui,” disse Shin, exausto, mas determinado. “Vamos descobrir o que precisamos.”
Yuna olhou para o templo com admiração e temor. Havia uma sensação de poder antigo ali, como se o lugar estivesse vivo com o conhecimento das eras. “Acho que nunca senti uma energia tão… antiga.”
Eles entraram no templo, seus passos ecoando pelas paredes de pedra. O interior era sombrio, iluminado apenas por cristais que emitiam uma luz fraca e pulsante. No centro da sala principal, havia um pedestal de pedra com um livro antigo repousando sobre ele, coberto de poeira e teias de aranha.
“Aquele livro,” disse Shin, andando até o pedestal. “Ele deve conter as respostas.”
Yuna se aproximou ao lado dele, observando o livro. “Será que nos dirá como derrotar Akuma?”
Shin hesitou por um momento antes de abrir o livro. As páginas estavam gastas, mas as palavras, escritas em uma língua antiga, começaram a brilhar com uma luz suave, como se o próprio livro estivesse respondendo à sua presença.
À medida que as palavras se revelavam, uma imagem começou a se formar na mente de Shin: a criação do mundo. Havia dois poderes primordiais — a luz e as sombras — que existiam em equilíbrio. No entanto, havia uma terceira força, algo mais antigo, que existia antes de ambas: O Vazio. Akuma era uma manifestação desse vazio primordial, a ausência de luz e sombra, o verdadeiro caos que precedia a criação.
“Akuma não é apenas uma criatura de escuridão,” Shin murmurou, virando as páginas com mais rapidez. “Ele é o vazio… a destruição do próprio equilíbrio.”
Yuna franziu o cenho, absorvendo a informação. “Então ele é algo que nem a luz nem as sombras podem derrotar. Ele não pertence a nenhum dos dois.”
Shin assentiu. “Exatamente. Ele existe fora do equilíbrio. E é por isso que ele é tão perigoso. O equilíbrio que conhecemos — luz e sombra — não pode contê-lo. Mas… talvez haja uma maneira.”
Ele continuou a ler, seus olhos se movendo rapidamente pelas páginas. Então, algo chamou sua atenção. A Força do Destino. Era mencionado que, em tempos de grande crise, quando o equilíbrio fosse ameaçado pelo vazio, o poder dos escolhidos poderia ser invocado, aqueles que encarnavam tanto a luz quanto as sombras. Eles teriam a capacidade de controlar o destino e de moldá-lo de acordo com a necessidade.
“Yuna,” Shin disse, seus olhos fixos na página. “O poder para derrotar Akuma… não está em apenas um de nós. Está na união das forças que carregamos. A luz e as sombras juntas podem criar algo mais poderoso: o controle sobre o destino.”
Yuna olhou para ele, os olhos arregalados. “Você quer dizer que… nós dois… juntos, podemos moldar o destino?”
Shin fechou o livro, assentindo lentamente. “Sim. Mas há um preço.”
“O que seria?” Yuna perguntou, seu coração acelerando.
Shin olhou para o templo, sentindo o peso do que havia lido. “Aqueles que tentam controlar o destino pagam com sua própria liberdade. O poder que nos permitiria derrotar Akuma nos tornaria prisioneiros do equilíbrio. Nunca poderíamos voltar a viver como antes. Seríamos… parte do equilíbrio eterno.”
Yuna ficou em silêncio, absorvendo o significado daquelas palavras. A decisão que eles precisariam tomar seria a mais difícil de suas vidas.
“Se não fizermos isso,” continuou Shin, “Akuma consumirá tudo. Não restará nem luz, nem sombras. Apenas o vazio.”
Yuna respirou fundo, encarando Shin com uma determinação renovada. “Então vamos fazer o que precisa ser feito. Se o destino nos escolheu para isso, não podemos fugir.”
Shin segurou a mão dela, sentindo a conexão profunda entre eles. “Juntos, Yuna. Luz e sombras. Podemos mudar o destino.”
E, com essa resolução, eles deixaram o templo, prontos para enfrentar o maior desafio de suas vidas, sabendo que, desta vez, não era apenas uma batalha pelo reino de Azura, mas pela própria existência de tudo o que conheciam.
Continua...
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Atualizado até capítulo 38
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