A caminhada silenciosa de Shin e Yuna pelas trilhas sinuosas da Floresta Rubra trazia uma sensação inquietante. A cada passo, a vegetação parecia perder vitalidade, como se o próprio solo estivesse exausto. Mesmo com o equilíbrio entre luz e sombras restaurado após a derrota de Akuma, algo profundo e oculto começava a perturbar o mundo. O vento sussurrava lamentos, e a névoa rasteira envolvia as árvores como um manto de dúvidas.
"Há uma escuridão diferente aqui," comentou Shin, observando as sombras ao redor se contorcerem, como se tivessem vida própria.
"Ela não é tão agressiva quanto a de Akuma," respondeu Yuna, mantendo a mão firme no punho da espada. "Mas está crescendo, como se esperasse algo."
Continuaram a caminhar por horas, até que o silêncio foi rompido por um som distante — lamentos baixos, como se a própria floresta estivesse chorando. Instintivamente, Shin e Yuna se prepararam para o confronto. No entanto, o que encontraram foi mais assustador do que qualquer inimigo: árvores murchas e retorcidas, criaturas pequenas petrificadas em seus ninhos e um riacho cujas águas haviam se transformado em uma corrente negra e espessa.
"Essa não é uma decadência natural," Yuna sussurrou, agachando-se para tocar a água negra, que recuou com um movimento viscoso. "É uma corrupção... um sinal do caos."
Shin observou atentamente o ambiente ao redor. "Essas criaturas e árvores foram sugadas para dentro do vazio, mesmo após Akuma ser derrotado. Precisamos descobrir o que está causando isso antes que se espalhe ainda mais."
O Ataque dos Espectros Perdidos
Enquanto investigavam a área, foram subitamente cercados por figuras sombrias. Espectros amorfos surgiram da névoa, como ecos do antigo poder de Akuma. Seus corpos eram feitos de sombras líquidas, e seus movimentos eram erráticos, como se fossem fragmentos de memórias distorcidas.
"Estes são fragmentos do vazio," murmurou Shin. "Eles não têm forma, mas consomem tudo que tocam."
Yuna desembainhou sua espada. "Se são resquícios do poder de Akuma, temos que lidar com eles antes que causem mais estragos."
Com um movimento ágil, Yuna avançou. A lâmina da Espada da Luz cintilava na escuridão, traçando um arco luminoso que partia os espectros em duas partes. Shin, por sua vez, convocou as sombras ao seu comando, moldando-as em lâminas negras que cortavam os inimigos de forma precisa e letal. Cada golpe dado parecia criar uma harmonia entre suas forças: a luz que Yuna invocava trazia clareza e esperança, enquanto as sombras de Shin eram rápidas e inescapáveis, um lembrete de que até a escuridão podia ser uma aliada.
Mesmo vencendo a batalha, ambos sabiam que aquilo não era o fim. "Essas criaturas estão aparecendo com mais frequência," disse Yuna, limpando a lâmina. "Algo ou alguém está trazendo esses fragmentos de volta."
"E não podemos deixar isso se espalhar," completou Shin, com o olhar fixo na floresta. "Temos que encontrar a origem dessas fissuras."
O Encontro com o Espírito Guardião
Após a luta, seguiram mais profundamente na Floresta Rubra até se depararem com um santuário antigo. A construção de pedra estava coberta de musgo, e símbolos esquecidos decoravam suas colunas. Um brilho suave emergia do interior, e logo uma figura translúcida se materializou à sua frente — uma raposa luminosa com vários rabos, cada um cintilando como uma estrela.
"Vocês são aqueles que carregam tanto a luz quanto as sombras," saudou o espírito em uma voz calma e ancestral. "Eu os esperava."
"Sabia que estávamos vindo?" perguntou Yuna, surpresa.
A raposa assentiu lentamente. "Após a queda de Akuma, o equilíbrio do mundo foi restabelecido, mas com ele vieram novas fissuras. Fragmentos do vazio permanecem espalhados e, se não forem contidos, um novo caos surgirá. Vocês são os únicos capazes de impedir que isso aconteça."
Shin franziu a testa. "Onde estão essas fissuras?"
"Elas estão escondidas em lugares onde a luz e as sombras coexistem," explicou o espírito. "Cada fissura representa uma ferida na realidade, e para selá-las, é necessário um ato de equilíbrio. Algumas exigirão que aumentem a luz; outras, que libertem mais sombras."
Yuna trocou um olhar preocupado com Shin. "Isso significa que algumas de nossas escolhas podem criar novos desequilíbrios."
A raposa inclinou a cabeça, seus olhos brilhando com sabedoria. "Esse é o fardo de serem os guardiões do equilíbrio. Cada escolha que fizerem moldará o destino não apenas deste mundo, mas de todos os que virão."
Reflexões à Beira da Cachoeira
Após deixar o santuário, Shin e Yuna acamparam à beira de uma cachoeira, cujas águas brilhavam com uma magia suave e reconfortante. O som da queda d'água trouxe um momento raro de paz, e os dois se sentaram lado a lado, observando as estrelas refletidas na superfície cristalina.
"Parece que não importa o quanto lutemos, sempre haverá algo mais a ser enfrentado," disse Yuna, com um suspiro.
Shin olhou para ela e deu um sorriso suave. "É o preço de ser quem somos. Mas enquanto estivermos juntos, não importa quantos desafios apareçam."
Yuna virou-se para ele, seus olhos brilhando sob a luz da lua. "Você realmente acredita nisso, não é?"
"Sim," respondeu Shin, segurando a mão dela com firmeza. "Não importa o quão escura seja a noite, sempre haverá luz... e eu sei onde encontrar a minha."
Por um momento, o silêncio entre eles não era desconfortável, mas profundo. Não precisavam de palavras para entender o que sentiam. Apenas o toque suave de suas mãos e a presença um do outro eram suficientes para renovar suas forças e esperanças.
A Aparição Misteriosa
O amanhecer trouxe mais do que apenas a luz do sol. Quando se preparavam para partir, uma figura encapuzada surgiu à distância, observando-os silenciosamente. A figura parecia envolta em uma aura sombria, e algo em sua presença era perturbadoramente familiar.
"Não estamos sozinhos," sussurrou Yuna, puxando a espada lentamente.
Shin estreitou os olhos, estudando a figura. "Quem quer que seja, parece saber quem somos."
Antes que pudessem se aproximar, a figura falou com uma voz baixa e enigmática: "Vocês acham que derrotaram o vazio... mas o equilíbrio é uma ilusão temporária. Todo equilíbrio traz consigo a promessa de uma nova desordem."
O vento soprou, levando a névoa consigo, e a figura desapareceu tão rápido quanto surgira, deixando apenas um rastro de frio no ar.
"Quem era ele?" perguntou Yuna, ainda em alerta.
"Não sei," respondeu Shin, sombrio. "Mas isso foi um aviso. O caos pode ter sido silenciado por enquanto, mas ele não foi destruído completamente."
Uma Nova Jornada Começa
O horizonte se abria diante deles, vasto e incerto, prometendo novos desafios e mistérios. Eles sabiam que as fissuras do vazio precisavam ser seladas e que o equilíbrio do mundo dependia de suas escolhas. Mas agora, havia também a promessa de uma nova ameaça — algo que se movia nas sombras e observava seus passos.
"O que fazemos agora?" perguntou Yuna, segurando firme a mão de Shin.
"Continuamos," ele respondeu, com determinação nos olhos. "Não importa o que o destino nos reserve, vamos enfrentá-lo juntos."
E assim, com o coração leve e a alma resoluta, Shin e Yuna partiram, sabendo que seu caminho estava apenas começando.
Continua...
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 38
Comments