Flávia Ribeiro
Porque Renata tinha que ser tão insistente. Odiava a maneira como ela conseguia tudo o que queria. Não sei dizer se suas desculpas foram sinceras, mas isso não importava, porque agora ela iria parar de me chatear com suas perguntas indiscretas.
Depois que cheguei em casa, não demorou para que a arquiteta que contratei me ligasse. Combinamos todos os detalhes que ainda faltavam da reforma que estava planejando começar o mais rápido possível.
A tarde passou rapidamente e mal tive tempo de me alimentar. Por isso pedi sushi para o jantar. Antes da viagem a trabalho, estava acostumada a comer sozinha. Mas agora, sentia falta dos meus colegas de equipe. Sempre estávamos juntos, seja nos hotéis ou em restaurantes. Poderia chamar a Amanda para jantar comigo, mas ela era apegada, e levando em consideração que ficamos na última semana da viagem, era melhor evitar. Não quero alimentar qualquer intenção que ela tenha ao meu respeito.
Estava tudo bem em viver sozinha, mesmo que às vezes, fosse solitário. Pelo menos não precisava me preocupar em ser magoada ou traída. Porque devo deixar alguém entrar na minha vida se sei que essa pessoa não vai ficar por muito tempo? Desde a minha infância, as pessoas apenas passavam pela minha vida, mas nunca ficavam. Preferia ter poucos amigos de confiança e alguns casos de apenas uma noite, do que permitir que qualquer um saiba da minha vida. Seria muita coisa para explicar, muitas perguntas para responder. Principalmente agora que sei a verdade sobre as minhas origens.
No momento em que deitei na cama, o que antes era um sussurro distante na minha mente, se tornou ensurdecedor. Fui até a gaveta e peguei os documentos da investigação. Encarei os papéis, mesmo que tentasse evitar, não parava de pensar naquilo. Algo não me deixava ter paz em saber que aquelas informações estavam em minhas mãos e eu não tinha feito nada com elas.
Não sabia o que dizer, mas peguei o meu celular e salvei o número da mulher chamada Sueli. Segundo o investigador, ela era a minha mãe biológica. Encarei o contato na tela do telefone por longos minutos, até decidir ligar. No segundo toque a ligação foi atendida.
— Alô. — Aquela era a voz da minha possível mãe. Tentei falar algo, mas não consegui.
— Alô, quem é? — Ela perguntou e mais uma vez, fiquei em silêncio. O que eu estava fazendo? Nem sabia o que dizer, por isso desliguei a chamada.
Me joguei na cama, frustrada. Estava na hora de admitir que não tinha coragem e estava com medo. Esse sentimento era o mesmo que sentia todas as vezes em que tive a chance de saber sobre a minha mãe. Foi por medo que encerrei as investigações. Tinha medo da rejeição. Aparentemente, minha família era de uma classe social totalmente diferente da minha. Nossas crenças e valores não podiam se encaixar. Me sentia deslocada. Em pensar que a minha vida toda achei que tinha sido abandonada pela minha mãe. Demorou muito para curar essa ferida, nem sei se tinha conseguido me curar. Agora, existia a possibilidade de novamente ser rejeitada. Era complicado, não sabia o que fazer há um ano atrás e não sei o que fazer agora.
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Na manhã seguinte, só queria colocar a minha cabeça no lugar. Minha mente estava muito agitada, sentia que poderia surtar a qualquer momento. Então, decidi andar de bicicleta pelo Parque. Não sei por quanto tempo fiz aquela atividade, mas quando sentei em um banco, minha pernas estavam doloridas e pesadas. Ao menos serviu para espairecer um pouco.
Fiquei observando as pessoas que passavam ao meu redor. Uma mãe que empurrava o carrinho do filho, enquanto caminhava apressadamente. Um casal de idosos que corriam como dois atletas, eles deviam estar bem mais saudáveis do que eu. Se Renata estivesse aqui, provavelmente estaria brincando com o seu cachorro. No outro dia, eles pareciam muito felizes. Me dei conta rapidamente do rumo em que meus pensamentos estavam tomando e os parei. Já não bastava ter que aturar aquela mulher durante os compromissos do casamento das meninas, agora ela também estava invadindo a minha mente.
Peguei a minha bicicleta e voltei para casa. Logo teria que me arrumar e sair. Combinamos de fazer uma pequena reunião na casa da Elisa.
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— Flá, você chegou! — Soph me abraçou empolgada. Elisa, que estava ao lado da sua noiva, também me recebeu com um abraço caloroso. Elas estavam radiantes, dava para sentir a energia boa que as duas tinham.
— Bem-vinda, amiga. — Elisa disse.
— Obrigada. — Era sempre bom passar um tempo com minhas amigas.
— Você chegou na hora certa. Estamos escolhendo as flores para a decoração. O que você acha destas? — Sentei ao lado de Soph, que tinha nas mãos algumas flores. — Essa são as opções. Lírios, Hortências, camélias e rosas. Qual você acha que combina mais com a gente?
— Como você gosta de jardinagem, achamos que sua opinião seria a mais sincera. — Elisa acrescentou.
— Bom, acho que rosas já são uma escolha óbvia. Por isso vou escolher os lírios. Eles têm vários significados, tudo depende da cor. Por exemplo: O lírio branco representa a inocência e a virtude, já o lírio rosa significa o amor e o romance, o lilás representa o matrimônio e a pureza. Agora o Lírio vermelho representa...
— Paixão e sensualidade. — Olhei para Renata que falou ao entrar na sala. Ela me encarou por alguns segundos, mas logo desviou o olhar.
— Isso mesmo, vocês podem pesquisar mais a fundo se quiserem. — Devolvi as Flores para a minha melhor amiga.
— Ainda bem que nossas madrinhas entendem de flores. — Elisa foi até Renata e a abraçou. — Como você está, Rê?
— Estou bem. — A advogada sorriu para Soph e para mim.
— Venha Renata, temos muito o que decidir. A Cerimonialista mandou algumas opções de decoração.— Soph mostrou a tela do seu computador.
Todas nos acomodamos no sofá. Elisa preferiu sentar no colo da sua noiva. Achava lindo a cumplicidade e carinho que elas sempre demonstravam uma pela outra.
Henrique logo chegou e se juntou a nós. Elisa disse que Matheus estava trabalhando e Lara acompanhou os seus pais na volta para São Paulo, mas logo ela voltaria para o Rio.
— Esquece essa cor aqui, não vai combinar com as flores. Melhor optar por um azul Royal, celeste ou marinho. Rick era perfeito para nos ajudar com as combinações de cores, pois ele era designer de interiores. Além de ser super criativo.
— Vamos trocar esse amarelo e colocar azul, então. — Falei.
— Não vamos esquecer das texturas. — Elisa disse.
— E tudo tem que ficar harmônico para as fotos também. Não podemos esquecer que vamos casar durante o dia. — Soph acrescentou.
Percebi que Renata estava mais na dela. Concordava com um simples acenar de cabeça, ou um sorriso. Esse parecia o seu normal agora. Mesmo assim, sua presença me chamava atenção. Ela tinha uma aura que chamava a atenção. A advogada usava um terno feminino na cor preta. A camisa por baixo era branca e delicada. O salto agulha deixava a sua perna mais longa e elegante. Renata sabia se vestir, disso eu não poderia discordar. Provavelmente, ela veio direto do trabalho.
— Flávia, você quer uma cerveja? — Elisa perguntou.
— Quero sim. Obrigada. — Ela me serviu.
— Você está de férias, certo?
— Sim. Até o final do mês. — Confirmei.
— Ótimo, porque vamos começar a beber e não temos hora para parar.
— Estou mesmo precisando me distrair um pouco.— Confessei.
— Você está bem? — Os outros estavam distraídos e Elisa perguntou apenas para que eu conseguisse ouvir.
— Sim, está tudo bem.
— Certeza?
— Só preocupação mesmo. — Eu sabia que Elisa era confiável, o problema era eu que não conseguia me abrir.
— Vamos fazer assim. Por hoje, você esquece essas preocupações e se diverte. Vamos beber e conversar. Acho que vai ser bom para todo mundo.
— Você tem razão, acho que é tudo o que eu estou precisando agora.
A reunião que seria de apenas algumas horas, logo deu lugar a uma resenha. Fui bebendo e relaxando. Apesar da presença de Renata, me deixar um pouco desconfortável. Ela estava bem calada e longe de mim. Não queria admitir que isso me incomodou, mas era aquilo que eu queria, certo? Continuei a beber, até que não me importava mais com nada além de me divertir.
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Atualizado até capítulo 52
Comments
lua🌚
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2024-11-14
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Adriana Gomes
acho que essa bebedeira ainda vai render e muito viu🧐🧐🧐
2024-11-13
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Ana Faneco
curiosa e anciosa pelos próximos capítulos autora querida 😍❤️
2024-11-13
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