Capítulo 02

Flávia Ribeiro

— Vai dar tempo, Soph. Prometo que não vou me atrasar. — A minha melhor amiga parecia preocupada ao telefone.

— O voo atrasou, mas apenas alguns minutos. Já vou embarcar. — Peguei a minha bagagem de mão e caminhei até a entrada do avião.

— Tudo bem, amanhã vou com o Rick para a loja da Elisa. Não se preocupe, vai dar tudo certo. Beijos.

Desliguei a chamada e me acomodei no assento indicado na minha passagem. Seria uma longa viagem da África do Sul até o Brasil. Teria bastante tempo para descansar, o que não seria ruim já que era a primeira vez que tinha uma folga em muitos meses. Era jornalista e passei o último ano gravando um documentário em alguns orfanatos da cidade do Cabo, Joanesburgo, Durban, Bloemfontein e Pretória. Foi uma loucura tudo que vivenciei nesses lugares. Nunca esqueceria da cultura e das novas experiências, foi muito enriquecedor.

Quando o avião decolou, aproveitei para adiantar o meu relatório pessoal da última semana. Mantinha um diário de registro das minhas viagens, onde colocava fotos, endereços, nomes de novos amigos e descrição de lugares que visitei. Me senti realizada pela conclusão desse projeto, que passei tanto tempo planejando. Foi a realização de um sonho. Agora estava pronta para ficar um tempo na minha cidade natal , o Rio de Janeiro, e focar na reforma da minha casa. Além de ajudar Soph e Elisa na preparação para o grande dia.

Uma sensação de nostalgia tomou conta de mim quando pensei nas minhas amigas. Principalmente na Soph, que era como uma irmã para mim. Ela era o mais próximo de uma família que eu já tive. Devia tanto a ela, que sempre me ajudou. Nos conhecemos quando eu tinha 19 anos, minha mãe adotiva tinha falecido há poucos meses e Soph foi o meu suporte emocional e financeiro. Trabalhei como sua assistente durante 4 anos, até concluir a minha faculdade.

E também tem o Henrique, para os mais íntimos, Rick. Nunca conheci ninguém com uma alma tão gentil e doce quanto a dele. O meu melhor amigo é o primeiro para quem quero contar alguma fofoca, porque ele escuta e transforma qualquer situação em piada. Com certeza, ele é a leveza do nosso trio. Rick e Soph eram amigos antes de me conhecerem, eles se tornaram vizinhos quando Soph se mudou para o apartamento ao lado. Eles são tudo o que eu tenho e estou morrendo de saudade.

...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...

Após um voo exaustivo, chamei um Uber para me deixar em casa. Henrique insistiu para me buscar no aeroporto, mas não deixei, pois era de madrugada e não queria incomodá-lo. Ele já tinha cuidado da minha casa durante o período em que estive fora, não deixaria que perdesse o sono por minha causa. Além disso, amanhã ele me daria uma carona até o local da prova de roupas para o casamento.

Não demorou até que o motorista estacionou em frente a minha pequena casa. Tirei minhas malas do bagageiro e paguei a corrida. Era reconfortante voltar para o meu lar, o único que tive durante toda a minha vida. Porque não posso chamar de lar os outros lugares que fiquei.

Tudo estava em seu devido lugar. Apenas alguns galhos que precisavam ser podados no meu jardim. Mas logo iria limpar tudo e cuidar das minhas flores, como sempre fiz. Entrei em casa e caminhei até o quarto, percebi que a fechadura, que antes estava quebrada, foi substituída por uma nova. Rick, sempre olhava para os detalhes. Talvez ele não tivesse suportado o quão deselegante era aquela fechadura antiga e quebrada. Como designer de interiores, meu amigo não relevava essas coisas.

Me joguei na cama e aproveitei para dormir mais um pouco antes do sol nascer, estava exausta.

...ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ...

Acordei com um barulho de buzina e me levantei assustada. Olhei para o celular e já passava das 09:00. Droga, estava atrasada! Respondi as mensagens de Henrique com um " Já estou quase pronta" e corri para o banheiro. Meu banho demorado, teria que ficar para mais tarde.

— Oi amiga, a Soph vai ficar uma fera com a gente. — Foi a primeira coisa que ele disse antes de me entregar um copo com café e beijar meu rosto.

— Foi mal, esqueci de programar o despertador. Não se preocupe que vou assumir toda a culpa.

Tomei um gole do café e suspirei em aprovação.

- É o mínimo que você pode fazer.

Rick me olhou dramático e caímos na risada. Estava morrendo de saudade daquele idiota.

— Vamos, quero saber de tudo até a gente chegar lá. — Henrique decretou.

Contei sobre algumas experiências que tive durante o último mês. Não tinha tantas novidades, já que atualizava os meus amigos todas as semanas, por mensagem.

— Você não tem noção de como estamos orgulhosos, Fla. Nem consigo acreditar que realizou o seu sonho e ainda foi promovida a repórter.

— Ainda estou em fase de aprovação.

— Não importa, você vai conseguir. - Ele sorriu para mim.

— Obrigada, amigo.

— Sabe, mudando de assunto. Depois de como as coisas terminaram no ano passado, achei que você iria procurar a sua mãe. Até porque a Renata te deu todas as informações.

— Podemos não falar sobre isso?

— Você não sente vontade de conhecer a sua mãe?

— Henrique!

— É sério, Fla. Eu e Soph estamos dispostos a ir com você... — Ele continuou falando mesmo após estacionar o carro.

— Por favor, não quero falar sobre isso agora. — Odiava aquele assunto.

— Tudo bem, não vamos falar por agora. Mas essa conversa não acabou. — Rick saiu do carro e eu o segui. Estava frustrada por ele ter feito com que eu pensasse em Renata e o pior é que sabia que ela estaria aqui.

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Comments

Daniele Cleffsdasilva

Daniele Cleffsdasilva

Não fica assim Flavinha vamos ver oque o futuro nos reserva autora continua pfv 🥰 🥰

2024-10-04

4

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