No dia seguinte acordei com o sol a bater-me nos olhos, tapei os olhos e levantei a cabeça, mas sentia-me preso: Ohm estava com um braço em cima do meu peito e uma das penas em cima das minhas.
- Ohm\, acorda\, vais chegar tarde ao escritório.
Ele disse alguma coisa que eu não consegui perceber bem, e manteve-se agarrado a mim. Voltei a chamá-lo e ele voltou a resmungar.
- Vais dormir em casa do Mark hoje?- perguntou-me de mansinho quando acordou finalmente. Olhei para ele: aquele ar de cachorrinho arrependido só me fazia ter vontade de o meter num potinho e tê-lo sempre comigo\, mas eu não podia dar o braço a torcer\, senão ele ia acabar por fazer de mim o que quisesse.
- Não sei se lá vou\, ele ainda não me disse nada. Só se houver algum evento é que eu vou.
- Mas podes ir lá vê-lo\, não precisas de ir em trabalho apenas. Hoje devo ter um dia calmo\, o Kai vai hoje em lua de mel\, deve voltar só na semana que vem\, mas assim que voltar vem cá a casa com a Nora jantar. Combinámos.
- Certo\, agora já podes sair de cima de mim?
- Não me apetece. - ele resmungou apertando-me ainda mais\, mas depois ouvi-o murmurar algo\, tive mesmo de me esforçar para o ouvir. - Desculpa...- ele disse enfiando a cabeça debaixo do meu braço como se se estivesse a esconder.
- Desculpa o quê?
- Tu sabes...- ele disse sem adiantar muito o assunto. Sim\, eu sabia que ele me estava a pedir desculpa pela atitude dele na noite passada. Olhei para ele e depois suspirei.
- Ohm\, não faças disto mais do que é.- pedi-lhe - Posso ser teu marido\, mas apenas no papel\, temos de estabelecer limites...eu não sou de ferro e como toda a gente tenho coração.
Ele deixou de me apertar naquele mesmo momento levantando a cabeça apoiado num cotovelo.
- O que queres dizer com o "estabelecer limites"?
- Isto de dormir agarrado pode ser bom\, mas dá a parecer algo que não é. Não falo do sexo porque seria estar a ser hipócrita\, mas há coisas que temos de separar\, para isto correr bem.
Ohm mudou de posição novamente, desta vez sentou-se na cama com o sobrolho franzido.
- Isso é o que eu te digo sempre...
- Sim\, percebi que tens razão no que dizes e o melhor mesmo é mantermos uma certa distância\, para ninguém sair magoado.
- Mas eu não sinto nada por ti\, não ia sair magoado\, deixa de ser assim...- ele ia para me agarrar no braço\, mas eu bruscamente desviei-me. Estava mais do que na hora de acordar e levar aquele contrato como o que na realidade era: um negócio.
Saí do quarto decidido a levar aquele contrato a sério: não ia deixar que Ohm entrasse mais no meu coração da maneira que estava a entrar, nem ia permitir mais avanços dele, ele tinha de entender isso.
Desci para o pequeno almoço e Nei estava a ter uma conversa muito animada com Ming, ao ouvir o meu nome fiquei logo em alerta e escondi-me para tentar ouvir melhor a conversa.
- O Mike disse que o menino foi a casa dos pais do patrão e enfrentou-os de uma maneira que eles não esperavam!- dizia Nei.
- Se tivesse sido o outro a fazê-lo ele ia repreendê-lo até á quinta geração…- disse Ming rindo baixinho.
- Sim\, nota-se que o menino Fah é diferente desse homem\, tenho uma certa esperança que se acertem no futuro\, até fazem um belo casal…
- O patrão não deixa ninguém se aproximar...já terem casado foi um milagre…
- O menino Fah há-de lá chegar. O Mike perguntou ao patrão se ele era a pessoa certa para ele e ele disse que sim\, por isso com muita calma as coisas podem vir a ser diferentes…
O silêncio era um sim, ele deve ter acenado com a cabeça, deve ter percebido que eu estava a ouvir a conversa e não quis que eu soubesse a resposta dele...Okay, eu podia estar a imaginar coisas, devia ser isso...era isso com certeza, mas pela via das dúvidas subi as escadas a correr até ao quarto de hóspedes. Ohm ainda estava na cama deitado com o olha perdido.
- Sou a pessoa certa para ti?- perguntei mal entrei.
- Tu és bipolar?- perguntou quando olhou para mim.
- Um bocado. Responde.
- Se és a pessoa mais indicada para mim?
- Sim. - respondi ansioso.
- Não\, não és. A pessoa mais indicada para mim não me teria dito de manhã o que disseste\, teria deixado as coisas como estavam e ia sobreviver com as migalhas que eu lhe desse até eu achar que podia finalmente confiar.
- Eu...
- Eu não trago qualquer um para casa\, nunca o fiz e começo a pensar se não cometi um erro quando o fiz contigo.
Foi nesse momento que senti que realmente não valia a pena estar ali.
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Comments
Ana Lúcia
dois tontos apaixonado se machucando por não admitir o que sente
2024-11-28
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Ana Lúcia
kkkkkkkkk 😂
2024-11-28
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