Não consegui pregar olho, optei por ficar à espera que fosse já de manhã para ir dar a renda à minha senhoria. Ela ainda estava a dormir quando bati á porta dela. Ela veio abrir vestida com uma camisa de noite que mais parecia uma toalha de mesa.
- Fica só em atraso a renda deste mês que em breve pago.- disse mal lhe dei o dinheiro, ela ia a começar a reclamar, mas infelizmente o meu nível de paciência com ela já tinha acabado.
- Não quero conversas, aceita o que te estou a dar!- ela ficou chocada com a minha maneira de falar com ela, parecia que tinha ficado parada no tempo. Quando voltou a si limitou-se a fechar-me a porta na cara.
Regressei ao meu quarto e comecei a escolher a melhor roupa que eu tinha para sair, em seguida fui tomar um duche de água quente. Estive debaixo do chuveiro algum tempo: eu precisava delinear uma estratégia sobre como agir com Ohm, mas por mais que eu pensasse eu só o conhecia na parte física, sexual, mais nada.
Saí do banho a tempo de ver o meu telemóvel vibrar, alguém me estava a ligar,era um número desconhecido. A medo atendi a chamada, poucas pessoas me ligavam.
- Sim?
- Daqui a uma hora estou no escritório. É bom que lá estejas.- era Ohm.
- Como é que tens o meu número?- perguntei chocado.
- Isso não interessa, devias ficar mais preocupado com o facto de se não estiveres aqui eu posso ir buscar-te a casa. A tua senhoria mesmo com aquela camisa de noite e os rolos na cabeça consegue ser encantadora...
Ele desligou a chamada e eu larguei o telemóvel em cima da cama como se tivesse acabado de apanhar um choque. Como é que ele sabia tanto sobre mim? Durante toda a minha vida eu tinha sempre feito questão de não estar muito tempo no mesmo lugar, naquela casa estava apenas à seis meses. Eu tinha ficado desleixado? Não, não podia ser isso.
Sentei-me na cama ainda de toalha à volta da cintura. Se eu fugisse dali ele de certeza que ia conseguir saber onde eu estava. Será que ele era um stalker?! Que raio de sorte a minha.
Resignado com o meu destino vesti-me, sequei o meu cabelo, mas nem me dei ao trabalho de o esticar, não valia a pena e ele nem valia sequer esse esforço, se fosse ondulado paciência.
Quando desci as escadas do prédio vi um carro preto parado à entrada, parecia luxuoso, um homem de terno e gravata saiu com óculos de sol. Olhou para mim e perguntou.
- Senhor Fah?
Olhei para ele desconfiado.Quem era aquele?
- O meu patrão, o senhor Ohm pediu que o viesse buscar.
Suspirei de alívio. Se fosse mais um problema áquela hora o dia ia acabar por ser um desastre. Acenei com a cabeça e ele apressou-se a abrir a porta do carro para eu entrar. Entrei no carro e ele meteu-se em viagem. Em breve eu estaria ao pé de Ohm e ia saber o que ele queria de mim. Uma coisa estava mais do que certa: se ele fosse denunciar-me à polícia já o teria feito. Por isso, aproveitei o pouco tempo que tinha para tentar sacar informações a Mike o motorista dele.
- Como é o teu patrão como pessoa?
- É um bom homem. Cuida dos funcionários, não deixa que nos falte nada, já chegou a ajudar algumas famílias e tudo.- ele respondeu alegremente.
- Ele é advogado, certo?
- Sim, ele gere uma equipa de advogados, ele analisa os casos, vê com quais quer ficar e depois por último vê se é ele que vai pegar no caso ou se vai ser alguém da equipa dele.
- Okay, ele deve andar sempre ocupado.
- Sempre, ele não pára, mas é mesmo assim a vida dele.
- E em casa? Se é assim tão ocupado não deve ter tempo para ter alguém na vida dele.
Mike parou de falar por um momento, parecia estar a debater-se com a escolha de falar ou não sobre a vida privada de Ohm.
- Eu não disse nada...- ele avisou-me. Mas ele não é de se prender, talvez seja por isso que anda com tantos problemas com o pai. O irmão dele vai casar em breve, e olhe que é o irmão mais novo.
- Acho que ele esteve ontem na discoteca do meu amigo ontem para a despedida de solteiro...- comentei com ele.
- Ah, sim! O casamento será daqui a dois dias, por isso eles estão a organizar tudo para estar tudo pronto a tempo. O senhor Ohm além de irmão é também o padrinho de casamento do noivo!
- Que bom para ele...- respondi sem conseguir deixar de ser uma pontada de alívio, por instantes tinha pensado que era ele quem ia casar e que eu era apenas o prato de despedida antes do casório...
- Bem, senhor Fah, chegámos.- ele disse enquanto entrava no parque de estacionamento nas garagens interiores do edifício. - Eu vou levá-lo até à sala do senhor. Ele já está à sua espera.
- Vamos lá ver o que ele quer de mim afinal.
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