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É estranha a sensação de sentir que fazemos parte de algo maior que nós. Que temos ali pessoas que querem genuinamente conhecernos mesmo que não sejamos as pessoas mais fáceis do mundo.

Nei olhava para mim com um olhar amável, como se fosse uma mãe ou uma avó para mim, senti o meu coração de pedra amolecer uns milímetros, tive mesmo de recordar que eu ali era apenas o falso marido de Ohm.Era casado com ele, mas era apenas uma estratégia de negócios.

- Conseguiste decorar alguma coisa?-ele perguntou-me enquanto tirava o meu prato da minha frente para me servir.

- Ahm, bem, amanhã devo ter tudo decorado. Não é muita coisa. Se te perguntarem algo sobre mim não precisas de saber também?

- Pensas que não sei nada sobre ti?

- Não sei. Isso pergunto eu. O que sabes sobre mim?

- Queres mesmo ter esta conversa aqui?- ele perguntou com um ar descontraído como se nada o abalasse.

- Porque não?- agora eu ia saber até que ponto ele sabia coisas sobre mim.

- Bem, tu é que pediste. O teu nome já todos sabemos. Tens vinte e cinco anos, feitos em dezembro no ano passado, essa data para to é incómoda pois foi o dia em que foste abandonado à porta da igreja pela tua mãe. Nunca a conheceste nem sabes quem é o teu pai biológico. Cresceste até aos dezoito anos num orfanato, nunca tiveste a oportunidade de ser adotado,porque ninguém queria um miúdo problemático como tu. Aprendeste a roubar muito cedo e sempre foste conhecido por conseguires ser manipulador. Devo continuar?

Todos na mesa estavam em silencio. Mike parou de comer e olhou para Ohm.

- Patrão quer que voltemos noitra hora?

- Não, deixa. Ele é que começou.

- Tratas assim todas as pessoas da tua família?- perguntei tentando esconder o ódio que lhe tinha naquele momento.

- Só mesmo a minha madrasta.- ele respondeu friamente. - Come.A Nei e a Ming estiveram o dia todo na cozinha a preparar as coisas para nós.

- Não preciso de nada teu nem de ninguém!!!- atirei o prato que ele tinha acabado de servir ao chão e saí da mesa em direção ao quarto, desta vez ele nada fez para me impedir.

- Vamos continuar. Sobra mais assim. - ouvi ele dizer aos empregados.

Entrei no quarto e tranquei a porta

Sentei-me no canto mais escuro do quarto e ali fiquei um bom bocado, ele não podia ver o estado em que ele me tinha deixado. Peguei no meu telemóvel e liguei a Mark.

- Então mano, como estão as coisas?

- Acabei de me casar e de ter a minha primeira discussão com o meu "adorado" marido...

Do outro lado ouvi Mark engasgar-se.

- Calma, anda para trás na historia que ainda não sabia de nada disso!

Depois de um bom tempo a explicar-lhe no que se ia resumir a minha vida Mark ficou em silêncio um tempo.

- Tens a noção que ele pode controlar a tua vida, certo?

- Sim.

- Até quando é que dura o contrato?

- Até a criatura se cansar. Aparentemente não tem nenhuma data específica...

- Tens de fazer ele não te querer mais.- disse Mark num tom de quem tinha acabado de arranjar uma solução para um problema.

- Eu sei, já pensei nisso.

- E então? Já tens algum plano?

- Não. Mas se entretanto precisar da tua ajuda eu chamo-te. Agora vou manter-me quieto uns tempos, vou aproveitar a boa vida e depois quando me fartar faço ele largar-me. Não deve ser assim tão difícil...

- Vê lá é se depois não ficas a gostar demasiado do conforto...- disse Mark entre gargalhadas.

- Não sejas ridicula. Nunca serei dele. Prefiro mudar de país do que gostar dele!

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Comments

Da Silva Lopes Clinger

Da Silva Lopes Clinger

eu faria ele limpar 🧹 tudo na mesma hora e deixava de castigo sem comer nada uma semana assim iria aprender a não desperdício

2024-11-24

0

Ana Lúcia

Ana Lúcia

não dida coisas que não pode cumprir vai ficar bem amarrado kkkk

2024-11-27

0

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